O afeto nos tempos do cólera

It's only fair to share...Share on Facebook
Facebook
Share on Google+
Google+
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin

Por: Luciana Biagioni
Psicóloga clínica na Vida & Mente
Terapeuta de EMDR / Abordagem Integrada da Mente

Afeto é o sentimento de afeição por alguém; é por meio dele que demonstramos nossa empatia. É capaz de modificar comportamentos. Influencia diretamente a forma como pensamos e agimos.

Nas várias situações da vida com as quais nos deparamos, existem afetos envolvidos, sejam eles negativos ou positivos, alterando a forma como nós interagimos em sociedade.
O afeto tem relação com situações passadas, com experiências vividas em relação a pessoas, objetos ou ambientes. Vivências positivas criam afeto, o que é demonstrado no presente por atos de carinho e amor; vivências negativas criam emoções negativas e comportamentos de repúdio.

Segundo o psicólogo americano, Jonathan Haidt, a polarização moral da sociedade em época de eleição faz com que nossas decisões sejam tomadas de forma intuitiva, por mecanismos cerebrais que não controlamos racionalmente. Usamos a razão para justificar nossa decisão tomada intuitivamente.

Assim, não avaliamos racionalmente cada candidato à eleição para, depois, tomarmos uma decisão. Na realidade, decidimos quais pessoas nos agradam de forma intuitiva, baseando-nos em valores muito arraigados. Utilizamos sentimentos, como o medo e a insegurança, e só posteriormente usamos argumentos racionais para justificarmos a nossa decisão.
Quando se trata de escolher pessoas importantes, seja como presidente do país, seja para compartilhar a nossa vida, por exemplo , o mesmo mecanismo de seleção afetiva de valores é acionado.

No entanto, a vida em sociedade exige a convivência com diferentes formas de posicionamento, pensamentos e atitudes, o que reforça a necessidade de exercitar a tolerância.
Sempre que achamos que somente a nossa ideia é correta, e que todos aqueles que discordam dela devem ser ou eliminados ou convertidos, não estamos sendo empáticos.

Os afetos não dependem da nossa vontade, e por isso não podem ser controlados pela nossa razão. Podem até provocar manifestações corporais, como sentir um bolo no estômago toda vez que presenciamos um amigo defendendo um candidato que odiamos. O afeto por aquele amigo pode ser abalado de tal forma que basta ver a foto dele na sua timeline do Facebook para que dispare a sensação de bolo no estômago. Isso não depende da nossa vontade. Entretanto, a postura de criticar ou desqualificar a pessoa que pensa de forma diferente é uma escolha nossa. Podemos ter o controle sobre as nossas ações, ou seja, sobre o que vamos fazer diante desses sentimentos.

A convivência em sociedade pode ser um desafio para aqueles que têm dificuldade para ponderar e avaliar como lidar com diferentes pontos de vista. Aqui cabe refletir sobre o que vale mais: convencer o outro de que a nossa opinião é a mais correta, ou conviver amigavelmente apesar da opinião contrária?

Um relacionamento assertivo, respeitoso, não seria mais adequado para a manutenção de um relacionamento social, apesar da diversidade de opiniões?

Esta entrada foi publicada em saúde emcional. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *