“Compara-se muitas vezes a crueldade do homem à das feras, mas isso é injuriar estas últimas.”

Apesar de Dostoievski explorar a autodestruição e a humilhação, ele foi capaz de influenciar grandes nomes como Marcel Proust, Herman Hesse e até Franz Kafka, cuja obra repleta de temas e arquétipos de alienação e brutalidade física e psicológica, escreveu:

“Compara-se muitas vezes a crueldade do homem à das feras, mas isso é injuriar estas últimas.”

Diante de tanta barbárie, acentuada por imagens que chocam o mais cético dos mortais, tamanha ignomínia corrobora o dito.

Impossível aceitar que a mesma conjunção capaz de nos trazer à vida desperte instintos de selvageria, covardia sem limites e tortura compulsiva.

Apesar de muitos se assemelharem ao capitão do exército de Joana D’Arc, Gilles de Rais, considerado o precursor dos “Serial killers” pois matou mais de duzentos jovens entre seis e dezoito anos, pelo prazer de cortar-lhes a jugular e banhar-se no sangue, nada justifica a ausência do estado incapaz de manter a lei e a ordem.

Com a modernidade das mídias sociais, quaisquer rebeliões descortinam cenas cruéis e a bestialidade da raça humana. Não foi diferente nesta segunda-feira no presídio de Altamira no Pará.

Ainda ontem abordava aqui neste espaço a caótica situação carcerária em nosso país e pedia urgência na apresentação e votação da reforma judiciária. Até quando teremos que conviver com essa carnificina?

Marginais se degladiam e cortam cabeças tendo autoridades como plateia e agora, além do banho de sangue, convivemos com a brutal exposição na rede mundial.

A dor de famílias dilaceradas já não comove e tende a se justificar pela morte de indivíduos à margem da lei e da ordem. Isto dói na alma e não dá para ficar impassível diante de tanta degradação.

Pobre Brasil, parafraseando “Dom Luiz Inácio”, nunca antes na história desse país, tanta exposição depreciativa, intrigas, mentiras e insensibilidade foram usadas para dividir nosso povo.

Além da batalha ideológica, convivemos diariamente com a criminalidade e a violência desafiando a ordem e a justiça.

Precisamos todos, governo e cidadãos, estancar a permissividade e impunidade, que grassam desde os mais altos aos mais humildes obreiros da nação.

Encerro lembrando Edmund Burke, advogado e filósofo Irlandês do século XVII:  “Para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados.”

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