A imprensa está virando religião e eu corro o risco de virar um demônio. É hora de me despedir.

A imprensa está virando religião e eu corro o risco de virar um demônio. É hora de me despedir.

O ‘jornalismo de resistência’ é uma missão, não um ofício: a verdade é aquilo que se decide nas redações, e a “verdade” de conveniência.

O resultado das eleições na Câmara dos Deputados e no Senado Federal foi mais uma prova de que a mídia deste país que chama a si própria de “grande”, ou de “nacional”, ou coisa parecida, está se tornando um novo tipo de fenômeno — uma atividade que, definitivamente, não consegue mais operar de acordo com a sua natureza. É como um navio em que os tripulantes querem navegar terra adentro, e não mar afora.

Meios de comunicação, pelo entendimento geral que se tem a respeito das suas funções, servem para dar ao público informação sobre as realidades que existem à sua volta — é por isso que as pessoas compram os seus serviços, e por nenhuma outra razão.

Cada vez mais, porém, a mídia brasileira vem se mostrando incapaz de exercer a sua atividade natural. Em vez de transmitir fatos, passou a transmitir crenças; está se tornando uma religião, em que toda a energia se concentra em divulgar um evangelho no qual os comunicadores comunicam o que acham certo, virtuoso e obrigatório para a sociedade, e não o que está acontecendo.

O resultado básico disso é que o público é apresentado, o tempo todo, a um mundo que não existe. Dizem que está acontecendo uma coisa e acontece outra — ou, frequentemente, acontece o contrário.

Não é uma questão de ponto de vista; é algo que pode ser constatado com elementos que os advogados chamariam de “prova material”. O episódio da escolha dos novos presidentes da Câmara e Senado foi uma comprovação objetiva dessa anomalia — um clássico, na verdade, em matéria de desinformação em estado puro.

Há meses, desde que o assunto apareceu no noticiário, o público foi informado, do primeiro ao último minuto, sobre algo que simplesmente não estava acontecendo: uma disputa duríssima, dessas em que tudo pode acontecer, entre candidatos do governo e candidatos da oposição.

Só que jamais existiu, no mundo dos fatos, disputa nenhuma, nem candidato nenhum da oposição — os únicos candidatos para valer, desde o começo, eram os do governo, e a única coisa que podia acontecer era a sua eleição.

Não custa lembrar. No início dessa história o público leu, viu e ouviu, como notícia de grande seriedade, que o então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, poderia ser reeleito para o cargo. Maia, que de uns tempos para cá se “reinventou” como líder da esquerda nacional e marechal de campo da oposição, iria causar uma derrota mortal para o governo com a sua vitória; já podiam chamar o padre e encomendar o caixão para o presidente Jair Bolsonaro.

Em nenhum momento, na verdade, Maia teve chance alguma: a lei proíbe que presidentes da Câmara sejam reeleitos, e o Supremo Tribunal Federal decidiu que a lei deveria ser mantida. Se nem o STF aceita uma aberração dessas, qual a chance real da reeleição? Três vezes zero, mas a fantasia foi mantida viva, respirando por aparelhos, até a mídia informar que não, não tinha rolado.

Como não dava com Maia, teria de dar com outro; em cinco minutos apareceu um “candidato da oposição”, apresentado como perfeitamente capaz de ganhar a presidência da Câmara. A ficção foi mantida até o fim.

A sessão decisiva já tinha começado, e os candidatos já tinham feito os seus discursos finais, o da oposição em favor “da democracia” — e a imprensa em peso continuava dando a disputa, que nunca existiu, como “aberta”, quando ela já estava fechada antes de começar. Minutos depois, concluída a contagem dos votos, o candidato do governo teve 302 votos contra 145 — não uma diferença de dez ou vinte votos, mas mais do que o dobro. Que disputa era essa? No Senado aconteceu a mesma coisa — mais de 70% dos votos foram para o candidato do governo. Infelizmente, verifica-se hoje que o governo escolheu mal as cartas.

