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Evaristo Magalhães é Doutor em Psicanálise pela UFMG, Psicanalista Clínico e possui dois livros publicados: Crônicas para amar e A vida dói?

Por que o Brasil está no CTI?

 

O pai não foi capaz de controlar a sua prole: não havia pai suficiente para vigiar todos os filhos.

Na ausência do olhar paterno, os filhos descobriram a perversão.

Para conter a perversão foi necessário criar um pai espiritual, onisciente e onipresente: um deus-pai.

Ocorre que ficou inevitável não perguntar pela origem desse deus-pai do céu. Não houve resposta. Ele não podia ter sido criado, pois uma vez criado, ele se perderia em uma lógica – sem fim – de quem criou quem. 

Foi preciso instituir um deus-pai do tipo: sou o que sou. Ou seja, um deus-pai criador de si mesmo. Como alguém pode se dar à própria origem? Como alguém pode nascer de si mesmo? Isto não fazia o menor sentido. Morre deus.

Sem o pai físico e sem o pai espiritual, como fazer para conter a perversão? Tudo passou a ser permitido? Não. Qual é o critério? O mal.

Entra em jogo a filosofia. O indivíduo conquistou sua liberdade com a condição de que esse direito fosse estendido aos demais. O indivíduo podia fazer o que quisesse  com a condição de que agisse sem colocar em risco o direito do outro de – também – agir livremente.

Agir com violência era dar ao violentado o direito de pagar com a mesma moeda: retornaríamos à barbárie.

Isto impediu a perversão? Não. Muitos passaram a ser violentos – sem serem violentados – porque se blindaram com a força do poder. Tomaram  a lei para si.

Agora – e acima do bem e do mal – estão ilesos de responder por seus atos.

Esses senhores se sustentam na violência como um direito. O poder ganhou a prerrogativa da perversão.

Não há mais o poder do poder: ele personificou-se. Estamos a um passo da barbárie.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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