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Evaristo Magalhães é Doutor em Psicanálise pela UFMG, Psicanalista Clínico e possui dois livros publicados: Crônicas para amar e A vida dói?

SOBRE MASTURBAR …

Não existe melhor prazer que o de se tocar. Não existe melhor prazer que se dar prazer no órgão genital. Freud dividiu o prazer em primário e secundário. O prazer pessoal e o social. Óbvio que ele considerava o segundo mais importante que o primeiro. Masturbar era um tipo de neurose narcísica. Freud achava que o prazer pessoal podia ser sublimado. Pura balela! O prazer social serve para reprimir o prazer pessoal: são prazeres distintos. Freud fez-nos sentir culpa por tocar-nos. Podemos e devemos viver o nosso próprio orgasmo. É prazeroso dançar, comer, correr e rir. Porém, nada comparado ao prazer de excitar-se. Nada comparado ao tesão de viver o próprio desejo. Nada melhor que poder dirigir a forma, a hora e o lugar de gozar consigo mesmo. Podemos viver em sociedade e  gozar. Masturbar é sinal de amor próprio. São dois prazeres – sem sobreposição. Estamos mais libertos para o sexo. Masturbar não é crime. Sentir a si não é pecado. Gozar do corpo próprio não vicia. Tocar-se não é doença. Masturbar não faz crescer os mamilos e nem cabelo nas mãos. Nestes tempos de muito stress, masturbar, virou condição de possibilidade para uma vida menos frustrada. Que mal há em sentir a nós mesmos? Fora que é seguro e gratuito e ainda pode ser feito em qualquer lugar – basta que seja privado e seguro. Melhor ainda porque não necessita do consentimento de ninguém. Masturbar é um prazer que diz respeito somente a mim. Trata-se de um momento genuinamente meu. Nunca sou tão eu quando me masturbo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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