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Evaristo Magalhães é Doutor em Psicanálise pela UFMG, Psicanalista Clínico e possui dois livros publicados: Crônicas para amar e A vida dói?

Muito cuidado ao cuidar de alguém …

 

Devemos ajudar – sim – os portadores em suas necessidades especiais, os adoentados e os ignorantes. Isto, no que diz respeito às suas necessidades de natureza física. Não temos poder para resolver as questões emocionais de ninguém.

A emoção é de cada um. A dor é de cada um.

Nada de comoção com as angústias alheias. Há um universo de individualidades – por exemplo – por detrás das depressões.

Sequer sabemos descrever com clareza o que sentimos: sofremos desta impotência.

Há aspectos do nosso viver que nada e nem ninguém pode nos aplacar. Vamos, por exemplo, envelhecer e morrer. Perderemos coisas. Perderemos pessoas. Quantos não entram pânico por isso?! Quantos não enlouquecem?! Quantos não se deprimem?

Se observarmos atentamente, veremos que nossas mudanças repentinas de humor estão – de algum modo – relacionadas com nossas questões mais insolúveis.

Não tome a dor de viver do outro como sendo sua. Ninguém tem a solução definitiva para nossas questões existenciais. De onde viemos e para onde vamos, são questionamentos que nos acompanharão enquanto estivermos por aqui.

A vida nos oferece inumeráveis caminhos para lidarmos com isto que é nosso e que ninguém sabe de que se trata. É neste infinito de possibilidades que cada um vai tecendo a sua própria trajetória. Não adianta descrever. Não adianta explicar. Não adianta impor. O máximo que podemos fazer é acompanhar o outro em suas saídas – sempre capengas.

Contudo, não podemos fazer por ninguém. Também, não podemos sofrer pelo outro. Muito menos culpar-nos. A dor é de cada um – e os riscos também. Cada um assume os seus. É assim a vida.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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