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Jornalista - Reg. DRT: 17.076/MG - Licenciado em Filosofia, Administrador, MBA em Marketing, estudioso de temas urbanos. Membro da Comissão Técnica de Transporte da SME . Membro do Observatório da Mobilidade. Consultor em Assuntos Urbanos. Articulista e Colunista das revistas MINAS EM CENA, MERCADO COMUM E EXCLUSIVE.

O Rio precisa além do exército, que a engenharia e a política entrem para ficar nos morros.

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O presidente Michel Temer, em decisão acertada, assinou decreto de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, o que já deveria ter acontecido há tempos, em que pese a turma do “deixa disso” não enxergar o tamanho do problema e criticá-lo tentando desqualificar a ação. Ao nomear um Interventor, General Braga Netto, Temer chama para si a responsabilidade pelo caos. Vai resolver? Não sei. Podia ficar como estava? De certo que não. Portanto palmas para o “mordomo”.

O Rio não chegou ao fundo do poço de uma hora para outra, foram décadas de omissão, falta de compreensão das autoridades e da própria população sobre a essência do fenômeno. Tem muita gente para criticar, jogar pedra, poucas para propor soluções factíveis e de longo prazo. A degradação não ocorreu só nas forças de segurança e no comando político do Estado. A população também é responsável, foi conivente, fez vista grossa, romantizou o tema e contribuiu para o estado lastimável de degeneração da “Cidade Maravilhosa”.

O problema do Rio não é só de polícia, mas de política, falta da boa política. Não sou especialista em segurança pública, embora como presidente de CONSEP em BH por dois mandatos, (4 anos) tive oportunidade de entender um pouco do assunto e participar ativamente da elaboração de estratégias de policiamento comunitário com foco em cenários de criminalidade. Não sou leigo e nem mero palpiteiro, falo com tranquilidade como estudioso de problemas urbanos.

Posso afirmar que a falta de segurança no Rio está relacionada à questão da ocupação desordenada do espaço geográfico, a degradação no tecido urbano. Pasmem, mas 2,5 milhões de pessoas moram de forma indigna em aglomerados inabitáveis, na cidade e na região metropolitana da capital fluminense. A falta de eficácia nas ações de segurança está relacionada também e principalmente à questão habitacional. A privação de moradias dignas. Um terço da população vive como se vivia na idade média, sem infraestrutura adequada. É nas favelas que o crime organizado se esconde.

Elas somam mais de 1.200, e são o lar de milhões de pessoas que não tem qualquer ligação com o tráfico ou com as milícias que disseminam o terror. Porém, é neste cenário de degradação do espaço que o crime ganha corpo, acaba dominando e exercendo influencia. Se usarmos a lógica simples para tirar conclusões, é possível deduzir que sem mudança de cenário, nenhuma ação de segurança surtirá efeito de longo prazo. Ocupar os morros com tropas não muda a cara dos morros, e eles precisam se transformar em locais habitáveis para que haja paz, esperança e vida nova para a população.

Com efeito, além do exército, a engenharia, as máquinas devem vir derrubando favelas e edificando novas moradias, novos bairros com infraestrutura capaz de organizar o espaço urbano, devolvendo dignidade à população. Fácil? Não. Impossível? Também não. Onde conseguir recursos? Usando as reservas estratégicas do país. Há meios para isso, se o fenômeno for compreendido e a cidade do Rio for a primeira de várias Brasil afora. A questão habitacional deve ser tratada como assunto de segurança nacional, prioridade que independa de cores partidárias. Nao vale os cubículos propostos pelo programa “minha casa minha vida” para um grupo de 4 ou 6 pessoas, é necessário avançar.

Experiência semelhante foi experimentada com sucesso em Nova York no início do século passado, está disponível para qualquer político responsável e sensato. Singapura, Hong Kong, Kuala Lumpur, e varias cidades asiáticas seguiram o mesmo exemplo de Nova York. Ao qualificar o espaço urbano através de moradias devolveram autoestima para a população. Em espaços onde há cidadania e autoestima o crime tende a enfraquecer, perde força e pode ser controlado.

Se deseja recuperar a Cidade Maravilhosa, os governos municipal, estadual e federal devem imediatamente convocar as instituições, o povo, a engenharia e a indústria da construção civil para uma cruzada contra as favelas cariocas. De quebra, a economia poderá girar, gerando emprego, renda, impostos, iniciando assim um círculo virtuoso de prosperidade. Exército e intervenção militar são apenas paliativos para estagnar a sangria que desatou. Favelas nao podem ser motivo de orgulho, nem tampouco cartão postal. Devem ser motivo de vergonha e atitudes.

*Recomendo a leitura da história do prefeito “Robert Mouses” e seu ousado plano habitacional que mudou a cara de Nova York no início do século passado.

José Aparecido Ribeiro
Jornalista e blogueiro no portal uai.com.br – Consultor em Assuntos Urbanos
Colunista e articulista das revistas Minas em Cena, Mercado Comum e Exclusive
DRT MG 17.076 – jaribeirobh@gmail.com – 31-99953-7945

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12 comentários em “O Rio precisa além do exército, que a engenharia e a política entrem para ficar nos morros.

