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Dani Costa é jornalista por profissão e mãe de pets por amor. Sempre antenada para trazer notícias quentinhas sobre a bicharada. Ativista contra os maus-tratos a animais domésticos, silvestres e exóticos.

Anitta desabafa sobre a perda de um de seus cães e especialista fala sobre como lidar com o luto

O cãozinho Afonso, da raça Schnauzer, foi adotado pela cantora Anitta no final de 2018 com problemas cardíacos. Foto: reprodução/instagran

“Minha vontade é de não voltar para casa, pois sei que você não vai me receber”, declarou a cantora Anitta em suas redes sociais, após ser informada da morte de um de seus cães, Afonso, o caçula da família. O cãozinho, da raça Schnauzer, foi adotado no final de 2018 com problemas cardíacos. A dor da perda de um ente querido é algo com o qual ainda não estamos preparados para lidar. Um dia alguém que amamos muito simplesmente vai embora, deixando para traz apenas lembranças e saudades. O sentimento do ‘nunca mais’ é devastador e, às vezes, deixa traumas difíceis de ser vencidos. Apesar da morte ser uma figura familiar em nosso dia a dia, considerando que sofremos vários lutos ao longo da vida através de separações, demissões e abandonos, nunca deixará de ser um processo doloroso.

Em se tratando de um animal de estimação, o vínculo de amor e cumplicidade criado entre os donos e seus pets torna a dor ainda mais intensa. Presentes em muitas das residências brasileiras, eles compartilham conosco alegrias e tristezas e nos ajudam a aliviar o estresse diário. Para a psiquiatra Valéria Pagnin, a perda de um animal pode ser sentida por todos, independentemente da faixa etária. Sentimentos como tristeza, solidão, culpa, angústia, falta de apetite e a sensação de vazio, são sintomas frequentes nestas ocasiões.  “No entanto, o sentimento de luto pode ser mais intenso e prolongado na criança”, explica. Segundo ela, os animais são dotados de falas e virtudes humanas e nos  ensinam conceitos de amizade, lealdade, moral e ética.

Quanto mais forte a ligação afetiva, mais intenso será o luto. O que muda é a maneira como cada um exterioriza seus sentimentos. Alguns temem a rejeição social por demonstrar tristeza pela perda de um animal, o que acaba tornando o momento mais sofrido. “A nossa cultura atribui um valor menor aos bichos  e acaba banalizando sua perda”, diz. Contudo, em termos neurobiológicos, o luto por animais ou humanos é regulado pelos mesmos mecanismos.  Pesquisadores da Universidade da Columbia University e do New York State Psychiatric Institute defendem que a ligação entre a amígdala, estrutura reguladora das emoções, e as regiões pré-frontais do córtex cerebral é responsável por regular o foco da atenção e os sentimentos de tristeza dos enlutados. Estes mecanismos seriam os responsáveis por manter os pensamentos recorrentes com o ente falecido e pela tristeza que sentimos. Porém, para compreender completamente o luto, seria necessário entender a complexa relação entre o homem e estes queridos companheiros.

– Teoria do Apego

Anna Quindlen, em “Good Dog Stay“, descreveu a relação com seu cão como a única relação não complicada em sua vida. “O que você vê é o que você tem”, disse. Fromma Walsh, professora e fundadora do Chicago Center for Family Health, descreve que muitas pessoas, de crianças a idosos, experimentam uma profunda afinidade com o companheiro de estimação e que isso transcende a dimensão espiritual da experiência humana. “Poderíamos ainda dizer que esta relação se dá pelo amor fraterno, despertado pela compaixão pelo mais fraco e indefeso”, diz a psiquiatra.

A Teoria do Apego, descrita na década de 80 pelo psicanalista John Bowlby, pesquisou a natureza da associação homem-animais, confirmando o desejo de estar perto, de cuidar, segurar, proteger e de estabelecer contato físico e visual. Percebeu-se o mesmo apego presente na relação entre genitores e bebês, em relacionamentos amorosos e entre animais e seus filhotes. Algumas pessoas relatam dor de igual ou maior intensidade pela perda de um pet, comparada à perda de um parente. O que pode ser considerado natural considerando que os bichos passaram a ser amados e respeitados como membros das famílias.

– Como lidar com a perda

Para a psiquiatra Valéria Pagnin, a melhor forma de lidar com o sentimento é aceitá-lo. A saudade, a dor e a tristeza fazem parte do processo do luto necessário para reorganizar a vida. Embora a lembrança nunca se vá, a tristeza a ela associada vai perdendo intensidade. Enquanto isso não ocorre, algumas ritos de passagem podem ajudar a  minimizar a dor.

– Cerimônia de sepultamento em cemitério para animais ou em propriedade privada;

– Inteirar-se das necessidades de um abrigo de animais próximo de casa:

– Reunir amigos e familiares para uma doação em memória do companheiro;

– Falar sobre a morte com amigos ou familiares que se importam;

– Plantar uma flor ou árvore em memória do companheiro;

– Organizar um livro memorial com fotos;

– Escrever uma carta ao companheiro falecido;

– Adotar um outro companheiro

Fonte: idmedpet.com.br

 

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