Nada disso é um erro de avaliação. É o resultado inevitável do abandono da atividade de informar em favor de um “jornalismo de resistência”. A imprensa está virando religião.

O ‘jornalismo de resistência’ é uma missão, não um ofício: a verdade é aquilo que se decide nas redações, e nada mais.

Aproveito este texto para juntar decisões estapafúrdias da nossa corte suprema, atropelos judiciais de todas as espécies, chegando-se ao absurdo de prender trabalhadores e soltar bandidos, amparados apenas em decretos municipais ou estaduais que nunca tiveram força de lei.

Ditadores de plantão chegam ao delírio de publicarem decretos dando ao poder público o direito de expropriar, mesmo que temporariamente, propriedades privadas aproveitando-se do medo  e pânico impostos à população pelo massacre diário

desse “jornalismo de resistência”.

Companheiros de farda atiram para matar uma voz discordante, e pior, sob alegação de surto psicótico, que merece cuidados médicos e não balas.

Sinto-me após 45 anos de dedicação a esta profissão, que abracei e amei, cansado e confuso diante dessa enxurrada de fake news que brotam de todos os lados.

É hora de baixar o trem de pouso e descansar em terreno menos pantanoso.

Certo de haver “combatido o bom combate”, em paz com a minha consciência, deixo espaço para jovens dispostos a lutar pela restauração do verdadeiro jornalismo.

Agradeço a liberdade e prestígio que todos os veículos onde exerci minha profissão sempre me proporcionaram.

O tempo pesa no corpo, mas trás sabedoria e discernimento.

Após algumas cirurgias características do desgaste físico, portar sempre uma farmácia ambulante e há mais de 6 anos tratando de uma persistente síndrome do pânico, sinto que é hora de dar ouvidos  a Friedrich Nietzsche:

Aquele que luta com demônios deve acautelar-se para não tornar-se um também. Quando se olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você.

 

Neimar Fernandes

Neimar Fernandes é jornalista há mais de 40 anos, com passagens pelas redes Globo, Record, Band e Manchete.

47 thoughts to “A imprensa está virando religião e eu corro o risco de virar um demônio. É hora de me despedir.”

  1. A internet virou palco para idiotas lunáticos vomitarem aquilo que chamam de opinião. Vi muitos desses nos comentários de suas publicações. É uma pena vc parar com a coluna, mas a saúde mental merece ser sempre a primeira escolha!

  2. Tristes tempos em que nada é o que parece ser . Melhor aposentar a pena e se manter fiel aos seus princípios e preservar sua integridade física e mental . Bom é poder olhar pra trás , ter a certeza do seu valor e seguir em frente . Vida que segue e vamo que vamo, juntos e misturados até qdo Deus quiser .

  3. Vai fazer falta sim! E é uma pena que encerre a coluna.
    Como disse a leitora Ana Paula, a Internet virou palco onde todo tipo de gente , babacas , cretinos e com mentes idiotizadas, se acham no direito de desrespeitar o trabalho de um jornalista sério, só porque não concordam com sua posição politica. É muita falta do que fazer, quando vêm aqui escrever xingamentos .
    Descanse e seja feliz, você merece!

  4. Que seja apenas o repouso do guerreiro, Neymar. Aguardamos a volta do jornalista inteligente com energia redobrada. Saudações ouropretanas !

  5. Essa foi a melhor desculpa para não ter que assumir que não tem mais nenhum argumento para continuar defendendo o BolsoNero Genocida. Foi tanta bobagem escrita tentando defender o indefensável que agora a única alternativa que restou é tirar o time de campo e deixar os gados seguidores do “Minto” morrendo à mingua.
    Parabéns, sempre existe tempo para cair na real e parar com a teimosia burra.

  6. Que pena meu amigo. Sua coluna sempre foi minha primeira opção, nesse jornal, que virou uma sucursal da globo. Talvez mais um motivo para parar de abrir esse site. Vá com Deus, seja feliz. Saiba que fez vários dos meus dias melhores, com suas verdades e textos muito bem escritos. Abraços de quem sempre te acompanhou.

