VEJA QUANTO RECEBEM DO GOVERNO TVs, RÁDIOS, JORNAIS, REVISTAS E INTERNET PARA PUBLICIDADE E O SERVIÇO QUE PRESTAM AO PAÍS

Vivemos uma crise sem precedentes na história da imprensa brasileira.

Com a ascensão da internet e a velocidade da propagação dos fatos, tornou-se imprescindível checar  quaisquer informações e fontes a fim de evitar “barrigadas” ou “fake news”.

Fazer jornalismo de verdade está cada vez mais difícil, sobretudo em um país onde os donos da comunicação, sequer são jornalistas. O que vemos, ouvimos ou assistimos diariamente nos deixa mais confusos do que informados.

É muito difícil separar ideologia, militância ou subordinação quando se faz jornalismo com viés publicitário ou a serviço de uma causa. O verdadeiro jornalista tem paixão pela informação de qualidade e da forma mais rápida possível, corre em suas veias o sangue da opinião qualificada, mas quando esse sangue é contaminado por interesses, pressões ou medo ele se torna um fantoche nas mãos de quem os contrata.

Temos assistido nos últimos meses uma debandada de jornalistas abandonando veículos, seja por discordância ideológica, por desobediência editorial ou até mesmo por doenças psicossomáticas causadas pelo estresse diário.

A imprensa pode e deve ser considerada o quarto poder quando exercida de forma independente e despida de interesses ou partidarismo nas batalhas entre governo e oposição, com informação equilibrada, fontes de credibilidade e ilustrações verdadeiras.

Um veículo sobrevive da qualidade do material produzido e da capacidade de atrair verbas publicitárias, estas umbilicalmente ligadas a quantidade de audiência ou assinantes. Nas últimas décadas essa equação se equilibrava com 60% de verbas públicas e 40% de anúncios da iniciativa privada.

O total de verba publicitária repassada do governo federal à TV Globo entre 2000 e 2014 foi pouco acima de 7 bilhões e 400 milhões de reais.

A divisão deste valor no período pesquisado gera a média anual de 493 milhões de reais de verba publicitária da União à emissora da família Marinho.

Naqueles mesmos 15 anos, a Record recebeu em média 144 milhões. O SBT, 136 milhões. À Band foram repassados 89 milhões. Para a RedeTV!, 32 milhões.

A questão do dinheiro público investido em comerciais na TV Globo virou polêmica na entrevista de Jair Bolsonaro no Jornal Nacional, tornando-se tema de campanha e de conhecimento da grande maioria do eleitorado.

A situação não é diferente para jornais, revistas, internet e demais mídias. Acompanhe o quadro:

Ao final de 2015 essa situação começou a mudar devido ao estouro do caixa governamental, a ponto de culminar com o impeachment da presidente em 2016. Não havia mais dinheiro fácil e algumas “pedaladas fiscais” derrubaram o governo.

A mesma imprensa que ajudou na queda do governo, pensou ser possível continuar merecendo as benesses de um novo mandatário, ainda que provisório, descobrindo a contra gosto, que a fonte havia secado.

Apostaram na eleição de um novo presidente capaz de retomar os velhos padrões, forçaram uma polarização inexistente, na base do todos contra um, deixaram de lado o jornalismo e viraram meros distribuidores de peças publicitárias.

Matérias não representavam o que se via nas ruas, institutos de pesquisas disparavam números equivocados e tentavam, a todo custo, antecipar o cenário de que Bolsonaro perderia para todos os principais candidatos em um segundo turno.

Há um mês das eleições aconteceu o imprevisto: uma facada mudou o curso da história e impulsionou o nanico PSL e seus candidatos para a vitória na esteira do fenômeno Bolsonaro.

A imprensa ainda não se convencera desse novo tempo e capitaneada pelos líderes de audiência tentou emplacar em segundo turno a continuidade da esquerda no poder, vez que Bolsonaro já anunciava tempos difíceis para quem se acostumara às gordas verbas publicitárias.

Passado um ano das escaramuças, os gigantes das comunicações lutam contra as quedas financeiras, agravadas pela audiência que também entrou em declínio e vem afugentado verbas privadas.

Até 2018, a Globo encontrava-se isolada na liderança, Record e SBT se revezavam em segundo lugar. Em 2017, por exemplo, a Globo faturou R$ 6,9 milhões no primeiro trimestre. Em segundo lugar ficou o SBT, com R$ 1,34 milhão. Em terceiro, ficou a Record com R$ 1,21 milhão.

Em 2018, o padrão se manteve. A Globo faturou R$ 5,93 milhões nos três primeiros meses do ano. Em segundo lugar ficou a Record, com R$ 1,308 milhão. Em terceiro ficou o SBT com R$ 1,1 milhão.

Em 2019, o padrão mudou. Em primeiro lugar ficou a Record, com R$ 10,3 milhões, em segundo, o SBT, com R$ 7,3 milhões e em terceiro a Globo, com R$ 7,07 milhões.

O leitor incauto pode pensar que o governo Bolsonaro triplicou a verba em relação a 2018, mas é preciso observar que mais de 60% desses valores foram pagamentos de contratos feitos no governo Temer. Já foi anunciado que para todo o ano de 2019 serão investidos apenas 150 milhões de reais contra os 685 milhões de 2018.

Diante do quadro exposto, o que observamos são as constantes mudanças nas programações em busca de audiência, nos casos de rádio e TV, mudanças de controle acionário em algumas publicações e direcionamento maciço para portais na web dos próprios veículos, na tentativa de aumentar a participação no bolo destinado a internet.

Enquanto os mestres da administração e do marketing trabalham pela sobrevivência dos grandes, nós os pobres leitores, sofremos com a baixa qualidade editorial proporcionada por um jornalismo tendencioso, vil e a serviço de pequenos grupos em detrimento de toda uma nação.

O maior perigo dessa nova tendência está no perigoso instrumento que classifica as prioridades quando se pesquisa algo na internet.

Denominado “PageRank”, o poderoso algoritmo de classificação do Google prioriza o número de cliques em uma determinada publicação, assim quanto mais cliques, mais destacada será a postagem, independente de qualquer valor científico, verdadeiro, ou de interesse público. Aí sim, estaremos à mercê da atuação de robôs, mas isto é assunto para outra matéria.

 

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