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Evaristo Magalhães é Doutor em Psicanálise pela UFMG, Psicanalista Clínico e possui dois livros publicados: Crônicas para amar e A vida dói?

Larga seu smartphone e vem pra rua, por favor!

 

Freud dizia do aspecto econômico do aparelho psíquico. O aparelho alivia sempre que suas tensões são descarregadas.

Para Freud, nossa qualidade de vida depende do modo como fazemos nossos investimentos emotivos.

Ninguém mais duvida da relação entre atividade física e relaxamento das tensões. Não há quem não se sinta melhor tendo uma praia como uma forma de alívio de suas crises de ansiedade.

Estamos angustiados e muito ansiosos. Tenho visto amigos falando em pensamentos suicidas.

O Brasil está caminhando para o caos absoluto. À cada dia é uma notícia bombástica. Estamos perdendo nossos direitos. Nossa liberdade está sendo posta em risco. A inflação aumenta. O dólar sobe. O desemprego cresce. O governo é bizarro.

No entanto, de que modo estamos extravasando nossas angústias e ansiedades políticas? Nas redes sociais. Este é o melhor caminho? Não. Este é um dos caminhos.

Não adianta só falar, escrever, desabafar, esbravejar e esganiçar diante da tela de um smartphone. É preciso agir. É preciso atuar com as palavras. É preciso fazer. É preciso saber-fazer. É preciso ocupar as ruas novamente.

Não é em nossas timelines que mudaremos o mundo. É preciso criar fatos. É preciso amedrontar, mostrar força, incomodar e barrar este desgoverno.

Não há melhor antídoto que a massa em luta para amenizar nossas angústias e ansiedades e fazer ressurgir a utopia de país mais justo para todos.

Penso que estamos hipnotizados e achando que vamos resolver nossos dilemas replicando – incessantemente – coisas daqui e de lá e coisas sobre isto e aquilo das basbaquices desse desgoverno.

Penso que o poder está é gostando dessa nossa briguinha virtual com ele. Às vezes acho que ele até – estrategicamente – nos alimenta disso. E nós – ingenuamente – estamos respondendo ao seu convite.

Está mais que na hora de sairmos da frente dos nossos smartphones e pararmos este país. Temos que deixar de ficar deslizando a ponta do dedo em nossas telinhas e usar nossos dedos, mãos, braços, pernas, ideais e voz de outras formas.

Ou paramos este país – para ontem – ou seremos – literalmente – devorados por este desgoverno com nossos smartphones e tudo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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