  7. E cá está o Cícero outra vez! Não perde uma postagem, apesar de só aparecer para vomitar palavras. Na psicologia existe um termo que se chama projeção, que significa atribuir a outra pessoa seus sentimentos, motivações e caráter. Esse termo explica bem a participação tão ativa desse ser aqui. Também existe outra expressão que o define: fã encubado! Essa nem preciso explicar o significado. Se existe uma vantagem no fim da coluna, é que ficaremos livres da presença do asno do Cícero por aqui. Ufa!

    1. Falou a sabichona !!! Não vou nem dormir de tanta preocupação com as palavras da puxa saco de apoiadores do Bozo !!! Pega seu conselhos e enfia naquele lugar, sua Anta !!! Aliás, pode me procurar em outras blogs deste mesmo site que você vai continuar me vendo, ao contrário desses bostinhas que só vem puxar saco de Bozolóides. Tchau !!!

    1. Esse tal de Cícero é o típico esquerdista destituído de quaisquer tipos de princípios morais, de educação, de cidadania, de respeito, um mau caráter completo que não merece que nos desgastemos em respondẽ-lo; é um autẽntico lixo humano.

      1. Relincha mais um pouco gado bolsonarista !!! Faz arminha com a mão que dói menos !!! Já tomou Ivermectina ou foi correndo tomar a vacina ?? Pensa um pouco (se é que consegue) e vai descobrir realmente quem é o lixo humano seu Bozolóide de merda.

  8. Nao se vá amigo. Fica aí pra você fazer a contagem final de mortos no Brasil “governado” pelo presidente que tanto gosta. 4 mil brasileiros morrendo ao DIA. Fique um pouco mais. Mas se decidir ir embora, não se iluda. Essas 320 mil almas não vão te deixar dormir tranquilo NUNCA MAIS.

    1. Outro Jumento vomitando asneiras. Vcs. Esquerdopatas e “midia tradicional”, jamais se preocuparam com as mortes no Brasil. Pelo contrário: A cada boletim diário das mortes por covid inflada com mortes por infarto, câncer, Pneumonia, Aids, etc.. falsificando essas mortes, vcs. vibravam e vibram de alegria, só pq. não gostam de 1 pessoa: O Nosso Melhor Presidente até hj. Vcs deviam culpar os Verdadeiros Genocidas que são seus Governadores e Prefeitos Corruptos que pegaram os MILHÕES DE REAIS e desaparecerem com eles. E o pior: Até hj. não deram a prestação de contas do dinheiro p/ o combate á Covid. São Ladrões da Saúde Pública. E adivinha quais são os partidos! Concluo dizendo: Vai pro Inferno Comunistas!!!

      1. Se nao fosse a atuação de prefeitos e os governadores ja teriamos corpos pela rua e você estaria aplicando cloroquina no rabo. Concluo dizendo: VÃO Pro inferno nazistas!

        1. O governo do Rio Grande do Sul, depois de muitos anos fechou no azul suas contas e pagou salários atrasados. Muitas municipios também, como num milagre, recuperaram suas contas e também ficaram no azul em plena crise financeira e de saúde. Coincidencia é que o governo federal enviou neste mesmo período, recursos bilionários para todos os estados e municipios para aplicarem de forma exclusiva em seus sistemas de saúde, além dos recursos para a população de baixa renda.

      2. Caaaara…
        Quando tudo isso acabar e o espelho te engolir, creio que vai precisar de um transplante de cérebro!
        Já derreteram a seu, pelo visto!
        Tem jeito mais não!

  9. E os bolsonaristas sumindo, cada dia mais, “Deus”, como gostam tanto de falar, o tempo todo, até pra defender armamento, realmente existe.

  10. Aposto que sua decisão tem a ver com este Jornal Estado de Minas, que em um passado bem distante, já foi idôneo de opiniões. Sinto muito por sua decisão, voce é 10! Pelo menos não sou obrigado a ler o blog do mau caráter do “opinião sem medo”!

