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Evaristo Magalhães é Doutor em Psicanálise pela UFMG, Psicanalista Clínico e possui dois livros publicados: Crônicas para amar e A vida dói?

O que Freud teria a dizer sobre o juiz Sérgio Moro?

 

Freud, em Totem e Tabu, dizia de um pai que tudo podia – inclusive contra os próprios filhos. 

Diante de tamanha violência, os filhos decidem matar o próprio pai. Uma vez morto, nenhum dos filhos quis ocupar o lugar paterno – sob o medo de serem assassinados também. Os filhos, então, optam pela criação de uma lei impedindo e punindo atos de abuso e de violência. 

Em seguida, constroem um Totem, simbolizando o grande-pai, que passa a ser cultuado como aquele que um dia poderão vir a ser. 

O juiz Sérgio Moro ocupa, neste momento, o lugar do filho que se submete à lei ou o lugar do pai que goza da lei?

Creio que ele ocupa a segunda posição. 

Se assim for, isto é muito grave. 

Nesta alegoria, inventada por Freud, podemos identificar, ao menos, duas estruturas de personalidade: a neurótica e a sociopática. 

Os filhos, ao aceitarem a lei, tornaram-se neuróticos porque passaram a viver de um desejo que jamais poderiam colocar em prática. A neurose fica entre o desejo e a culpa pelo desejo. 

O sociopata não se submete à lei. Ele é a lei. Ele tudo pode. Ou seja, ninguém o contém. Para tanto, mente, nega, dissimula e cria conchavos para fazer valer sua vontade sobre a lei que, em tese, seria resultado da vontade da maioria. 

Seria Sérgio Moro um sociopata? Em princípio, sim. Por que, então, nós, os seus subordinados, não nos rebelamos contra ele? Teríamos que ser a maioria. Mas, não somos. E por que a maioria não se rebela contra seus desmandos? Porque esta maioria deve ser tão socipática quanto ele. 

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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