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Dani Costa é jornalista por profissão e mãe de pets por amor. Sempre antenada para trazer notícias quentinhas sobre a bicharada. Ativista contra os maus-tratos a animais domésticos, silvestres e exóticos.

Ato contra a comercialização de animais no Brasil levanta a polêmica do Mercado Central de Belo Horizonte

Animais comercializados no Mercado Central de Belo Horizonte seguem amontoados em gaiolas pequenas, sujas e sem ventilação adequada. Foto: arquivo pessoal

No próximo domingo, dia 19,  Belo Horizonte e outras capitais do país irão realizar mais um ato pelo fim do comércio de animais domésticos e silvestres no Brasil. Na capital mineira, o local escolhido para a manifestação é o Mercado Central, palco de inúmeras denúncias de maus-tratos. Amontoados em gaiolas minúsculas, filhotes e adultos seguem convivendo em ambientes com pouca higienização e sem ventilação adequada, tendo contato direto com fezes e urinas de animais doentes, o que resulta em alto índice de contaminação, inclusive dos alimentos comercializados no espaço. “Os animais que chegam às lojas do Mercado Central, além de a maioria não ter procedência, são abrigados em gaiolas já utilizadas por outros bichos sem que estas sejam devidamente desinfetadas com cloro”, afirma o veterinário Gilson Dias Rodrigues.

Tido como um dos pontos turísticos mais tradicionais da capital mineira, com 90 anos de existência, há décadas a imagem do Mercado é manchada pelo sofrimento dos animais. Sejam aves, roedores, gatos ou cães, a superlotação é antiga e a reivindicação para a melhoria das condições dos bichos e até mesmo a extinção do comércio, também. Contudo, nada ainda foi feito em benefício dos animais. Doenças altamente contagiosas como parvovirose e a cinomose são espalhadas através do contato com os dejetos e secreções. Segundo os especialistas, o período de incubação das enfermidades é de 12 a 18 dias e a garantia dada pelos comerciantes no ato da venda é de dois a sete dias. Prazo em que as doenças ainda não se manifestaram.  O que explica os inúmeros relatos da morte de animais poucos dias após a compra. “Comprei uma linda cadelinha no Mercado Central. Ela estava com dois meses e me custou R$ 300,00. Poucos dias depois começou a vomitar, ficou prostrada, não comia e foi definhando até não resistir mais”, relata Karina Santos Silva. Exames constataram que o quadro era de parvovirose.

Aves, roedores, peixes, cães e gatos, são vendidos sem atestado de saúde no Mercado Central de Belo Horizonte. Foto: reprodução/internet

Segundo a veterinária Marcela Ortiz, especializada em animais silvestres e exóticos, não são só os cães e gatos vendidos no local que estão doentes. “As aves comercializadas no Mercado Central também estão enfermas. Em sua maioria com clamídia que é uma zoonose. Os roedores estão contaminados com ectoparasitas e os peixes também, podendo contaminar todo o aquário de quem os adquirir”.  Para os ativistas da causa, o principal motivo para que os projetos de lei contra a venda de animais no local não sejam aprovados é um comércio lucrativo que, mesmo indo contra o que determina a Lei Municipal 7.852/99, que proíbe a entrada de animal em hipermercado ou supermercado, possui apoiadores que ignoram a agonia lenta de várias vidas.

A iniciativa também prevê a fiscalização de pet shops espalhados pela cidade, nos quais os bichos sejam tratados com descaso, sendo expostos ao tempo e abrigados em espaços inadequados. “Condenamos o comércio de animais domésticos e silvestres em qualquer lugar. A prática é a origem do abandono e dos maus-tratos,  fomentando o descontrole populacional nas ruas”, diz Adriana Araújo, do  Movimento Mineiro pelos Direitos Animais. E cita os exemplos de criadores clandestinos que comercializam filhotes na rua da Bahia, na região central da capital, e também na Feira do Eldorado, em Contagem, sem que haja fiscalização.

Prefeito de Belo Horizonte veta projeto de lei que impede a comercialização de animais, beneficiando criadores ilegais

Em janeiro deste ano,  o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), vetou o projeto de lei que impedia a comercialização de animais domésticos em locais públicos, o que inclui o Mercado Central da cidade. De autoria do vereador Osvaldo Lopes (PHS), o projeto de lei tornava mais rígidas as regras para a comercialização dos animais domésticos, visando diminuir o alto índice de abandono e maus-tratos. Desta forma, a venda só poderia ser realizada por criadores registrados nos órgãos competentes, mediante alvará de localização e funcionamento (ALF) e seguindo as normas  sanitárias. Sem a aprovação do projeto de lei,  os animais seguem sofrendo todos os tipos de abusos de seus criadores. Denúncias de cadelas de raças, mantidas como ‘matrizes’ para a reprodução de filhotes, em condições desumanas, são recorrentes.

Em 2012, especialistas já falavam sobre a incompatibilidade do comércio de animais junto a alimentos

Ato pelo fim do comércio de animais domésticos e silvestres

BELO HORIZONTE/MG

Data: domingo, 19/05

Local: Mercado Central de Belo Horizonte (portaria Avenida Amazonas)

Horário: 9 h

Passeata até a Praça Sete

https://www.facebook.com/events/314355332806738/

CURITIBA/PR

Local: Pç. Santos Andrade

Horário: 15h
https://www.facebook.com/events/801493503555111/?ti=cl

RIO DE JANEIRO/RJ

Local: Praia do Arpoador

Horário: 15h
https://www.facebook.com/events/631720320589168/?ti=cl

SÃO PAULO/SP

Local: Masp

Horário: 12h
https://www.facebook.com/events/2039950159641018/?ti=cl

Itapetininga:

Local: Pç. Peixoto Gomide

Horário: 10h
https://www.facebook.com/events/427333534735164/?ti=cl

Sorocaba:

Local: Pista do Campolim

Horário: 10h
https://www.facebook.com/events/377844979496202/?ti=cl

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