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Evaristo Magalhães é Doutor em Psicanálise pela UFMG, Psicanalista Clínico e possui dois livros publicados: Crônicas para amar e A vida dói?

Bolsonaro não vai me enlouquecer…

 

Quem não quer mudar essa situação patética que virou esse país?

Para tanto, ocupamos as ruas, replicamos textos e memes nas redes sociais e debatemos com familiares, amigos, conhecidos e desconhecidos.

No entanto, enquanto parece que nada acontece, não podemos adoecer. 

Como não adoecer? Precisamos fazer com que o microcosmo compense o macrocosmo. Ou seja, na frustração do macro, gozemos do micro. 

Nada pior que a sensação de se sentir um estranho em seu próprio país. Ou seja, de não se vê refletido no todo – especialmente quando o que você quer é um todo mais justo e melhor.

Neste contexto, precisamos usar do menor para nos fortalecer para o maior. Precisamos usufruir do particular para o enfrentamento do universal. 

O entorno está bizarro. No entanto, ele ainda não tomou nossos livros, não adentrou nossas casas, nosso trabalho, nossas mesas de bar, nossas idas ao cinema e ao teatro. 

Não podemos ficar só lá. É lá e cá. 

Nesse momento, só o particular pode nos salvar. É hora de namorar gostoso, preparar comidinhas saborosas, encontrar os amigos, cantar as músicas que a gente gosta, visitar museus e exposições de artes, fazer uma atividade física, usufruir mais de si, de suas vontades e desejos, de seu sexo, gostos, cheiros e tatos. 

É tanta pataquada que não estamos conseguindo desvencilhar. Talvez, seja exatamente essa a estratégia: nos enfraquecer e nos deprimir. 

Quando o macro quer nos apagar, só nos resta o micro como visibilidade. 

Estão tentando nos cegar para não nos enxergarmos em ninguém. Isto é enlouquecedor!

Portanto, não podemos soltar nossas mãos nas ruas, nos bares, nos quartos, nos cinemas e nos teatros. Enfim, em qualquer lugar que saiamos mais confiantes que entramos. 

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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