Você precisa conhecer o Watson

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Trata-se não apenas de uma nova ferramenta. A computação cognitiva coloca o trabalho humano em novo patamar

O Watson de nada lembra os mainframes. Apenas pelo tamanho, mas essa máquina está mudando muitos setores da economia

Machine learning, inteligência artificial, deep learning, análise de dados e computação cognitiva. Quantas expressões citadas acima são familiares para você? Caso sua resposta seja nenhuma, o futuro do seu trabalho pode estar ameaçado.

Não se trata de uma visão reducionista de que as máquinas vão substituir a mão de obra humana. É muito mais que isso. A computação cognitiva permite que máquinas reconheçam comandos e façam relações cada vez mais parecidas com as nossas. Isso trará mais competitividade, redução dos erros humanos e novos campos de pesquisa e trabalho.

Selecionar pessoas para uma vaga, atender melhor o cliente, otimizar as operações nas fábricas e tomar decisões estratégicas. Os softwares sempre desempenharam funções que tornavam essas operações mais rápidas e automáticas. Mas, agora, o que está acontecendo é que os supercomputadores quânticos como o IBM Watson podem aprender novos comandos, melhorar a cada nova operação e entregar respostas instantâneas que trariam grandes esforços e tempo.

“O cérebro eletrônico pensa e pode”

Contrariando um pouco a letra da canção Cérebro Eletrônico, de Gilberto Gil, máquinas já fazem muitas coisas que antes eram restritas a nós, mortais. Não estamos falando de ficção científica ou algo que vai demorar um século para chegar ao Brasil. Essa reverberante revolução já bate à porta das empresas e indústrias de todos os segmentos. E você não tem como ficar de fora.

Quem apregoa isso são os maiores cientistas do Brasil, entre eles Nívio Ziviani, professor emérito da UFMG e criador da Kunami – empresa que trabalha com aprendizado de máquina. Ele esteve na Fundação Dom Cabral para discutir o tema dentro da programação do Centro de Referência a Inovação (CRI-MG).

Rogério Baldini, da IBM e participante do evento na Fundação Dom Cabral, afirma que a empresa compreende que o aprendizado de máquina possibilitará uma melhor tomada de decisão nas empresas. “A digitalização possibilitará novos modelos de negócios e provocará grandes mudanças nos mercados e nas estratégias das empresas. A IBM não vê isso como uma substituição do homem pela máquina”, completa o especialista.

Encontro na FDC discutiu a indústria 4.0 e seus impactos
Crédito: Alysson Lisboa/Simi

Mas o que o Watson faz que é tão surpreendente?

Atualmente, já são mais de 50 serviços disponíveis e acessíveis às empresas por meio de APIs. Vou falar sobre o Personality Insights, Assistant  e o Discovery. Essas funcionalidades fizeram parte da oficina organizada pelo Centro de Referência a Inovação – CRI-MG na Fundação Dom Cabral em parceria com a IBM realizado no início deste mês.

Foi lançado um desafio aos participantes. Como está a percepção do presidente norte-americano Donald Trump em relação à política externa? Os textos publicados pela imprensa em mais de 100 mil fontes atualizadas diariamente são digitalizados pelo Watson e analisados de forma semântica. Isso é muito diferente de avaliar, por exemplo, o número de ocorrências de determinadas palavras-chave e classificar os textos em positivos, neutros ou negativos.

O que o Discovery é capaz de realizar é a interpretação de dados de modo bastante amplo. Podemos inferir, por exemplo, quais sentimentos são mais expressados nos textos e quais grupos estão conectados nas redes sociais. São teias dinâmicas de dados com infinitas conexões que permitem inúmeras análises.

Muito além de um robô

“Me treine que eu aprenderei.” O Assistant é outro serviço do Watson capaz de fornecer interações automatizadas para qualquer empresa. Diferentemente dos chatbots tradicionais, essa ferramenta é capaz de aprender expressões e contextualizar perguntas de forma ampla. Mesmo com grafias erradas ou abreviações, o assistente é capaz de compreender e entregar respostas precisas.

Uma mudança profunda em gestão de pessoas

Entre as três plataformas estudadas a Personality Insights é, sem dúvida, a mais incrível. Com ela, é possível realizar análises profundas utilizando características de personalidade,  necessidades que influenciam um processo de tomada de decisão e valores como tradição, hedonismo, abertura a mudanças, conservação etc. A análise de currículo deixa de ser apenas observada pelo critério técnico ou competências. A partir de um texto escrito livremente por um candidato a emprego, por exemplo, é possível saber muito mais do que está escrito e declarado nos documentos, como traços de personalidade.

Martha Pimentel (foto acima), professora da FDC que participou do evento, ressalta que as novas tecnologias são mais democráticas e os jovens brasileiros têm uma oportunidade de ouro nas mãos. “Eles precisam acreditar que, com esforço e dedicação, eles atingem o estado avançado do conhecimento. E o acesso hoje é muito democrático em qualquer parte do mundo”, completa a professora.

Veja entrevista com a especialista Martha Pimentel da Fundação Dom Cabral.

Artigo publicado, originalmente em: www.simi.org.br

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