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Evaristo Magalhães é Doutor em Psicanálise pela UFMG, Psicanalista Clínico e possui dois livros publicados: Crônicas para amar e A vida dói?

Sobre a tragédia de Suzano …

 

Duas fontes nos causam angústia: uma que a angústia vem de dentro para fora e outra que a angústia vem de fora para dentro.
A fonte de angústia que vem de dentro da para fora, está relacionada com o fato de não sabermos de onde viemos e nem para onde vamos. Está relacionada – também – com o fato de que perderemos pessoas queridas, perderemos nosso vigor físico e de que teremos que partir daqui um dia.
A fonte de angústia que vem de fora para dentro, está relacionada com as nossas questões sociais. Tememos o desemprego, a fome, a miséria, a violência e a falta de perspectivas no futuro.
Para lidarmos com estas duas fontes de angústia precisamos agir.
Invadir uma escola e sair atirando em todo mundo, não deixa de ser um tipo de ação.
É óbvio que a psicanálise condena toda qualquer forma de violência banal.
Há outras ações – e com grau zero de violência – muito mais eficazes no combate das nossas angústias existenciais e sociais.
O acesso às artes é, sem dúvida nenhuma, o melhor antídoto para a nossa primeira fonte de angústia. No palco, nas telas e nos versos, nossos artistas nos fazem ver o que, se tivéssemos que enfrentar no mundo real, não resistiríamos.
A arte é de fundamental importância para nos dar alguma intimidade com nossos temores existenciais. Sem a presença dos artistas em nossas vidas, certamente, enlouqueceríamos.
Para a nossa segunda fonte de sofrimento psíquico, ninguém questiona a importância da educação e o exercício da democracia. Em uma sociedade desigual como a nossa, mais do que nunca, precisamos abrir o debate no sentido de fazer com que encontremos um jeito de viver que seja o melhor para todo mundo.
Em um país onde o seu presidente detona com os artistas, com a educação e com os professores, certamente, tragédias como esta se tornarão fatos cada vez mais cotidianos.
Infelizmente, nosso país perdeu o pouco do rumo que tinha. Agora, estamos, completamente, à deriva.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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