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Jornalista especialista em Produção em Mídias Digitais e mestre em Comunicação Digital Interativa. Atualmente, é articulista no portal Simi (Sistema Mineiro de Inovação), ligado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e professor de jornalismo no Uni-BH e no MBA do IEC PUC Minas nas áreas de Inbound Marketing e E-commerce. Contato: VISITE MEU SITE: www.alyssonlisboa.com.br Whatsapp: 31 998316905. Email: alyssonlneves@gmail.com

Inteligência artificial pode substituir as análises clínicas?

Evento realizado pela Fundação Dom Cabral em São Paulo discute o rumo da inovação nas empresas e o futuro dos dados

“Estamos vivendo um momento mágico na história da humanidade. Nunca tivemos tanta tecnologia disruptiva disponível ao mesmo tempo.” A frase é de Ricardo Pelegrini, ex-diretor da IBM, que hoje é consultor em inovação em São Paulo. Segundo ele, antes podíamos reclamar que não existia tecnologia suficiente para realizar coisas incríveis, mas agora não podemos mais dar essa desculpa para explicar o insucesso das empresas. Está tudo acessível e cada vez mais barato. Uma impressora 3D chegou a custar US$ 20 mil e hoje esse valor já caiu 190 vezes.

A fundação Dom Cabral discutiu o futuro do trabalho e a inteligência artificial

Todas as indústrias atravessam um período de turbulência, que obriga os gestores a tomadas de decisão rápidas e, muitas vezes, radical. Até 2020 teremos 50 bilhões de dispositivos conectados à internet. Esse volume de dados é o novo petróleo para uma economia baseada em conhecimento. O dramático é que cerca de 90% dos dados gerados atualmente não são aproveitados pelas empresas. É como se estivéssemos trabalhando no automático e deixando de lado um bem muito valioso – a informação estratégica.

Que futuro desejamos construir

Esse foi o tema debatido pela Fundação Dom Cabral que reuniu em São Paulo, líderes e gestores de indústrias, setor bancário e grandes empresas para debater o assunto. O evento faz parte do cronograma anual do Centro de Referência em Inovação e contou com palestras, oficinas e muita interação entre os participantes. O mais interessante foi perceber um alinhamento entre a proposta do evento e a resposta que os participantes trouxeram sobre dores e dificuldades em iniciar uma cultura de inovação dentro das empresas.

Estima-se que US$ 430 bilhões em produtividade podem ser gerados com as devidas análises dos dados construídos pelas empresas. Mas pouco ainda é feito para tomadas de decisão. O Brasil, em especial, não está pronto para trabalhar com dados. Nem mesmo os incentivos fiscais e a Lei do Bem são utilizados pelas empresas brasileiras. Segundo Ricardo Pelegrini, existem incentivos fiscais esperando projetos inovadores no Brasil, um dinheiro pouco utilizado até por desconhecimento das empresas.

No entanto, temos que atravessar o primeiro desafio, que é a mudança cultural. Hoje, os gestores e seus colaboradores trabalham em uma lógica ligada à produtividade e tarefas bem definidas. Não é necessário criar novos processos ou produtos, porque o modelo funciona e é rentável. Mas não por muito tempo. Os funcionários hoje ganham um papel de protagonismo e o novo modelo de gestão passa a dar mais autonomia para que se possa criar inovação nas empresas.

O grande gargalo, infelizmente, está na educação que recebemos até a idade adulta. Educação linear, avaliada por provas iguais e uma clareza sobre qual é a matéria que precisa ser absorvida. Os alunos não aprendem a criar novas respostas ou soluções criativas. Isso, claro, reflete no trabalho e quebrar isso é muito difícil para nós.

O mundo já está fazendo coisas incríveis com a inteligência artificial

O computador IBM Watson consegue fazer hoje um diagnóstico de câncer de mama com um nível de detalhamento, muitas vezes, superior à capacidade humana. O Medical Sieve, como foi chamado o programa, indica inclusive qual tratamento deve ser dado. O objetivo não é acabar com os profissionais médicos ou substituir o humano e sim poder ajudar a processar uma infinidade de dados para uma tomada de decisão mais assertiva. Atualmente são produzidos 7 mil artigos na área médica por dia. Seria humanamente impossível estudar todos eles. Mas o Watson pode ler, aprender padrões e trazer respostas.

O Laboratório Fleury foi a primeira empresa da América Latina a fazer uma parceria com a IBM. O objetivo é processar infinitas combinações e melhorar o diagnóstico do câncer alinhado ao genoma. O setor bancário também está utilizando inteligência artificial para o atendimento aos clientes. Exemplo disso é a BIA (Bradesco Inteligência Artificial). Esse programa recebe 200 mil perguntas sobre 60 produtos e serviços do banco diariamente. O melhor é que o grau de assertividade das respostas chega a 97%.

Além dos setores bancário e médico, o varejo também está experimentando a inteligência artificial. A North Face tem em seu site um consultor de vendas capaz de escolher entre milhares de jaquetas aquela que mais combina com você e com as suas necessidades. Essa venda consultiva já é realidade em diversas outras empresas. Como se não bastasse, a inteligência artificial também é capaz de produzir trailers de filmes. Isso mesmo. O computador “assiste” e escolhe as partes mais importantes e impactantes e indica ao diretor. Exemplo disso é o filme Morgan, do diretor Luke Scott. Veja o trailer abaixo.

Mas o que tanta tecnologia faz com as nossas vidas? Como estão impactando os jovens? A filósofa Viviane Mosé tentou explicar um pouco sobre o mundo em que vivemos e a desestruturação das famílias que levam os mais jovens, muitas vezes, a escolhas erradas. A falta de referência de família – que estão cada vez menores e os pais cada vez mais ausentes –, somada ao acesso ilimitado por conteúdo na rede mundial de computadores têm levado uma legião de crianças a adolescentes aos psiquiatras e, consequentemente, ao uso prematuro de medicamentos controlados.

“Vivemos no século 20 o estimulo à técnica e desestímulo ao humano”, enfatiza Mosé. Essa falta de referência centrada no humano tem gerado nos jovens, cada vez mais, uma sensação de vazio e incompletude. Será que os robôs com inteligência artificial podem ser aliados ao transformarem os jovens, cada vez mais centrados na interação com dispositivos móveis e menos no mundo ao seu redor? O que se fala sobre a nova evolução da computação é que teremos uma vida de maior prazer e mais oportunidades. Será?

Artigo publicado originalmente em: www.simi.org.br

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vidadigital

Jornalista, blogueiro e consultor sobre novas mídias e marketing digital. Mestre em comunicação digital interativa e especialista em produção em mídias digitais.

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