Pouso de emergência em Confins reabre debate sobre Pampulha

A madrugada desta quinta feira (20) foi de tensão no Aeroporto Internacional Presidente Tancredo Neves em Confins. À 1h43m o trem de pouso do Boeing Triple Seven (777) da LATAM, voo LA8084 que decolou de São Paulo, 0h30 Aeroporto de Guarulhos e tinha a cidade de Londres como destino, tocou o solo mineiro na única pista que o aeroporto possui. Exceto os bombeiros, foram detectadas várias falhas, incluindo a comunicação e a falta de preparo para uma evacuação sobre a pista utilizando os slides do avião por escadas.

O pouso forçado foi necessário devido a uma pane elétrica que obrigou o piloto a buscar o aeroporto mais próximo. A brigada de incêndio foi acionada, mas não havia se quer um rádio de mão VHF para comunicar com o piloto. Os brigadistas agiram com rapidez, foram eficientes e evitaram uma tragédia monumental. O Boeing Triple Seven (777) é certificado para pousos e decolagens (em limite de peso) para pistas de 3.500 mts, de acordo com Maarten Van Sluys, que é diretor e vice-presidente fundador da AFVV447 (Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 447 da Air France).

Maarten tornou-se um estudioso e especialista no assunto após acidente que vitimou sua irmã em 31 de maio de 2009 na queda do Airbus A330 da AirFrance no meio do Oceano Atlântico. Ele conta que a pista do Aeroporto de Confins tem 3.000 mts, mais 600 mts sem homologação. “A frenagem aerodinâmica não seria o bastante e isso “fritou” os freios hidráulicos fazendo os tambores de óleo entrar em combustão e consequentemente esvasiamento dos pneus do Boeing da LATAM”. Não fosse a pericia do comandante e área de rolagem a vida dos mais de 336 ocupantes e dos 16 tripulantes estivesse comprometida, afirmou Maarten.

A mecânica do fato remete a uma pane elétrica nas baterias primárias do Triple Seven (Boeing 777). O equipamento tem redundâncias e nesta situação o sistema secundário é acionado e neutraliza-se o problema. Mas quando o voo está sobre o continente à recomendação é alternar para o aeroporto mais próximo e efetuar o pouso. Foi o que fez o comandante do Voo LA8084 ao buscar refugio em Confins. O aeroporto cumpriu todos os protocolos de segurança, mas um piloto entrevistado e que preferiu manter-se anônimo disse que se fosse um voo comandado por piloto que não domina o português, a probabilidade de uma tragédia poderia ter sido maior.

Talvez devido ao ponto da pista onde a aeronave tocou o solo à frenagem tenha sido abrupta (relação peso x comprimento da pista) e isso “fritou” os freios mecânicos e o trem de pouso, murchando os doze pneus do Boeing para evitar que eles estourem na hora na aterrisagem. Vale relembrar a coincidência fatídica de datas. Há exatos um ano (dia 20 dezembro de 2017) um Boeing 777-200 (mesmo modelo) teve pane elétrica após decolar de Assunção e teve que fazer um pouso de emergência em Curitiba. Bizarra coincidencia também lembrada pelo especialista Maarten Van Sluys.

Esta mudança de rotina fez o aeroporto da Pampulha “ressuscitar” na marra, pois estão ocorrendo vários pousos e decolagens de aeronaves no terminal que virou “bicho papão” para os administradores de Confins, obrigados a admitir que Pampulha é sem sombra de dúvidas o aeroporto alternativo e viável para BH. Curioso é constatar que “naquele terminal internacional não tem macacos hidráulicos para emergências”, comentou em publicação on-line o editor chefe da Revista Exclusive, o empresário Jader Kalid.

