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Evaristo Magalhães é Doutor em Psicanálise pela UFMG, Psicanalista Clínico e possui dois livros publicados: Crônicas para amar e A vida dói?

Por que tenho compulsão pelas artes?

 

Sempre nos definimos pelo que temos de melhor. Ninguém quer se mostrar feio, limitado intelectualmente ou desprovido de alguma riqueza material. 

No entanto, nenhuma beleza é completa, ninguém possui a verdade e tudo o que somos ficará para trás. Portanto, somos, também, o pior. 

Deprimimos porque não nos admitimos finitos. 

Mas, não seria bizarro demais alguém se definir por suas feiúras? Sim. 

É por isso que precisamos encontrar um modo de trazer o que não somos para o que somos. Caso contrário, corremos o risco de passar a vida inteira lutando contra o que é inelutável. 

Como podemos fazer isso? Como podemos contrabalancear o que temos de melhor com o que temos de pior? Pela poesia e pelas artes. 

Gosto dos artistas porque dão conta de integrar – na forma de versos, teatros, pinturas e melodias – alguma beleza ao que tanto tememos.

Nas artes, o pior não é negado como nas ciências e nas religiões. Muito pelo contrário, toda a beleza das cores, dos gestos e dos sons estão integrados ao que mais me desespera em mim. É por isso que, pelas artes, posso me ver sem entrar em pânico comigo. 

Deve ser por isso que os artistas são tão perseguidos. Eles têm o incrível poder de mostrar a verdade sem que ninguém precise de se entupir de antidepressivos para suportá-la. 

Viva a arte! Viva os artistas! 

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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