  11. Um bom assunto que você trouxe para discussão e ele não é polêmico pois é fato, é real, só os ingênuos, os inimigos da democracia ou os de má fé mesmo, não conseguem enxergar. Esta tal “grande imprensa” (e as pequenas e médias também, que vão a reboque perdendo parte de sua identidade), se prostituíram ao longo dos últimos anos e esta degradação ética, moral e profissional ficou mais visível nos últimos 2 anos e chegou no ápice nesta pandemia. Nesta briga política insana, perderam um bem muito precioso para uma mídia que é a credibilidade. Esqueceram que a imparcialidade é “cláusula pétrea” de uma grande mídia de respeito. Entraram definitivamente neste redemoinho da polarização politica e ideológica tão nefasta para um país. Não importa se sou de direita ou esquerda, quero ter acesso as noticias da forma mais pura, sem tendenciamentos, sem omissões (ou pequenas notas de rodapé) de fatos positivos ou exageros nos negativos de pouca ou nenhuma importância. Não quero que o povo seja manipulado pela mídia. Quero ler e ouvir todos os lados na mesma proporção. Quero também que os leitores construam suas próprias opiniões e tenha suas próprias conclusões e não se influenciem pelo ódio de “influenciadores” profissionais travestidos de jornalistas. Tem exceções, é claro, e uma delas é a CNN, que não entrou nesta briga infantil e pouco profissional. A imprensa é o quarto poder hoje numa democracia e são plenamente protegidos pela Constituição, mesmo se comportando de forma imoral, egoista e antiprofissional indo de encontro aos valores tão caros de uma democracia.

  12. Caro Neimar, meus parabéns por deixar aberto o espaço de opiniões de leitores. Isto é democrático. Lógico que você tem que filtrar e excluir comentário ofensivos ou com palavreado chulo. Quero deixar também aqui a minha estranheza, o fato do blogueiro Ricardo Kertzman ter excluido este espaço do seu blog. Isto é um comportamento nada democrático da parte dele. Quer dizer que só ele tem o poder de dar suas opiniões e fecha seus “ouvidos” para ouvir os contrários e suas argumentações, muitas vezes pertinentes? Não acho justo e parece ditatorial. O curioso é que o blog Opinião sem medo, passou a figurar em posição de destaque no portal do Estado de Minas, o antigo grande jornal dos mineiros. Tempo que se foi.

    1. Ricardo Kertzman é outro que se vendeu com medo de perder seu lugar na mídia podre representada pelos restos do Diários Associados, ele é tão covarde que excluiu os comentários, o que é típico de alguém que tem medo e não tem argumentos para contradizer quem o contradiz.

  13. Só tenho um comentário a fazer: – obrigado Neimar, pelas excelentes postagens que nos fizeram acreditar que ainda existe jornalismo honesto e imparcial neste país tão corroído pela desonestidade intelectual de uma mídia que só se interessa em manter seus privilégios e viver às custas de governos corruptos. Continuo acreditando que a Cruzada conduzida por Bolsonaro, por mais atropelos que ela tenha em seu caminho, ainda vai ser vitoriosa e colocar o Brasil em um lugar mais digno do que o deixado dos governos anteriores.

    1. Talvez não seja Antônio, e talvez o agradecimento tivesse que obedecer à honestidade do gênero, dizendo “obrigada”.
      Quem te conhece que te compre, notinha de 3!
      Rsrss

      1. Esse seu comentário pode ser ofensivo e contra isso eu posso ter meios de me defender; a liberdade e de expressão tem seus limites. Pense bem que ofender a quem você não conhece pode ter consequências mais sérias.

  14. Sabem o que é mais louco nisso tudo? Não estou defendendo quem quer que seja, mas a mesmíssima imprensa e a maioria dos jornalistas que estão por aí teciam críticas diárias e ferrenhas aos governos anteriores e não havia esse questionamento por parte de quem ataca a imprensa hoje. Antes a Folha, a Globo, o EM, etc, na visão dos atuais críticos faziam o bom papel da imprensa denunciando e criticando, hoje são esquerdistas, comunistas e tudo que não presta. Que esquizofrenia geral!

