As 5 lições de Londres

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Quando a pira se apagar neste domingo, no Estádio Olímpico de Londres, as atenções vão se voltar ao Brasil, sede dos próximos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, o Rio’2016. São pouco menos de 1.500 dias para o país erguer um Parque Olímpico – que vai ser construído na área do autódromo de Jacarepaguá -, revitalizar e readequar arenas, além de resolver problemas urbanos, como transporte público e segurança. Desde a escolha para sediar a XXX edição da Olimpíada e XIV Paralimpíada, em 2005, Londres começou a se preparar para receber os eventos que se encerram hoje. A intenção, como sempre defendeu o presidente do Comitê Organizador Local (Locog), Sebastian Coe, era realizar “os melhores Jogos da história”. Os britânicos chamaram atenção pelo bom andamento das obras, a bem sucedida rede de transporte público e por terem aproveitado a oportunidade para revitalizar o lado leste da cidade. O orçamento, apesar de ter saltado de 4 bilhões de libras para 9,3 bilhões de libras (cerca de R$ 25 bilhões), foi três vezes mais baixo que o valor gasto pelo ciclo Pequim’2008 (R$ 71,6 bilhões). No campo da segurança – setor preocupante por causa dos ataques terroristas ao metrô, em 2005 -, a organização teve problemas com a empresa privada GS4, responsável pela segurança privada, e teve que convocar de última hora o exército. Cerca de 17 mil militares trabalharam durante os Jogos. Os organizadores do Rio’2016 sabem que terão trabalho para superar os Jogos da capital inglesa. “Londres nos trouxe dois aprendizados fundamentais: a prioridade que deram à experiência do público, oferecendo as melhores condições possíveis, e o conforto e estrutura que deram aos atletas. Todos saíram felizes”, comentou o diretor-geral do Comitê Rio’2016. “Superar Londres é o nosso desafio”, completa. AS LIÇÕES Mobilidade Durante os Jogos, Londres teve linhas especiais para os ônibus e carros da competição. O transporte público – a cidade tem mais de 400 quilômetros de linhas de metrô – funcionou uma hora a mais (até 1h da manhã) e o acesso ao Parque Olímpico, distribuído em várias estações para evitar transtornos e filas. As estações e vias públicas foram sinalizadas e 70 mil voluntários auxiliaram os espectadores a chegar aos locais de jogos. Pontualidade As obras para a Olimpíada foram entregues com mais de um ano de antecedência. O Parque Olímpico, em Stratford, no leste londrino, começou a ser construído em 2007 e, em julho do ano passado, já recebeu os ensaios para a festa de abertura. A tradicional pontualidade britânica também imperou durante os Jogos, no transporte público e no horário das competições. Revitalização urbana O maior legado dos Jogos para os londrinos foi a revitalização do lado leste da cidade, uma região industrial sucateada e de solo sujo que foi transformada com a construção do Parque Olímpico. Stratford recebeu investimento de 88 milhões de libras (cerca de R$ 250 milhões). O solo foi descontaminado e mais de quatro mil árvores foram plantadas na área de 2,5 km2, igual a do Hyde Park. Além do Parque Olímpico, foi inaugurado em setembro do ano passado o Westfield, maior shopping da Europa. Experiência do público O Comitê Organizador Local (Locog) teve preocupação extra para que o público se sentisse confortável dentro dos espaços olímpicos. Os locais de jogos contaram com praças de alimentação e espaços abertos para convivência, com telões e eventos simultâneos. Os Jogos de Londres foram uma celebração em família. Identificação

Em tempo de crise econômica na Europa, os Jogos Olímpicos serviram para reforçar a identificação dos britânicos com a nação da Rainha. Os torcedores se envolveram com o atletas e a boa campanha do “Team GB” nas duas competições deixaram os Jogos ainda mais emocionantes. Campanhas publicitárias nos últimos anos apresentaram os principais atletas ao público. Os torcedores chegavam às arenas sabendo para qual atleta iriam torcer.

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