O fio da navalha e a arte do equilíbrio-Bolsonaro começa a fazer gols contra

O equilíbrio é uma arte dificílima de se exercer. Sofre influências de todos os lados, materiais e psicológicas.

Observar o comportamento alheio também pode ser contaminado por vários cenários que envolvem o observador. Quando analisamos e avaliamos as decisões do governo, buscamos em nossa memória tudo que diz respeito ao nosso ponto de vista das consequências, sejam elas boas ou más.

Por outro lado, o governo toma decisões norteado por parâmetros que envolvem todo um planejamento de governança e compliance, gostemos ou não.

Existe uma linha muito tênue que separa a ação política da intervenção necessária e esse é o grande drama vivenciado por governantes eleitos democraticamente.

Vejamos alguns exemplos recentes:

  1. PORTE DE ARMAS – o governo pensa em dar o direito de defesa a quem estiver preparado e quiser exerce-lo, já o cidadão se divide entre aqueles que concordam e querem esse direito e os que não concordam e desejam a proibição. A decisão depende de ideologia, educação, convicções, todos sentimentos individuais e que devem ser respeitados. O que fazer? Já foi decidido em referendo de 2005 e a maioria, 64%, rejeitou a posse. Eu não concordei, votei e perdi. Resta-me aceitar o resultado da maioria, isto é democracia.
  1. CONTINGENCIAMENTO DE VERBAS – sempre foi utilizado por governos de esquerda, centro ou direita e é uma ferramenta de controle de gastos para se adequar ao orçamento, mas acaba se transformando em uma batalha política, novamente devido a percepções e atitudes individualistas. Melhor diminuir o investimento do que inviabilizar a instituição é como pensa o governo. A instituição se sente injustiçada, reprimida e retalhada. Pessoalmente acho um absurdo deixar de oferecer cursos de filosofia, sociologia ou ciências políticas nas universidades públicas. A título de comparação, deveria ser como na nossa casa, quando precisamos diminuir nossos custos, desligamos alguns aparelhos domésticos, regulamos chuveiros, diminuímos iluminação, mas não entramos em colapso. Diminuir não significa cortar é o que penso, mas respeito se a maioria decide pelo contrário. Acredito que foi uma declaração infeliz do presidente Bolsonaro, desinformação e não estupidez.
  1. FILHO EMBAIXADOR – Alguns tentam justificar por proximidade, confiança, oportunidade e até por pedido do presidente americano. Alegam que o Itamarati está contaminado por esquerdistas, que não é preciso ter passado pelo instituto Rio Branco para ser o chefe da embaixada e coisas do gênero. Fato é, que Eduardo Bolsonaro, eleito com quase dois milhões de votos como deputado por São Paulo, pretende deixar um mandato de quatro anos com apenas seis meses no cargo. Muitos concordam, mas acredito ser mais uma bola fora, canelada ou gol contra do presidente. Decisão impropria na hora errada. Corre o risco de ter a nomeação rejeitada pelo senado e para evitar isso vai ter que “negociar”, liberar mais emendas, ou seja, fazer mais daquilo que prometeu não fazer. Age assim, mas reclama que Dória não esquenta assento em São Paulo.

Como podem ver, faltam critérios e orientações coerentes no governo Bolsonaro, mas é preciso lembrar que ele foi eleito pela maioria e é o presidente de todos.

Um balanço realista mostra mais acertos do que erros até agora e espero que continue assim.

Lula livre, Bozo, nazista, homofóbico e outros termos chulos podem valer como manifestações de repúdio para quem perdeu a eleição, mas é preciso respeitar a vontade da maioria e, acima de tudo, a legislação vigente. Crime não pode e não deve ser confundido com manifestação política.

“Respeitar as opiniões do outro,em qualquer aspecto e situação,é uma das maiores virtudes que um ser humano poder ter.

As pessoas são diferentes,agem diferente pensam diferente.

Nunca julgue apenas compreenda!”

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