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Dra. Bruna Andrade, Advogada, Empreendedora, Palestrante e Escritora! Mestre em Proteção dos Direitos Fundamentais, Especialista em Direito Homoafetivo e de Gênero. Co-fundadora e C.E.O. da startup Bicha da Justiça.

Semana da Visibilidade Trans: como surgiu e tudo sobre a data

No dia 29 de janeiro do ano de 2004, 27 travestis, mulheres e homens transgêneros entraram no Congresso Nacional em Brasília para lançar a campanha “Travesti e Respeito”… Do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais. Desde então, a luta por respeito e humanização às pessoas dessa comunidade se tornou necessária. E, assim, contínua aqui no Brasil. A campanha foi importante por demarcar questões sobre o desrespeito e invisibilidade às pessoas trans, sendo um evento pioneiro. Por ser o primeiro feito pela própria população LGBTI+. E assim surgiu a Semana da Visibilidade Trans.

Sendo o Brasil o país que mais mata pessoas trans, de acordo com a ONG Transgender Europe (TGEu). A luta contra a transfobia se torna algo imprescindível para combater violações de direitos. Sendo extremamente necessária e tendo em vista a urgência de se debater a questão da violência em locais públicos, principalmente. Nos últimos 8 anos, o Brasil foi o país que mais assassinou pessoas trans – recapitulando ao menos 868 casos. Isso o deixa disparado no ranking de países com mais registros de homicídios de pessoas transgênero, ainda segundo levantamento da TGEu.

A importância do evento teve impactos profundos no Brasil. A Parada Gay de São Paulo é hoje considerada a maior do mundo. Recebe apoios e patrocínios importantes, além de shows com artistas nacionais e simpatizantes do movimento. Como forma de elucidar a necessidade do respeito às diferenças. É fato que transgêneros, tanto masculinos quanto femininos, sofrem com a invisibilidade social… Com faltas de oportunidades profissionais, expulsão domiciliar pela intolerância de familiares, preconceito agressivo ou velado em locais públicos. Entre outras dificuldades de inclusão social.

Falta de inclusão social

Algumas mulheres trans, principalmente, cedem à prostituição para se sustentar – por não ter apoio familiar ou oportunidades de emprego. Os homens trans também costumam ser “invisíveis” no mercado de trabalho. Todos esses fatores circunstanciais contribuem para uma expectativa de vida baixa. Ou seja, grande parte dessa população não passa dos 35 anos – metade da expectativa de uma pessoa cisgênero.

Nesta terça-feira (29), o Google homenageou Brenda Lee para comemorar a Semana da Visibilidade Trans. Brenda fundou o ‘Palácio das Princesas’, um refúgio de quatro andares contra os perigos da vida nas ruas para as pessoas transgênero e/ou portadoras de HIV, em São Paulo. Infelizmente o seu destino foi trágico, tratando-se de um assassinato. O Palácio se tornou uma das primeiras residências de acolhimento para pessoas com HIV e ela sempre foi lembrada pelo grande feito. Celebrar o que fez em vida é também firmar o comprometimento que todos nós devemos ter com essa comunidade que precisa não só de compreensão e respeito, mas também inclusão social.

Com isso, é necessário dar continuidade às pautas políticas todos os dias. Ter uma semana para celebrarmos a luta dessa população é dar a todos o direito de se manifestar contra o nosso sistema opressor. E excludente de saúde, oportunidades e respeito aos direitos adquiridos. Vamos por mais!

 

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