Ele lembra também que o Aeroporto Internacional permanecerá fechado para operações até 19h de hoje (20). Os macacos hidráulicos para troca do trem de pouso do Boeing da Latam estão sendo transportados em um cargueiro da Força Aérea vindos de São Paulo para Confins. Apenas dois aeroportos possuem macacos hidráulicos para troca de pneus em aviões desta dimensão, Guarulhos e Viracopos. O empresário cita ainda que de acordo com a Infraero o Aeroporto da Pampulha está preparado para receber aeronaves de grande porte. Destaca que ele tem a certificação da Anac através da Portaria Nº 2.829, permitindo aeronaves da categoria ‘4C’, modelos de aviões autorizados a voar no Brasil e no mundo inteiro.

Pampulha pode receber, sem nenhuma restrição, os Airbus A320 e os Boeings 737. Jader Kalid encerra dizendo que isso derruba um mito de que o aeroporto não é seguro, e pode muito bem ser um complemento para as operações diárias de Confins, ajudando a reaquecer a economia da capital, conclui.

José Aparecido Ribeiro

Jornalista – DRT 17.076 – MG

31-99953-7945 – jaribeirobh@gmail.com

14 comentários em “Pouso de emergência em Confins reabre debate sobre Pampulha

  1. O aeroporto de confins ficou muito bom mas infelizmente a distância e o jeito interiorano do mineiro , sem ônibus suficiente e poucos táxis que se habilitam a permanecerem lá são escassos. O aeroporto da Pampulha é totalmente viável e acredito muito que poderiam ser utilizados os dois aeroportos. A Pampulha já abrigou grandes voos , mas os moradores reclamam do barulho que realmente não deve ser pequeno. Mas também deixar um aeroporto como o da Pampulha se perder é desperdício. Para achar um meio termo , acredito firmemente nessa alternativa de dividir o tráfego aéreo entre os dois aeroportos. Assim tanto moradores não teriam o barulho o tempo todo como desafogaria um pouco o de Confins . Sem contar que o da Pampulha tem mais alternativas de transporte rodoviário.

    • O Aeroporto da Pampulha existe desde a década de 30, quando naquela região havia apenas sítios e chácaras. Quem mora na região veio depois. Se não gostam do barulho dos aviões, essas pessoas nem deveriam ter se mudado para lá.
      É uma insanidade a cidade ficar refém de Confins (longe e de péssima acessibilidade). Pampulha pode muito bem operar voos regulares (SP, Rio, Brasília, Vitória e interior de MG), bastando talvez estabelecer um limite de slots para ele, de modo a garantir os padrões adequados de segurança.
      Enquanto isso, a cidade continua perdendo eventos e o setor hoteleiro continua amargando prejuízos.

    • Desafogar???? Ele ta ocioso, minha senhora. Pense mais um pouco antes de opinar, senão ficará igual o bobo deste blog, dando pitaco cretino. Assunto encerrado!

  2. Confins tem 3.000 de pista homologados e mais 600 não-homologados. Parece que a pane elétrica era mais grave do que o texto faz supor e o piloto não estaria conseguindo alijar combustível, ou seja, teve que pousar com a aeronave absurdamente pesada. O que se ESPECULA é que o “sistema que desinfla os pneus para evitar que eles estourem pode ter sido acionado” justamente pq o avião estaria pesado demais. Consta também que o voo foi vetorado pela torre para fazer uma aproximação mais longa e, portanto, com redução mais gradual da altitude e da velocidade. Por fim, já testemunhei a troca de um pneu de um A321 de um voo que eu pegaria. Demorou mais de uma hora para 1 pneu e Confins tem o equipamento. Não tem é para o 777, que não opera normalmente no aeroporto.
    Ou seja, por enquanto são só hipóteses.
    Quanto ao uso da Pampulha, concordo. O aeroporto poderia ser usado para um número limitado de voos, em horário igualmente limitado para não perturbar demais os vizinhos.

    • Exatamente Carlos. Meu depoimento coincide com seu relato. Houve ruido na comunicacao. Eu disse 3.000 mts + 600 nao homologados. Quanto a alijar combustivel, isso eh complexo em regioes densamente povoadas como a Grande BH. Por fim corrijo o modelo do Airbus da Air France que vitimou minha irma. Foi um A-320.

    • Carlos. Meu depoimento coincide com seu relato. Houve ruido na comunicacao. Eu disse 3.000 mts + 600 nao homologados. Quanto a alijar combustivel, isso eh complexo em regioes densamente povoadas como a Grande BH. Por fim corrijo o modelo do Airbus da Air France que vitimou minha irma. Foi um A-320.

    • Carlos, Muito bem e corretamente explicado, o 777 estava com 96 toneladas de combustível e não conseguiu elija-lo, com a sobrecarga no peso para a aterrissagem, o contato das rodas com a pista fez com que os fusíveis de segurança das rodas esvaziassem os pneus, portanto, não houve estouro dos mesmos. Quanto à Pampulha, pelo que vejo, os belorizontinos pensam ser melhor, ao saírem de sua capital em um voo para o interior do estado, fazer uma conexão em SP, para chegar ao seu destino. Dois aeroportos em uma cidade somente se faz necessário quando um superar a marca de 20 milhões de passageiros ao ano, no caso de CNF, não chagamos à 10 milhões, a abertura do Pampulha significará a perda de todos os voos diretos que hoje temos, para conexões em GRU, BSB ou GIG, é isto que querem?

      • O Aeroporto de Confins deveria ser fechado completamente. Foi um erro imenso e irreparável construir um aeroporto a 42 Km do centro de Belo Horizonte. Isso fez o aeroporto ficar vegetando quase 30 anos.
        Um belo dia, políticos que precisavam agradar empreiteiras para receber contribuições resolveram desenterrar o aeroporto, inventando uma demanda por voos internacionais que BH não tem.
        Para voos domésticos a Pampulha atende perfeitamente a BH, sendo inclusive mais econômico, pois os passageiros podem poupar quase R$ 300,00 referentes à despesa com táxi até Confins – sem falar no tempo de percurso (1,5 hora na ida + 1,5 hora na volta).
        FECHA CONFINS!

  3. A Pampulha é um aeroporto fora de seu tempo, ultrapassado, fora das normas.

    Na Pampulha não temos uma área de amortecimento de ruídos, pois os administradores simplesmente não planejaram o futuro, e agora todos os bairros vizinhos estão dentro da área de amortecimento de 75Db.

    Existem absurdos na Pampulha como os helipontos a 100 metros de residencias, enquanto a legislação requer pelo menos 300 metros de distancia.

    Para operar um aeroporto não significa ter apenas uma pista e um terminal, ois é necessário ter uma infraestrutura que evite os impactos ambientais, lembrando que aeroportos são empreendimentos de alto impacto ambiental, e incompatível com áreas residenciais.

  4. A Pampulha pode oferecer uma maior competitividade a nossa economia. Nao tem como ter muitos voos. E menos ainda muitos destinos. Tem de ter taxa de embarque cara em ate tarifa. Mas com voos limitados e so para Sao Paulo (Congonhas) e Rio (SDU) nada atrapalha Confins. Para ter dois areportos como Confins tem de ter 20 milhoes, mas para usar Pampulha sera um milhao e o outro com menos de dez milhoes. Esta aberto e o custo ja sendo pago.
    Sobre o 777 nada entendo mas parece que foi um excelente trabalho do piloto. E pelo menos uma vez Confins recebeu um aviao que nao pousa na Pampulha.

  5. Quanto maior o número de voos em um aeroporto, consequentemente mais conexões ele terá. Equação simples. Confins “disputa” atualmente com Viracopos – e perde – o posto de principal hub da Azul e de cargas. Se o fanfarrão do Kalil continuar com essa estupidez de ressuscitar Pampulha será um retrocesso e um tiro no próprio pé. O senhor, este blog, sempre volta neste assunto. Pare de atrapalhar a nossa economia.

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