O esporte é sensitivo

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Ter perdido a visão aos quatro anos por causa de uma cirurgia mal sucedida não impediu o iraniano Mani Djazmi de realizar seu sonho: narrar e comentar jogos. “Esporte é, antes de tudo, sensitivo”, explica o jornalista, entre uma gravação e outra dos boletins paralímpicos que faz diariamente para a Rádio BBC 4. Aos 32 anos, Djazmi chama a atenção quando liga o computador, pega o microfone e dispara a falar. A concentração e o esforço para captar a energia dos jogadores e do público são seus olhos. Djazmi perdeu a visão, aos quatro anos, em uma cirurgia de correção de córnea realizada em Teerã, capital iraniana. Por causa de um erro médico, ficou cego e a família se decidiu mudar para a Inglaterra para Djazmi ter melhor suporte. Se formou jornalista há 10 anos e há sete é repórter esportivo. Hoje, ele mantém pouca ligação com sua terra natal. “Eu não sei como é no Irã, se existe apoio aos deficientes visuais. Voltei poucas vezes”, comenta o iraniano, torcedor do Tottenham. Durante a Paralimpíada, ele tem o auxílio de Cristine, uma britânica muito atenciosa, que lhe acompanha durante o trabalho. No dia a dia, faz tudo sozinho, com a ajuda de um equipamento ligado ao computador, que faz a leitura de texto e possibilita escrita em braile. “Eu tenho a ajuda dela, que descreve os esportes, o que está acontecendo, todos os movimentos. Eu falo ao vivo para o rádio, em entradas durantes os jogos. Quando eu tenho que falar, ela toca em meu braço e eu faço meu comentário. Fora das competições, apuro e entrevisto os jogadores e transmito apenas o que consigo captar com os ouvidos.” ÍDOLOS BRASILEIROS Ontem, o iraniano acompanhou a derrota do Brasil para a Finlândia, por 8 a 1, na decisão do golbol – o Brasil conquistou medalha de prata inédita. Ele não escondeu a expectativa de vir ao Rio em 2016. “Quem gosta de esportes, tem que gostar do Brasil. Fui a Wembley, durante a Olimpíada, para acompanhar a Seleção Brasileira de Futebol, mas não teve final feliz (derrota para o México, por 1 a 0). Gosto muito do Ganso, do Oscar e, claro, Neymar. Mas meus ídolos maiores são Ronaldo e Romário. Encontrá-los no Brasil será muito especial”, comentou.

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