Ninguém se importa com sua Startup e é seu dever mudar isso para sobreviver


Por Vitor Peçanha

Desde que comecei a trabalhar com startups, já conversei com dezenas – ou centenas – de empreendedores cheios de ideias mirabolantes de produtos revolucionários. Como manda a estatística, a grande maioria deles não deu certo, mas por quê?

A razão número um, de longe, para uma ideia não ir para frente é que ideias, em geral, não valem nada. O que importa no mundo do empreendedorismo é a execução e a maioria das pessoas não chega a essa parte. Fica a dica: se você possui uma grande ideia, não tenha medo de compartilhá-la. Na pior das hipóteses as pessoas irão ignorá-la, mas se você der sorte irá receber feedbacks úteis.

Mas não é sobre isso que falarei hoje, pois não há muito o que dizer: ou você senta a bunda na cadeira e executa sua ideia, ou não. Simples assim, binário. E, por mais óbvio que seja, algumas pessoas se esquecem do detalhe que fazer sua empresa surgir é o primeiro passo para que ela possa crescer.

Neste texto falarei sobre execução. Ou melhor, de erros de execução. Não me leve a mal, se você já saiu da fase das ideias está um passo à frente da maioria das pessoas, mas ainda está um passo atrás daquelas que realmente possuem uma chance de dar certo.

E qual é o próximo passo? Aprender uma dura lição: ninguém se importa com você, com sua tecnologia de ponta ou seu lindo design. A única coisa que interessa às pessoas é: como você pode trazer algum valor para a vida delas? Como você pode tornar a vida delas mais fácil?

Para responder a essa pergunta, sua startup precisa ter algo muito claro: uma proposta de valor. E propostas de valor são, em geral, completamente independentes de qual tecnologia você usa, o quão legal você é com seu vizinho ou o tanto que seu site possui 1001 utilidades. Você só precisa resolver um problema, real, do público.

Nada de hipóteses, nada de adivinhações. A única maneira de se conseguir isso é dando a cara a tapa e colocando seu produto no mercado o quanto antes. Ele está feio? Não importa. Ele está lento? Não importa. A única coisa que importa é que só assim você irá identificar o problema que as pessoas querem que você resolva. Se você acompanha os jargões do mundo das startups, esse é o famoso product/market fit.

Minha startup, a Rock Content, é, para todos os efeitos, uma empresa de tecnologia. Mas nós demoramos quase um ano para contratar nosso primeiro desenvolvedor. E nós fizemos isso simplesmente porque nossa primeira missão era conseguir 100 clientes em 6 meses. Sim, entregar conteúdo de qualidade para uma centena de clientes era um grande sinal de que existia um mercado para nosso serviço. Nesse caso, cem clientes pagando 300 reais era mais valioso do que um cliente pagando 100 mil reais.

E como fizemos isso? Uma página em WordPress, controle de clientes em planilhas, textos entregues via Google, muita cerveja e noites sem dormir. Esses clientes não se importavam com a tecnologia, mas com uma boa estratégia de marketing de conteúdo e artigos de qualidade. A tecnologia não era o valor, mas só o meio.

Tanto que nosso software para clientes só ficou pronto em janeiro de 2015, um ano e nove meses depois da fundação da empresa. Nós lançamos essa plataforma, empolgados e satisfeitos com nosso árduo trabalho, simplesmente para receber o seguinte feedback de vários clientes:

“Não dá para continuar entregando no Google Docs?”

Todo o esforço de desenvolvimento do mundo não vale nada se não agregar algum valor ao seu serviço. Hoje, avançamos muito, nosso software melhorou absurdamente, mas a lição foi aprendida.

Por isso nunca se esqueça: no mundo profissional, ninguém se importa com você ou seu trabalho, e quem entende isso está um passo à frente da maioria das pessoas. No hard feelings.

1 Comentário

  • Tiago Crizanto disse:

    Olá,

    Concordo que a tecnologia é um meio para se chegar ao objetivo que é entregar valor ao cliente. Essa é a principal razão de um produto ser criado.
    Já tive a experiência de passar meses desenvolvendo uma ideia buscando o “produto perfeito”, mas esse é exatamente o problema. Se tivesse feito um MVP, teria abandonado o barco muito antes e economizaria tempo e dinheiro.
    Mas acho que caso de vocês, a tecnologia não era crucial e vocês utilizaram excelentes ferramentas de tecnologia (já no mercado) como o Google Docs.
    Há várias startups que inovam na área de tecnologia e que se não for bem feito, não atrai os usuários. Já cansei de deixar de utilizar sites e aplicativos de celular que na primeira utilização não funcionavam direito. Isso me levou a desistir de usar o site (efetuar um cadastro, por exemplo), ou remover o app do meu celular.

    abraço!
    Tiago Crizanto

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