Copa do Mundo dá show de tecnologia

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Video Assistant Referee vai ajudar a reduzir os erros cometidos durante a partida
Video Assistant Referee vai ajudar a reduzir os erros cometidos durante a partida

A velha e boa resenha do futebol está mudando. Chamar o juiz de “ladrão” por um lance duvidoso ou acusá-lo de dar um pênalti que não existiu pode estar com os dias contatos. Pelo menos a tecnologia já está invadindo os gramados.

A Fifa implantou pela primeira vez nas copas o sistema de árbitro de vídeo (VAR – Video Assistant Referee) em todos os 64 jogos da competição, que começou na quinta-feira passada (14/6). O sistema não tira a autonomia do juiz que pode requerer, ou não, a conferência de lances de gol, pênalti e cartão vermelho.

Um arsenal de câmeras de vídeo foi distribuído nos estádios. Ao todo, 33 câmeras filmam em ultradefinição e fazem filmagem em slow motion para conseguir detalhes de todos os lances da partida. Tudo isso para entregar aos torcedores todos os detalhes possíveis das jogadas.

Outro recurso também utilizado na Copa da Rússia é o sinal de alerta enviado ao juiz quando a bola cruza a marca do gol. O Goal-Line, como é conhecida a tecnologia, foi utilizada na Copa do Mundo de 2014 na partida entre Honduras e França, confirmado o lance de gol. Para a Rússia a tecnologia foi aperfeiçoada e 14 câmeras fazem a conferência dos lances.

A bola da vez

A bola high tech batizada de Telstar é uma homenagem ao modelo desenhado para a Copa de 1970. A novidade é que ela tem um chip que permite ao torcedor acessar informações sobre a bola. No futuro, será possível determinar a velocidade ou a altura da redonda durante o jogo.

A tecnologia não está restrita apenas ao equipamentos de conferência e imagens nos estádios. Os jogadores também recebem um banho de inovação na competição. A principal delas é a camiseta Astro Mesh Dri-Fit que, além de mais leves, auxiliam na transpiração do atleta. Essa camisa criada pela Nike é utilizada nesta Copa apenas pelos times da Arábia Saudita, Austrália e Coreia do Sul.

A nova bola da competição pode ser rastreada por chip
A nova bola da competição pode ser rastreada por chip

A ciência a favor do esporte

Além das inovações em campo, investigadores também começam a pesquisar como é o comportamento do jogador dentro de campo e como as informações podem contribuir para o treinamento e decisões táticas das partidas. E esses estudos estão sendo realizados também no Brasil.

Daniele Cristina Uchôa Maia Rodrigues, doutora em Ciência da Computação pela Unicamp, desenvolveu um software que consegue avaliar, pelo comportamento e pelos padrões dos atletas durante uma partida de futebol, se aquele jogador está reagindo de forma acertada em determinado lance. A tecnologia serve para ajudar a comissão técnica a medir, por exemplo, a capacidade de força, peso, energia e movimento de cada jogador.

São redes complexas de informação que buscam padrões de movimento, análise e conjunto de medidas, determinando padrões dos jogadores em algum lance da partida “Utilizamos o machine learning para gerar classificadores automáticos em função das informações coletadas”, explica Daniele Rodrigues. “Então, dependendo da configuração dos jogadores em determinado momento do jogo, o software é capaz de identificar, com 85% de certeza, se o atleta tomou decisões que correspondem com seu papel na partida em determinado lance”, completa a pesquisadora.

Tecnologia é aliada?

O trabalho de pesquisa pode ser, de alguma forma, comparado à história contada no livro “Moneyball”, que virou filme em 2011. A história se passa com o gerente de um time de baseball, que usa uma sofisticada análise estatística dos jogadores para levar a equipe à vitória. O uso de big data é cada vez mais comum em todas as áreas e não seria diferente no esporte. Mas resta saber é se a tecnologia será aliada ou vilã nessa história? Será que a tecnologia em roupas, uniformes e sensores ligados ao corpo que, ao mesmo tempo aumentam o conhecimento e o melhoram o resultados dos treinos, não pode também excluir atletas que não têm acesso aos recursos por falta de investimento?

Artigo publicado originalmente em: Simi.org.br

 

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