  1. Os problemas do RJ sao drigas e arma entos que entram e e preciso estancar p/ poder reconstruir o tecido da sociedade wue está corroído principalmente pelas drogas. O problema habitacional foi ignorado, pq os políticos canalhas que sempre desgovernaram o RJ fizeram vistas grossas . Os morros foram sendo ocupados e a situacao tornou-se incontrolável . A intervencao federal que acontece nao ira resolver um problema que há anis corroe as entranhas da cidade que um dia foi maravilhosa. Mas tem que começar.

  2. Concordo com vc são milhares de pessoas honestas que por não ter condições financeiras moram ali para sustentar suas famílias. O que deturpa o Rio de Janeiro é que por ser uma cidade turística o tráfico de drogas é grande e a corrupção tb.

  3. NÃO PRECISO DIZER MAIS NADA À NÃO SER PARABENIZAR O SR. JOSÉ APARECIDO RIBEIRO PELA BRILHANTE MATÉRIA.
    PRECISA DE POLÍCIA MAS, TAMBÉM, DE POLÍTICAS PÚBLICAS, PUNIR CORRUPTOS E IMPLANTAR UMA SÉRIE DE MEDIDAS QUE VISEM A MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DO BRASILEIRO.
    SEGURANÇA PÚBLICA, HOJE, NO BRASIL, É UM PROBLEMA QUE TEM QUE SER ENCARADO COMO O NÚMERO UM

  4. O QUE O RIO PRECISA, É DE GRANDES CARRETÉIS DE LINHA E MUITAS AGULHAS PARA COSTURAR A PERERECA DAS PARIDEIRAS QUE ENCHEM OS MORROS DE BASTARDINHO. SIMPLES
    ASSIM

  5. O carioca sempre foi o esperto,o malandro e o tempo está provando que não é bem assim.O Rio é o filho mimado,sempre recebe o melhor às custas dos outros estados.Não faltou dinheiro para os grandes eventos,dinheiro de Brasília,dinheiro público, e o resultado todos já sabem.A verdade é que que a Rede Globo é a grande beneficiária e culpada,em parte,pois a mesma quer transformar todos os Brasileiros em cariocas.Os bandidos do Rio são os mais famosos;o carioca vale mais que todos os outros Brasileiros e vai por aí à fora.A classe artística sediada no Rio se acham acima do bem e do mal,formadores de opinião,opinião que não leva a nada.Os Políticos cariocas são o que há de pior e no entanto conseguem ter mais poder que os de MG que são em maior número.E os mineiros ainda reforçaram o time dos Políticos cariocas elegendo um senador a mais para o Rio.Não tenho dúvidas em afirmar que será um fiasco total a intervenção na Segurança Pública do RJ.

  6. Correto.Político tem grande interesse em manter tudo como está porque, nas próximas eleições despejam promessas e mais promessas para cima dessa gente,e quando eleitos trabalham em benefício próprio (Vide Cabral).Depois aparece um outro gênio e cria a Polícia Pacificadora,transferindo os problemas para os ombros dos policiais.O grande problema não são os bandidos nas favelas,esses podem ser destruídos,o problemas são os bandidos travestidos de políticos.

    1. Verdade meu amigo! Essa corja de “politicanalhas” bandidos não têm interesse em melhorar o país, os interesses dessa máfia somente giram em torno do bolso recheado por desvios e propinas.

  7. Concordo com o que você disse e acrescentaria, se alguém ainda não acrescentou acima, que as favelas estão sendo enaltecidas pela mídia. Há tours pelas suas vielas. Ou pelo menos havia até um tempo. Conheço pessoas que saíram de Minas e passearam no Alemão, como quem passeia na Quinta Avenida ou na Champs -Élysées. Não dá certo.

  8. Muito triste a situação de extrema violência em que se encontra o Rio. E não apenas a capital e região metropolitana, o tráfico já toma também o interior.
    Os arrastões, cenas de violência, comércios saqueados, agressão sofrida por moradores e turistas durante o carnaval, evidenciou a grave crise que atinge a segurança pública e o panorama de horror que assola a cidade.
    A intervenção militar, embora seja uma medida paliativa, traz um fio de esperança. O maior desafio é que as pessoas inocentes, trabalhadoras, do bem, sejam poupadas neste cenário de guerra.
    Parabéns José Aparecido, por mais um admirável artigo. Você demonstra total domínio do assunto, ao descrever fatores que explicam como o Rio chegou a este estado de decadência e apresenta soluções plausíveis.

  9. Não precisa o morro da política, não essa política eleitoreira e corrupta, precisa, sim, o morro de políticas públicas, polítcas essas viabilizadoras de saneamento básico, emprego, renda, habitação, infraestrutura de saúde, transporte e lazer. No dia que o Estado brasileiro se identificar com os anseios da coletividade de seus cidadãos, a violência do crime organizado de desmonta. Aliás, a quem interessa essa imundice do crime organizado, será que não temos políticos e empresários, autoridades dentro do Estado que também estão associados ou comandam o crime organizado no país?

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