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Evaristo Magalhães é Doutor em Psicanálise pela UFMG, Psicanalista Clínico e possui dois livros publicados: Crônicas para amar e A vida dói?

Ninguém morre – para o Jornalista Paulo Henrique Amorim …

 

Nada é mais generoso que morrer. Quem parte deixa tudo. A morte é a maior das entregas.
Na verdade, ninguém morre. Ninguém parte sem deixar algo. Todos que vão – de alguma maneira – ficam também. A herança humana é o que conforta a perda.
A morte é apenas um corpo que vai. As atitudes ficam. As escolhas permanecem. As concessões também. Fora a dedicação e o amor que jamais serão esquecidos. Isso vale mais que tudo.
O valor de uma pessoa não está na qualidade de sua formação intelectual e nem na quantidade de riqueza que acumulou. Não tem preço uma vida bem conduzida. Precisamos focar na bonita trajetória de amizade, simpatia e generosidade de quem partiu. Precisamos eternizar a dedicação e a sensibilidade daqueles que não estão mais entre nós para promover o bem e a união entre todos. Precisamos lembrar sempre da capacidade – de quem passou por aqui – de manter acesa a esperança em um mundo mais justo e mais solidário.
Não se trata de uma vida interrompida. Trata-se de uma vida construída de forma vitoriosa. Ninguém que vai deixa um vazio. Todo mundo que parte deixa tudo de si para os que ficam.
Neste mundo individualista – em pouco tempo – não mais choraremos nossos mortos. Se não há o que ser lembrado, também não há motivo para a tristeza.
O melhor remédio para a dor da perda é o reconhecimento da importância dos que se foram para a vida dos seus e para a vida do mundo. É a única maneira de mantê-los de alguma maneira ainda vivos.
Vai o corpo e fica a alma. Louvemos a partir de agora a memória dos que se foram. Façamos homenagens e falemos deles para o mundo.
Deve ser um alento para quem morre saber que deixou um legado de atitudes, ideias, sentimentos e crenças para as gerações posteriores.
Aos mortos, cabem a nossa reverência. Que bom que temos o que lembrar, o que dizer e o que apontar daqueles que nos deixaram.
É em função dos que se foram que a vida pode seguir melhor. A vida é um ciclo e precisamos dar continuidade. Precisamos testemunhar a lembrança. Se assim não for, não há porque viver.
Podemos e devemos assegurar aos que ficam, que os que se foram, de alguma maneira continuarão para sempre conosco!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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