ENTREVISTA: Raulzinho

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Um dos destaques da Seleção Brasileira Masculina de Basquete na campanha do sexto lugar na Copa do Mundo, que terminou domingo, na Espanha, o armador mineiro Raulzinho conversou com o blog durante sua passagem pela capital mineira no fim de semana. Raulzinho, que está de malas prontas para defender o espanhol Múrcia, falou da atuação brilhante na vitória sobre a Argentina – quando foi cestinha com 21 pontos em triunfo que deu fim a uma série traumática de derrotas para os hermanos –, e do apagão diante da Sérvia, nas quartas de final. Também falou da Olimpíada Rio’2016, do relacionamento com colegas da Seleção e dos aprendizados após o segundo Mundial da carreira.  


O que faltou para o Brasil vencer a Sérvia e brigar por medalha?

Nem a gente sabe falar exatamente. Contra a Sérvia, com as faltas técnicas, uma em cima da outra, perdemos a cabeça. Jogo em nível de Mundial, o psicológico pesa muito. Mas não foi um jogo que vai apagar nossa boa campanha. Faz parte.

Como foi o clima no vestiário?

Tava todo mundo insatisfeito com o resultado. O Magnano tentou nos animar, deixar a situação com  um gosto melhor. Ele nos falou que, apesar da derrota, o resultado não foi ruim, que fomos mais longe e que temos muito trabalho pela frente. O momento foi de tristeza.

A derrota da Espanha para a França, que o Brasil derrotou na primeira fase, fizeram vocês lamentarem mais?

Com certeza, a vitória da França foi para piorar ainda mais nosso gosto. Seria uma ótima chance para medalha. Não menosprezando a França, até porque sabíamos que eles iam dificultar mais do que na primeira fase. Disputar uma semifinal, seja contra quem for, é jogo de altíssimo nível.

É um grupo pronto para a Olimpíada? Deve pintar renovação?

Não dá para saber quem vai estar. Uma coisa que o Rubén Magnano fala é que ele não dá nada de presente para ninguém. Tem que merecer. Quase todos (que estiveram no Mundial) estão em condição de jogar. Vai depender muito do desempenho nos próximos dois anos. As últimas campanhas foram importantes para mostrar força.


É um grupo que se dá bem?

O clima é de muita amizade no grupo. Na hora do jogo, tem nervosismo, que faz parte do basquete. Mas são todos profissionais, sabem o momento de treinar, de concentrar, de brincar. Tem quem goste de escutar mais uma música ficar mais fechado, caso do Leandrinho, que fica na dele com o fone ou o Nenê, que fica mais focado. Outros gostam de colocar música alta, de brincar. Cada um tem sua maneira de concentrar e isso faz o grupo se respeitar ainda mais.


A atuação contra a Argentina foi a melhor da sua carreira?

Foi uma atuação muito boa, estava inspirado naquele dia. Tive ótimos momentos, pude ajudar o Brasil a ganhar e ficar entre os oitos do mundo. A sensação foi indescritível. Mas a gente tem que fazer cada dia melhor.


Magnano bancou sua convocação, enquanto muitos apostavam em Rafael Luz….

Como disso, ele sempre fala que não dá nada de presente para ninguém. Eu não me considero nesse grupo por presente de ninguém. Desde a minha convocação, fiz bons treinos, sempre dando o máximo. Soube aproveitar bem as oportunidades e a confiança do Magnano, que é um grande técnico. Aprendi muito.


Como você encara essa fase de amadurecimento?

Aprendi muito na Seleção e na Espanha. Antes me cobrava muito, até por isso era muito compenetrado. Até ficava bravo com quem não levava basquete tão a sério quanto eu. Hoje vejo que tenho que tentar relaxar, dar o máximo, mas aceitar mais o erro.

 

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