Fim da era David Stern: a ascensão da NBA em três décadas

Publicado em

Responsável direto pelo crescimento e internacionalização da NBA desde que assumiu o cargo de comissário-geral, em 1984, David Stern deixa o posto mais importante da liga neste sábado (1º de fevereiro). Muito se especula sobre os rumos do campeonato desde que Stern anunciou o afastamento e desde a morte de Jerry Buss, que comprou o Los Angeles Lakers em 1979, e foi um dos responsáveis pelo conceito de showtime do basquete norte-americano (foi ele quem introduziu as dançarinas nos intervalos, por exemplo). O primeiro indicativo de como serão os próximos anos será a negociação do novo acordo de transmissão, atualmente pertencente a ESPN/ABC e TNT, que pagam US$ 930 milhões anualmente.

Stern e Buss foram os responsáveis por transformar e reinventar o conceito de rentabilidade no esporte. Para ilustrar, chamou a atenção, recentemente, as cifras do contrato que os proprietários do Spirits of St. Louis, um time que nem existe mais, recebem da NBA por causa da equipe ter sido preterida na fusão entre a ABA e NBA na década de 1970.

Resumindo o caso, que é extenso: em 1976, a NBA absorveu a concorrente ABA, mas queria apenas quatro das sete franquias (New York Nets, Indiana Pacers, Denver Nuggets e San Antonio Spurs).  Das quatro restantes, uma fechou, duas fizeram acordo de cerca de US$ 3 milhões e o St. Louis, dos irmãos Ozzie e Dan Silna, fez um contrato vitalício para receber 1/7 da cota de TV nacional das quatro equipes que ingressaram na liga.

Em 1981, quando começou a valer o contrato, os Silna receberam uma mixaria. Mas com a globalização e valorização da NBA, os valores começaram a crescer e hoje giram em torno de US$ 20 milhões. Foram cerca de US$ 300 milhões de faturamento nos últimos 30 anos. No início de janeiro, o New York Times noticiou que os irmãos Silna acertaram o encerramento do contrato por “míseros” US$ 500 milhões, financiados através do banco JP Morgan. Para quem tem interesse pela história, a ESPN produziu um excelente documentário, o “Free Spirits” na série 30 por 30, lançado em outubro e exibido em dezembro no Brasil.

Na esteira da matéria divulgada semana passada pela Forbes, com o ranking das franquias mais valiosas (o Knicks lidera a lista, valendo US$ 1,4 bilhões), selecionei alguns dados publicados pela revista que revelam um pouco mais sobre a grandeza da NBA, que tem se sustentando em um alicerce: internacionalização.

CRESCIMENTO

– As receitas da NBA, que eram US$ 118 milhões na temporada 1982-1983, atingiram US$ 4,6 bilhões no ano passado.

– O Sacramento Kings (vendido por US$ 10,5 milhões em 1983), mudou de mãos em maio por US$ 534 milhões.

– Os jogos do playoff, que eram mostrados em fita e com atraso no início de 1980, são transmitidos ao vivo em 215 países atualmente.

– ESPN/ABC e TNT pagam US$ 930 milhões anualmente para transmitir os jogos. O acordo expira ao fim da temporada

– Jerry Buss comprou o Los Angeles Lakers em 1979 por US$ 20 milhões. Ele era proprietário mais antigo de uma franquia na NBA até sua morte, em fevereiro do ano passado. Hoje, o Lakers, dono de 16 títulos, vale mais de US$ 1 bilhão.

– Mais da metade dos 42 milhões de page views por dia no site oficial (NBA.com) são de fora da América do Norte.

– Hoje, a liga tem um recorde de 92 jogadores internacionais de 39 países diferentes – cinco são brasileiros. A França lidera com nove. O Spurs tem um recorde de 10 gringos.

– Quatro franquias da NBA lideram em números de likes do Facebook entre as equipes esportivas norte-americanas. O Lakers tem 18 milhões de fãs.

– No Facebook, a NBA tem o dobro de fãs do NFL e quase quatro vezes mais do que a MLB.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *