Taxi convencional pode reconquistar o espaço perdido para os aplicativos

O aplicativo Uber chegou no Brasil em 2016 e a  primeira capital a implantá-lo foi a cidade do Rio de Janeiro. A proposta se valia de serviços diferenciados aproveitando o buraco deixado pelos táxis convencionais que se acomodaram. Primeiro foi à tarifa mais barata, seguida de serviços diferenciados, carros novos, limpos, com serviço de bordo e motoristas alinhados. Até os porta-malas eram impecáveis. Estava descoberto “o segredo” para o sucesso na praça.

Mas bastou o serviço se popularizar para a qualidade despencar. Não existe hoje controle rígido sobre os serviços do Uber e Cabify. O preço também deixou de ser diferencial. E este é o “x” da questão: É o momento da reinvenção do taxi convencional e a reconquista da confiança de passageiros insatisfeitos com os serviços dos aplicativos, especialmente os “x”. Uber e Cabify entraram no mercado aproveitando se das lacunas e do desleixo do profissional da praça com os pequenos detalhes que fazem a diferença.

Detalhes como o palito no canto da boca depois da refeição feita dentro do próprio veiculo; a calça jeans velha e surrada, ao invés do uniforme escovado; a camisa do Galo ou do Cruzeiro no lugar da camisa branca e a gravata; o chinelo ao invés do sapato engraxado. O bom “chofer de taxi” deixa o futebol e a rádio Itatiaia (que 99% aprecia) para quem gosta, e sintoniza na frequência do seu passageiro, ainda que este seja um apreciador de musica clássica bem baixinho. É hora de uma mudança de postura, de uma lapidada no palavreado; uma repaginada no visual. Chega de improviso, de vaidade e de falta de profissionalismo.

É no taxi que o turista, seja ele executivo a negócio ou o jovem a lazer toma os primeiros contatos com a cidade. Um bom taxista é também um excelente guia de turismo, gastronomia e de compras. As maravilhas da capital, seus pontos turísticos, monumentos, endereços nobres precisam estar na ponta da língua enquanto o taxi desloca pela cidade. A não ser que a preferência do passageiro seja o silêncio, e ele tem direito.

É hora também de escovar os dentes, a língua e o cabelo, antes de sair de casa. É hora de fazer a barba, cabelo e o bigode, transformando o ganha pão em um templo, limpo, cheiroso e pronto para transportar a senhora, o executivo de terno que não quer nem passar perto de carro empesteado de cigarro, o jovem e a mocinha bonita, com respeito e profissionalismo.

O táxi pode, se houver organização e treinamento ser um serviço customizado que atende a todos os gostos. Existe um mundo de oportunidades para os profissionais da praça, desde que eles parem de fazer mais do mesmo. A Belotur (PBH) a BHTrans e os sindicatos também precisam sair do lugar comum compreendendo a importância dos serviços de táxi para o sucesso de BH. Menos punição e mais treinamento, é o caminho.

José Aparecido Ribeiro

Jornalista – DRT 17.076-MG

jaribeirobh@gmail.com – 31-99953-7945

18 comentários em “Taxi convencional pode reconquistar o espaço perdido para os aplicativos

    • Caro João, vou pegar carona no seu post para publicar carta de um grupo de taxistas leitores do Blog, que estão com um recado para os colegas e para as autoridades. A carta foi enviada pelo taxista Haroldo.

      CARTA ABERTA AOS COLEGAS TAXISTAS DO SISTEMA DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS DE BELO HORIZONTE

      Somos um grupo de taxistas preocupados com a categoria e resolvemos fazer esta carta aberta
      para alertar e apelar aos colegas em relação à situação vivida por nós nos últimos anos. Estamos passando por dias difíceis devido à recessão que assola o país, o grande número de desempregados e a concorrência dos aplicativos em Belo Horizonte. Estamos evitando a verdade sobre vários assuntos e o primeiro deles é que a nossa liderança Sindical, perdeu a guerra para o grande capital de corporações como o Uber, Cabify e tantas
      outras. Ficamos na ilusão de que o Congresso, o Senado ou a Prefeitura estabelecessem normas mais rígidas para a entrada desses aplicativos, o que não aconteceu. Hoje, em São Paulo, são 250 mil, no Rio de Janeiro são 100 mil e em Belo Horizonte são mais de 60 mil carros fazendo o mesmo serviço dos taxis e sem regra alguma. Quando da votação da Lei o presidente mundial do Uber esteve pessoalmente com o presidente do Senado e com o Ministro da Fazenda para exercer pressão e eles se curvaram aos interesses da multinacional Americana. A partir daí o taxi foi descaracterizado a favor do lucro fácil de empresas de aplicativos. Desprezaram a profissão do Taxista, reconhecida por lei e a própria mobilidade urbana. Antes um serviço com regras e controle e hoje um palco de pirataria predatória que não melhora em nada para o usuário e piora a qualidade de vida das cidades. Estamos aguardando, há mais de três anos, uma proposta dos nossos representantes para a viabilização do Taxi. Porém quase nada aconteceu. Diante dos fatos precisamos parar de lamentar e tomar atitudes para que nossa categoria possa sobreviver. Do contrário pode ser o fim em pouco tempo.

      1 – APLICATIVO
      Não dá mais para trabalhar sem um aplicativo. Os passageiros querem a comodidade do carro na sua porta. Usar aplicativo dos concorrentes não é a melhor opção. Fazer concorrência dentro da própria categoria não é ético e distancia ainda mais de uma solução em benefício de todos. Precisamos estar unidos e cobrar dos nossos representantes soluções mais rápidas antes que seja tarde demais.

      2 – BANDEIRA 2

      Quem trabalha à noite e nos finais de semana, horário da bandeira 2, já perderam os passageiros para os aplicativos. Não faz mais sentido essa tarifa.

      3 – TAXA DE RETORNO
      Quase ninguém pratica porque se tornou inviável a cobrança.

      4 – TARIFAS DO TAXI
      A tarifa do taxi é justa e de acordo com os custos de manutenção, mas diante da realidade atual do país e da concorrência dos aplicativos, não vemos outra alternativa senão baixar temporariamente nossos preços, para toda a categoria, a exemplo do que é feito pelas cooperativas de Taxi e pelos pontos com telefone. Não podemos ter concorrência dentro
      da própria categoria. Muitos taxistas aceitam trabalhar com aplicativos com descontos de 20%, 30%, e até 40%, além de receber através de cartão de credito, mas não concordam em baixar a tarifa do taxi. Não dá para entender!

      5 – REDUÇÃO NA TARIFA
      Nossa sugestão é dar uma redução no taxímetro de 30% (Trinta por Cento) para todos os taxistas. Para isto é necessário que o Sindicato convoque a categoria para uma assembleia geral. Seria oportuno que fosse na próxima aferição.

      6 – APLICATIVO TXS2
      O aplicativo TXS2 poderia ter sido a solução para nós taxistas, mas infelizmente deu muito problema no lançamento e ficou desacreditado pelos taxistas e pela população que tentava baixar e não conseguia. Para ter credibilidade novamente vai demorar um bom tempo. Na última aferição, percebemos que o Sindicato perdeu uma grande oportunidade
      de ter uma mesa com uma pessoa vendendo a ideia do TXS2. Em um mês toda a categoria passou por lá. Outras empresas aproveitaram a oportunidade para venderem seus produtos.

      6 – SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO COM A CATEGORIA
      Não é normal ver um dirigente sindical procurar um ponto de taxi para conhecer as nossas necessidades. As informações inerentes à categoria são recebidas através dos colegas de forma distorcidas e atrasadas. O Sindicato poderia fazer muito mais pela categoria se agisse dessa forma e em consequência teria muito mais associados.

      7 – DICAS DE BOM ATENDIMENTO
      E para finalizar, não poderia deixar de repassar algumas dicas de bom atendimento ao passageiro.
      a) Limpeza do carro – A primeira coisa que o passageiro vê ao pegar um taxi é o seu carro. Então procure mantê-lo limpo por dentro e por fora. A primeira impressão é a que fica.
      b) Sua Aparência – Manter a boa aparência é fundamental. Faça sua barba, corte os cabelos, as unhas e procure vestir-se de forma adequada. O passageiro observa esses detalhes.
      c) Evite assuntos polêmicos – Fuja de assuntos polêmicos como: Futebol, Religião, Política, etc. A conversa deve ser iniciada pelo passageiro e não pelo motorista. Tem passageiro que prefere manusear o celular, alguma atividade de trabalho ou mesmo não estar a fim de conversar. Respeite sua vontade.
      d) Gentileza nunca é demais – Ao receber o passageiro, abra a porta do carro para ele, ajude-o com as sacolas ou malas. Espere-o entrar e feche a porta com delicadeza. Ao ligar o carro pergunte se ele quer que ligue o ar condicionado. Música ou rádio só se ele pedir. Dirija com prudência e com respeito às Leis de Trânsito. Ao descer proceda da mesma forma. Dê a ela a opção de pagar com cartão de débito ou crédito. Agindo
      assim ele vai ter uma boa recordação de você e da categoria.
      Se você é favorável a estas propostas, ajude-nos a divulga-las através dos grupos de WhatsApps, nas conversas com o seus colegas ou nos pontos de taxi. Não vamos permitir que nossa categoria acabe por falta da nossa união.

      Belo Horizonte, 22 de novembro de 2018.

  1. Dizem que os aplicativos devem se adequar aos táxi e penso janeiro altamente ao contrário.
    Breve embarco para San Diego e Los Angeles e lá vou todas as novidades dos aplicativos.
    Eles vieram pra ficar e reconheço que tem que melhorar….e muito
    Mesmo assim e infinitamente melhor que um táxi, a começar pelo tratamento.
    Taxistas com algumas excessões são altamente mal educados e se acham donos deste mercado.
    O Uber deu certo no mundo todo, será que nao dará certo em BH ?

    • Pura hipocrisia, só foram melhores quando existia o Black, pois este serviço, ( diga-se culpa da inoperância da BHTrans) por não ouvir o clamor dos taxistas.
      Após o extermínio do Black a Uber e os similares caíram vertiginosamente para o que dia em um passado distante foi o modal ” chofer de praça”.
      Quando não havia nenhuma regulamentação, coicidentemente como é hoje o serviço ilegal oferecido pelos aplicativos.
      Nós taxistas de BH absorvemos a enorme gama de tecnologia, ou seja toda tecnologia ofertada ao táxi essa foi absorvida prontamente.
      Em 2011 já existiam aplicativos funcionando cooperativas, só não foi amplamente divulgado por uma questão financeira.
      Então não há a de se dizer em modernidade nessa questão, ouve sim um retrocesso para os anos 50 quando ainda não existia o serviço de táxi regulamentado.
      Cabe também dizer que vivem a margem da lei com a anuência do corrupto poder público e com o judiciário assinando em baixo.

      • Sou taxista a 35 anos criei minha família no táxi amo o que faço e faço com carinho tecnologia desde a primeira que foi o telefone nós acompanhamos depois vieram os aplicativos também atendamos e muito bem mas aí entrou a impresa covarde que tentou nos jogar na lama e jogou a gente junto com os usuários nesse caus que está todo o trânsito de Belo Horizonte quer disser você é a inganado a todo momento Sr passageiro vossa excelência sabe por acaso o que é preso dinâmico bom o táxi nunca teve vossa excelência sabe o que é tornozeleira no pé o táxi nunca teve continuamos a trabalhar onestamente até hoje nosso dinheiro que ganhamos com você Sr passageiro fica todo aqui no Brasil não mandamos nenhum centavo para os Estados unidos ele fica aqui para gastarmos no supermercado comércio em geral pizzaria etc mas a corrupção no país é forte por isso é que esse lixo não foi banido do país você eu ninguém mais trafega na cidade que não é deles mas dominaram com seu lixo tecnológico e com seus parceiros amarrados no tronco

    • José
      Boa tarde
      O SERVIÇO DE TÁXI em BH, vinha passando por uma mudança positiva a partir de 2011, quando foi sancionada , diga-se de passagem, com décadas de atraso, a lei 12468/2011, que regulamentou a profissão de taxista. Pouco tempo depois o Uber invadiu o país pela porta dos fundos da legalidade, utilizando um misto tático de dumping, a ilusão de um serviço de transporte de luxo a (sic) preços populares (então ilegal), o Uber Black, que deu com os burros n’água, como era de se esperar, pois não existe almoço grátis para prestadores incautos, exceto para o “aplicativo” Uber e assemelhados, que cobrava de 20% a 25% do faturamento bruto desses incautos, premidos pela fortíssima taxa de desemprego vigente em BH e no país.
      Vieram depois o Uber X, o POP, numa onda prevista e dissecada no nosso estudo multidisciplinar editado em formato livro TÁXI X UBER.
      Hoje o sucateamento de ambas as frotas (táxi e veículos privados) é flagrante, um pouco menos dramático ainda no táxi, pois a frota vinha sendo renovada de 3 em 3 anos, conforme previsto em Regulamento municipal.

      Os aplicativos esperavam deslocar definitivamente o serviço de táxi, ao utilizar um modus operandi predatório, mas a resiliência do Serviço de Táxi foi surpreendente. Um fato é inconteste, o TÁXI modal que mais absorveu tecnologia em sua história, até mesmo com o uso de aplicativos (99 ex-táxi, Easy ex-táxi, etc), antes mesmo da invasão da “uberização”, tem se adaptado e reciclado de uma forma notável, fato é que está transformando a crise em crescimento, fazendo jus ao significado etimológico do termo crisis, ou krisis greco-latino.
      O TÁXI nunca mais será o mesmo, será melhor, pois a AÇÃO desses aplicativos NÃO DARÁ CERTO, atuando de forma descontrolada sobre veículos privados, transformando um modal essencial, em “bico”, uma forma esporádica de se apurar algum dinheiro, por desempregados.
      Abraço
      Nelson Prata

  2. Pura hipocrisia, só foram melhores quando existia o Black, pois este serviço, ( diga-se culpa da inoperância da BHTrans) por não ouvir o clamor dos taxistas.
    Após o extermínio do Black a Uber e os similares caíram vertiginosamente para o que dia em um passado distante foi o modal ” chofer de praça”.
    Quando não havia nenhuma regulamentação, coicidentemente como é hoje o serviço ilegal oferecido pelos aplicativos.
    Nós taxistas de BH absorvemos a enorme gama de tecnologia, ou seja toda tecnologia ofertada ao táxi essa foi absorvida prontamente.
    Em 2011 já existiam aplicativos funcionando cooperativas, só não foi amplamente divulgado por uma questão financeira.
    Então não há a de se dizer em modernidade nessa questão, ouve sim um retrocesso para os anos 50 quando ainda não existia o serviço de táxi regulamentado.
    Cabe também dizer que vivem a margem da lei com a anuência do corrupto poder público e com o judiciário assinando em baixo.

  3. Taxi e táxi
    Clandestino sempre será clandestino não importa o que fizerem pra por ele pra rodar com leis! E só olhar os números de crimes cometidos pelo inovação tecnológica!!! E só fazer uma pequena busca no Google e vai ver as barbáries cometidas pelos parceiros!! Pelo Brasil e mundo afora!!!…

  4. Parabens pela materia, a população tomou nojo gratuito dos profissionais do taxi. Todo sistema sempre terá erros a serem corrigidos e o taxi entendeu os seus e esta melhorando, quanto a trabalhar de graça deixe para os aplicativos. Do X ( respeitamos o black) eles sim tem serviço diferenciado o resto é balela de quem troca a vida por centavos de economia.

  5. Como é bom ter alguém, um canal que nos ajude a rever conceitos. Que seja porta voz de uma população que na correria do dia a dia, acaba aceitando o lixo que lhe é imposto. Uma população que está tão acostumada a ser mal tratada que nao se indigna. Nossa apatia é desfavorável a nós mesmos, ao andamento e desenvolvimento da cidade.
    Obrigada e Parabéns José Aparecido pela escolha do tema abordado. Mais um excelente artigo!

  6. Adorei a matéria.
    Pois o texto foi bem direcionado ao serviço regulamentado.
    O serviço de táxi é um serviço mundialmente reconhecido por sua importância na mobilidade urbana das cidades.
    O táxi é um modal de transporte daquela demanda não cativa é um serviço suplementar ao transporte público de grande capacidade como o metrô e o transporte coletivo.
    O táxi é o suporte de um sistema operacional onde cada modal tem o seu papel e sua função dentro do planejamento do trânsito.

  7. Cliente de Uber nunca visou conforto, balinha ou ar condicionado, sempre foi preço! O mesmo executivo, dona de casa ou a bela mocinha que se maravilhava com carros executivos, balinhas e motoristas alinhados hj anda de celta e uno velhos e mal cuidados. Se dizem o contrário é pra tentarem enganar a si próprios e se sentirem com a consciência tranquila. Hipocrisia no mais perfeito sentido.

  8. A qualidade UBER acabou! Antes, dentre outras coisas, a gente entrava no carro com o ar condicionado ligado e a pergunta era básica: “Senhor(a), podemos manter o ar ligado?”. Hoje, nem ar os carros têm mais; e muitos que têm, se ligar o ar, o carro não anda – motor 1.0! Isso, de forma alguma, quer dizer que os taxistas estejam recuperando o espaço perdido… é preciso agir, sendo justo! Antes os taxistas inventaram o absurdo da bandeira 2 em novembro, pq não tinham 13o salário… absurdo! Que profissional liberal o tem? Imaginem se os médicos, pedreiros, engenheiros, logistas começassem a dobrar o valor dos serviços/produtos com a desculpa de que não têm 13 salário?! Pois foram nesses abusos que os taxistas se perderam… se quiserem recuperar alguma parcela do espaço perdido, precisarão começar por serem justos.

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