Skip to main content
 -
Evaristo Magalhães é Doutor em Psicanálise pela UFMG, Psicanalista Clínico e possui dois livros publicados: Crônicas para amar e A vida dói?

Não existe abstinência sexual …

 

Somos guiados pelo princípio do prazer e pelo princípio da realidade. 

Ingenuamente, algumas pessoas acreditam que é possível sobrepor a realidade ao prazer. Não é. É óbvio que algo da realidade toca o prazer. No entanto, algo do prazer sempre escapa à realidade. Caso contrário, seríamos todos autômatos. 

Não existe abstinência sexual. Não existe recalque para o sexo. Não existe pessoas assexuadas, frigidas ou celibatárias. Isso é mito! 

Existe – sim – pessoas que têm pavor de fazer sexo. Essas pessoas não fazem sexo na prática: não se masturbam e nem transam. Isso não quer dizer que elas não façam sexo. 

Não existe a menor possibilidade de qualquer ser humano não fazer sexo. Podemos até passar a vida sem transar. Contudo, o sexo que não fazemos literalmente, não significa que não o faremos de outros modos. 

Freud tentou de todas as formas encontrar meios para lidar com esse sexo que sobra do controle civilizatório. Ele blefou. 

Portanto, todo o orgasmo que não temos com nossos amantes, nós o invertemos. O que deveria sair como prazer, sai como dor, doença, frustração, amargura, inveja, medo, horror e perseguição às pessoas que querem viver suas sexualidades com mais liberdade. 

É uma ilusão essa bobagem de abstinência sexual. Pior é quando levamos essa história às últimas consequências: vide a quantidade de pastores pedófilos e abusadores sexuais de suas irmãzinhas de igreja. 

Evaristo Magalhães – Psicanalista

One thought to “Não existe abstinência sexual …”

  1. Dr. Evaristo, gostaria de parabenizá-lo pela sensatez do artigo!

    O senhor disse tudo! O ser humano é um ser sexual, até os celibatários exercem sua sexualidade.

    Querer impor abstinência só causa transtornos graves.

    Falo por experiência própria, por ter crescido em um ambiente onde a sexualidade sempre foi tratada como algo de menor importância, a ser reprimido, combatido e inclusive, tida como pecado.

    Graças a Deus tenho conseguido aos poucos superar as barreiras que me foram impostas e se Deus quiser, se um dia tiver filhos, pretendo ensiná-los de que a sexualidade é um fator essencial da humanidade e que não é errado vivenciá-la de forma responsável, com consentimento entre os pares e mútuo respeito.

    Não quero que sofram o mesmo que sofri.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *