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Dani Costa é jornalista por profissão e mãe de pets por amor. Sempre antenada para trazer notícias quentinhas sobre a bicharada. Ativista contra os maus-tratos a animais domésticos, silvestres e exóticos.

Dona de abrigo é acusada por mortes de cães, mas combate aos maus-tratos é responsabilidade de todos

Quatorze animais chegaram com vida na clínica veterinária, mas poucos sobreviveram. Foto: Arquivo Pessoal

Em março deste ano, uma tragédia envolvendo animais comoveu o país. A notícia de que mais de 60 cães haviam morrido envenenados em um lar temporário localizado em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, trouxe à tona a falta de infraestrutura de muitos desses locais.

Nesta terça-feira, 14, a Polícia Civil informou que os cães, na verdade,  foram vítimas de asfixiamento ao serem transportados de forma  inadequada em caminhão-baú, sem ventilação. O fato ocorreu durante a mudança de sede do abrigo de Ribeirão das Neves para Contagem.

Outro agravante seria o fato da proprietária do LT ter dado veneno de rato aos animais,  conhecido como “chumbinho”, para dissimular a causa da morte. Dos 74 cães abrigados, 69 morreram. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público.

LAR TEMPORÁRIO

Uma das grandes dificuldades enfrentadas por pessoas que realizam resgates de animais abandonados é ter um lugar adequado para onde levá-los. O aumento da demanda por lares temporários – locais onde os bichos possam ficar até ser adotados – fez com que muitos se arriscassem na empreitada. Alguns, sem nenhuma aptidão para o ofício. Ao contrário das Organizações Não Governamentais (ONGs), esses espaços não são legalizados e muito menos fiscalizados.

A lida diária com vários cães, e até mesmo gatos, requer muitos cuidados e alguma experiência. Mais do que isso. Exige amor aos bichos. Na prática, os lares temporários têm se tornado um grande negócio onde os animais não são prioridade. Em Belo Horizonte e região metropolitana, alguns desses espaços chegam a abrigar mais de 50 cães, com mensalidades que variam, em média, de R$150 a R$ 350.  E as dúvidas que ficam são: com tantos animais em um só lugar, é mesmo possível dar assistência necessária a todos? Os locais possuem infraestrutura adequada  e equipe treinada?

Há casos em que os animais saem das ruas, mas seguem sendo vítimas de maus-tratos. Diante disso, o Projeto de Lei 1.647/2020, de autoria do Deputado Osvaldo Lopes, propõe a regulamentação dos lares temporários em Minas Gerais.

A RESPONSABILIDADE É DE QUEM?

Outro questionamento de alguns ativistas da causa é de quem é, de fato, a responsabilidade pela ocorrência dessas tragédias. A começar pela ausência de políticas públicas que garantam os direitos fundamentais dos animais como seres sencientes. No Código Civil brasileiro eles ainda são tidos como “coisas”. Sem leis efetivas que os protejam, os casos de abandono, maus-tratos e procriação descontrolada são recorrentes.

O ciclo é rotineiro. Primeiro alguém os abandona. Depois a sociedade os ignora e as autoridades competentes não cumprem o seu papel. Restam aos ativistas  e protetores dos animais assumir a missão de tentar salvá-los. Para isso precisam angariar recursos para custear despesas com assistência veterinária, medicamentos, alimentação e abrigo. Uma conta que não fecha. Enquanto o número de animais abandonados é cada vez maior, as doações são cada vez mais escassas. Na tentativa de salvá-los a qualquer custo, muitos recorrem a lares temporários mais baratos, mas nem sempre adequados. Boa parte superlotados e em condições precárias . Outros perdem a saúde física, emocional e financeira realizando um trabalho hercúleo e, na maioria das vezes, solitário, com o propósito de salvar o maior número de vidas possível.

DICAS VALIOSAS PARA ESCOLHA DO LAR TEMPORÁRIO

*Busque referências de pessoas confiáveis

*Visite o local e verifique toda a infraestrutura oferecida

*Observe se os animais estão bem alimentados e abrigados confortavelmente

*Veja se o ambiente é saudável e se os animais estão felizes

*Fique atento à higienização do espaço, assim como dos animais e de seus vasilhames

*Desconfie de locais que não exigem cartão de vacina em dia. Nesses casos, a chance de proliferação de doenças viróticas, altamente contagiosas e letais, é grande. Entre elas cinomose e parvovirose

*Após a escolha do Lar Temporário, visite o animal periodicamente. Você continua sendo responsável por sua segurança e  bem-estar

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