Análise: altura, defesa e rebotes fizeram diferença para o Flamengo na decisão

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Renan Damasceno
Enviado especial

Rio de Janeiro – O Uberlândia era mais técnico, mas o Flamengo teve mais estrela. Em decisão em jogo único – contrariando a lógica do basquete mundial, infelizmente -, o rubro-negro chegou ao terceiro título brasileiro ao vencer o time mineiro, por 77 a 70, neste sábado, na Arena da Barra, no Rio.

O aprendiz José Neto levou a melhor sobre o professor Hélio Rubens justamente no conceito que o veterano sempre pregou: defesa. Sem Benite, Neto escalou o paraguaio Zanotti para marcar o norte-americano Robert Day a meio palmo de distância. Para isolar o outro gringo, Robby Collum, Neto tirou proveito da altura e experiência de Marquinhos. Era um ala de 2,06m contra outro de 1,83m. Resultado: apenas 15 pontos da dupla Day e Collum, que tem média de 31,2 pontos por jogo. Dezesseis pontos a menos na conta dos mineiros, que perderam o jogo por sete.

A altura e força também fizeram diferença dentro do garrafão. O gigante Caio Torres (2,11m) não teve marcador à altura, literalmente, mesmo com a troca de Cipolini (2,03m) por Estevam (2,11m). Caio foi o destaque ofensivo, com 23 pontos, enquanto seu parceiro de garrafão, Olivinha, fez o trabalho na defesa, com 12 rebotes.

Sem espaço para jogar, coube ao Uberlândia arriscar da linha de três pontos, muitas vezes de forma precipitada e desequilibrada – tudo o que Hélio Rubens prega contra. No primeiro quarto, fez apenas uma cesta de dois pontos, em infiltração de Audrei. Ao todo, foram 11 bolas certeiras em 27 tentados. Dentro do garrafão, 14 em 36.

Claro que o jogo poderia ter sido outro se Gruber não tivesse que ser substituído pelo número de faltas. Ele fez 18 dos 22 primeiros pontos do Uberlândia e tinha tudo para se consagrar. Mas o Flamengo soube tirar proveito da torcida, da vantagem física e, com muita disciplina tática, sagrou-se campeão diante de mais de 16 mil torcedores.

Por fim, a grande festa foi do lado de fora da quadra. Além da bela festa para os campeões, a torcida rubro-negra teve belíssima atitude ao aplaudir os jogadores do Uberlândia durante a entrega das medalhas. Bons jogos, presença do público e bons exemplos são tudo que o basquete brasileiro precisa para voltar a ser grande e respeitado. 

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