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Evaristo Magalhães é Doutor em Psicanálise pela UFMG, Psicanalista Clínico e possui dois livros publicados: Crônicas para amar e A vida dói?

Desculpa, mas eu desisto do Brasil …

Creio que ninguém duvida da farsa montada para prender o presidente Lula. No entanto, nada acontece. Por que? Penso que a questão não é mais da ordem da legalidade ou da ilegalidade. 

Creio que nada seria feito mesmo se o juiz Sérgio Moro assumisse publicamente toda a sua parcialidade nesse caso.

A questão não é mais da ordem do justo ou do injusto. A questão é de amor ou ódio. O Brasil mostrou ser um país completamente fascista. 

Lula não está preso porque cometeu qualquer crime. Está preso porque veio da pobreza nordestina, combateu a fome, promoveu a igualdade de condições e colocou o Brasil em evidência pelo viés de negros, indígenas e miseráveis. 

Somos um país fascista porque ainda culpamos nossas mulheres e LGBTs mesmo depois de terem sido assassinados. 

É o ódio que impera nesse país quando a maioria defende a meritocracia para uma massa que sequer sabe o que é comer dignamente, com uma educação de péssima qualidade, sem saúde, habitação e transporte. 

Nossas instituições são fascistas quando compactuam com essa farsa e com esse desgoverno que atua com seu ódio retirando direitos, políticas públicas, arte e cultura. 

O fato é que não fomos capazes de superar nosso passado colonial de violência contra aqueles menos capazes de – sequer – se defenderem. 

Mesmo com toda a beleza da literatura, da música e das artes que demos conta de inventar, descobrimos dentre nossos próprios familiares pessoas ditas do bem e homofóbicas, racistas e defendendo que pobre é pobre porque é bandido ou preguiçoso. 

Fomos iludidos da nossa civilidade.  

Na verdade, somos um povo vencido pelo princípio da agressividade. Fizemos do mal-estar nossa regra – e sem culpa. 

Somos um país que ora e reza, porém cada um por si. Achamos que nossa salvação depende exclusivamente da fé que externalizamos. 

Creio que se Cristo retornasse repetiríamos tudo e comemoraríamos como quando aplaudimos a morte de um homem-negro atingido por oitenta tiros. 

Fazemos tudo parecer bonito em nossos mundinhos para não precisarmos nos ocupar do que está acontecendo fora dele. Até que este fora adentre em nós. Daí, perdemos estranhamente a memória e só gritamos para salvar a nossa própria pele.

Desculpa, mas eu desisto do Brasil!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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