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Evaristo Magalhães é Doutor em Psicanálise pela UFMG, Psicanalista Clínico e possui dois livros publicados: Crônicas para amar e A vida dói?

Sobre a ARROGÂNCIA e a MORTE….

Nunca é demais repetir que é certo que vamos morrer. Antes de morrer esperamos envelhecer. Perderemos nosso vigor físico. Pessoas queridas se despedirão. O sistema nos explora vendendo a falsa felicidade pelo dinheiro e pela fama. A estética nos engaloba com a promessa da eterna juventude. Quantos não rezam está cartilha?! Quantos não vivem para acumular coisas como se em algum momento não tivessem que deixar tudo para trás. Nosso mundo abomina a discrição. Vivemos do exagero. Queremos provar o tempo que somos o máximo. Estamos desesperados por visibilidade. Simulamos a vida para negar a morte – quando nada é mais seguro que morrer. E tem mais: a morte está para mim, para você, para o idoso, para o rico, para o pobre, para a celebridade, para o bebê, para o feio, para o bonito, para o cristão, para o judeu, para o mulçumano, para o hétero e para o homossexual. A morte não tem hora, não tem idade, não tem sexo, não tem classe social e não tem opção política. A morte independe de qualquer coisa. Ninguém está a salvo. Nossa sociedade propala a ostentação. As pessoas querem SER a qualquer custo. O medo de morrer se tornou o sintoma do nosso tempo. Todo mundo quer ter o melhor quando não existe o melhor. Em certas situações  o pior pode estar numa condição melhor que o dito melhor. Podemos precisar de quem excluímos. Não sabemos o que nos espera. De repente o destino chega e não podemos fazer absolutamente nada. Podemos apenas nos recolher à nossa insignificância. Falta às pessoas consciência dos próprios limites. Somos mortais. Estamos expostos. Não podemos esquecer da nossa humanidade. Lucidez não é defeito. É preciso cuidado com a arrogância e a soberba. O final é o mesmo para todos. O arrogante ignora a verdade. O presunçoso não duvida de si mesmo. Nunca devemos esquecer de nossas impotências. Mais vale uma tristeza humilde que uma falsa alegria. O vaidoso foge da verdade. Precisamos de docilidade para suportar as certezas. O homem humilde é ateu de suas vaidades. A sinceridade desiludida é uma lição contínua de modéstia. A humildade é esse esforço pelo qual o EU tenta se libertar das ilusões que tem sobre si. Temos que começar desde já a roer o osso do que nos espera. Temos que ir de encontro ao nosso tudo de amanhã. Temos de ficar a sós e nus perante a nós mesmos. Temos que enfrentar sem máscaras a verdade da nossa condição. Não há depois. O agora – em certa medida – já é o amanhã.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

54 thoughts to “Sobre a ARROGÂNCIA e a MORTE….”

  1. Muito bom artigo, Evaristo. Exatamente, tudo a ver com Heidegger e nossa angústia sobre o tempo, que é na verdade nossa angústia vida e morte. E você vem nos dizer deste sintoma que é a negação. Obrigada.

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