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Evaristo Magalhães é Doutor em Psicanálise pela UFMG, Psicanalista Clínico e possui dois livros publicados: Crônicas para amar e A vida dói?

Sobre pessoas amargas …

 

Vivemos pensando quase o tempo todo. Isto nos traz muita angústia e muito sofrimento.
É fato que o que nos espera pode não ser o que gostaríamos. Há doenças que podemos vir a ter, pessoas e bens que podemos perder. Não obstante, tudo isto pertence ao campo do improvável.
Mesmo assim, há quem contamine o seu presente, que poderia ser bom e não é, porque não consegue parar de pensar o pior.
Nosso pensamento tem o incrível poder de nos trazer o que é do futuro para o nosso agora.
Isto explica aquelas pessoas que nunca estão felizes, que estão o tempo todo ansiosas, angustiadas, queixosas e amargas.
São pessoas que não conseguem separar o hoje do amanhã.
Essas pessoas não sabem lidar com as incertezas. Não se contentam em deixar o tempo seguir seu curso normal. Não sabem aproveitar do fato de que agora está tudo bem.
Um exemplo: todas as noites quase todo mundo vai para seus quartos. Todos deveriam regozijar do frescor noturno, do silêncio, da cama confortável, do travesseiro e de seus edredons macios. No entanto, não é o que acontece. Muitos não dão conta de usufruirem de seus momentos de descanso porque trazem – via pensamento – coisas para o agora e que são de depois.
Acordam no dia seguinte e continuam suas via sacras. Não conseguem aproveitar o café da manhã. A sós estão tensas. Ao encontrarem alguém despejam toda a carga negativa que carregam em outrem.
O pensamento não deveria ser usado para o improvável.
Quase sempre o problema não é a comida que reclamamos e não é a festa que está chata. Quase sempre a culpa não é do outro quando a conversa descamba para a agressão. A culpa pode ser minha. Eu é que posso não estar sabendo conduzir bem minha vida. Eu é que posso estar trazendo para o meu agora coisas que não são dele.
Precisamos nos livrar desse pensamento paranóico que pode não acontecer.
Pensar deveria servir só para o que temos e somos – e nunca para o que nos é improvável de vir a ser.
É óbvio que poderemos adoecer, sofrer, perder quem amamos e o que levamos muito tempo e muito esforço para conquistar. Poderemos! Ainda não é. Enquanto não é, vamos aproveitar o que é. Vamos usufruir da nossa saúde, das pessoas e de tudo que temos e somos.
Não faz sentido pensar sobre o que não estamos certos. Faz sentido pensar e aproveitar o que podemos agora. Por que não o fazemos – uma vez que isto só depende de nós mesmos?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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