    1. Fábio. Acorda! Antes, teve o MAIOR ROUBO DA HISTÓRIA DO BRASIL E UM DOS MAIORES DA HUMANIDADE! Foram Trilhões de Reais que o seu Luladrão e Quadrilha desviaram dos cofres públicos do Brasil. Não vou aqui ficar citando os países que o Sapo Barbudo “investiu” nosso dinheiro! Então a imprensa tinha sim que criticar. Hoje a imprensa não consegue achar nenhum indicio de desvio de recursos públicos e além do mais esse governo com todo o massacre mediático em cima dele, fora STF, OAB, Imprensa Podre, etc, etc, consegue terminar e inaugurar obras que o PT e outros governos esqueceram no tempo. Portanto, Fábio, esse é o Melhor Presidente de todos os tempos!

  15. Há anos a mídia, sobretudo depois das redes sociais, deixou de lado os fatos e passou a se dedicar às opiniões e insinuações. Dane-se os fatos (dia, hora lugar, envolvidos, testemunhas, provas, condutas); o negócio é escrever e publicar boatos para viralizar, obter views e likes. Jornalismo futrica. Trivialidades: “Veja os memes”, “fulano calou beltrano”, “fulano se envolve em polêmica”, “uma fonte que não pode ser identificada”, “fulano é cancelado”, “a vida da celebridade”, “a raba indomável”…
    Na ânsia de ser o primeiro a repercutir algo, mesmo que seja uma asneira ou boato, as redações pararam de investigar e apurar (é rápido, dá pouco trabalho e custa pouco). Basta arrumar alguém apaixonado pelos próprios posicionamentos e transformá-lo em colunista; alguém que chame os outros de canalhas, de corruptos, de mentirosos. Alguém que aprendeu a cartilha do momento: do tipo de acha que entende o que foi dito e, principalmente, o que não foi.
    Há uns 30 anos as coisas eram diferentes. Os veículos ficavam 2 ou 3 meses apurando um assunto. Quando saía publicado ou noticiado o cabra, seja lá quem fosse, se lascava. Os fatos falavam por si e os exemplares se esgotavam rapidamente. Hoje é um tal de “ancora” encastelado no ar condicionado e conversando fiado o tempo todo. As coisas precisam ser restauradas no jornalismo.

    Uma leitura: VAZ, Lúcio. A Ética da Malandragem: No submundo do Congresso. 1.ed. São Paulo/SP: Geração Editorial, 2005.
    “Existem dois Congressos, escreve Lucio Vaz neste livro polêmico e arrasador. Um deles – o oficial, digamos assim – é capaz de fazer uma nova Constituição, aprovar o impeachment de um presidente, lutar contra a ditadura, fazer leis para o país crescer. O outro – subterrâneo, revoltante, criminoso – vende votos, aluga mandatos e legendas, emprega parentes, toma dinheiro de humildes funcionários, exige cargos e verbas do governo federal, assalta empresários (que aceitam as regras deste jogo sujo) e até trafica drogas. É desse submundo que este livro trata. Seu autor, o jornalista Lucio Vaz, 47 anos, passou os últimos 20 anos de sua vida em Brasília, trabalhando basicamente para os jornais Folha de S. Paulo e Correio Braziliense. Suas reportagens – base para o pavoroso relato deste livro – tratam de temas sombrios, revoltantes. Lucio Vaz investigou denúncias envolvendo deputados, senadores e governadores em 26 Estados. Da pequena e violenta Canapi, em Alagoas – de onde foi expulso por jagunços –, de Marabá, no Pará – onde políticos escravizavam meninos de oito anos –; de Porto Velho, em Rondônia – onde um senador acusado de envolvimento com o narcotráfico acabou fuzilado na véspera de uma eleição –, aos próprios ambientes do Congresso Nacional – onde se consomem 15 quilos de cocaína por mês –, Lucio Vaz vai enumerando histórias de arrepiar os cabelos”.

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