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Jornalista - Reg. DRT: 17.076/MG - Licenciado em Filosofia, Administrador, MBA em Marketing, estudioso de temas urbanos. Membro da Comissão Técnica de Transporte da SME . Membro do Observatório da Mobilidade. Consultor em Assuntos Urbanos. Articulista e Colunista das revistas MINAS EM CENA, MERCADO COMUM E EXCLUSIVE.

Mesmo com 20% a menos na frota de veículos, o Portal Sul de BH dá sinais de saturação.

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Embora haja uma redução de 20% de veículos nas ruas de BH em virtude do período de férias, algumas regiões dão sinais de saturação. É o caso do “Portal Sul, com destaque para o trevo do BH Shopping. O local tem retenções permanentes para quem desce a BR 356 em direção a Av. Raja Gabaglia, o trevo, construído há mais de 40 anos, não suporta mais o volume de veículos, e espera por intervenções de engenharia.

É ponto pacifico que o trânsito de BH está travado e que a “i-mobilidade urbana” reina absoluta por todas as regiões. São mais de 150 pontos de estrangulamento que esperam por engenharia. Porém a engenharia está divorciada de BH. As poucas intervenções realizadas durante a Copa do Mundo de 2014 não tiveram efeitos práticos sob a fluidez do trânsito, e a falta dela causa congestionamentos cada vez maiores, mais estressantes e insuportáveis, que geral prejuízos para economia e para a saúde do belo-horizontino.

Recentemente a CNT (Confederação Nacional dos Transportes) divulgou dados reveladores que deveriam nortear as ações do gestor do trânsito e do prefeito, pois traduzem o desejo da população: BH é a cidade do Brasil com o pior trânsito. A pesquisa mostra em números o que todo cidadão belo-horizontino conhece na prática. A taxa de motorização da cidade é de 65%, a maior entre as capitais.

Significa dizer que o automóvel é meio de transporte de 1,7 milhões de pessoas, em uma população de pouco mais de 2,5 milhões. Esperneios à parte, dos que defendem uma cidade “ideal”, sem carros, trata-se de uma escolha que deveria ser respeitada, e não ignorada, sob a alegação de que o correto acredite amigo leitor, é andar de BRT ou bicicleta. Cômico, se não fosse trágico, basta ver o clima e a topografia da capital.

Este erro grave de interpretação do desejo original da população custa caro para o meio ambiente, para o bolso de quem usa carro, e torna o ato de ir e vir um verdadeiro martírio. Congestionamentos são atrasos de vida. Se é possível piorar, então vamos lá. O Plamob (Plano de Mobilidade 2008/2030) prevê tão somente BRT e ciclovias para uma cidade que caminha em direção a 2 milhões de veículos. Pasmem, não existem planos capazes de enfrentar o problema e devolver fluidez ao trânsito. A BHTRANS espera que a população mude hábito, passe a andar a pé, de bike ou de BRT.

Você já deve ter ouvido que a cidade é para as pessoas. De fato ela é para quem está a pé, de bike, de ônibus e para quem está de carro. No entanto, todas as ações em curso são no sentido de restringir e exorcizar o carro, como se ele fosse conduzido por ET´s. Na medida em que as obras capazes de evitar retenções de tráfego são preteridas, o passivo se agrava, tornando-as mais caras e complicadas de serem realizadas.

Exemplos não nos faltam, mas vamos ao trevo do BH Shopping, cuja construção ocorreu no final da década de setenta, (do século passado) quando a frota de veículos da cidade era de pouco mais de 200 mil unidades. O local, todos sabem, nunca recebeu intervenções de engenharia em 42 anos, e não suporta mais o volume de tráfego. Nem o asfalto é tratado. Lá existe um funil que desafia a lógica, o bom senso e a física .

Isso vale para o cruzamento da Av. Raja Gabaglia com Av. Barão Homem de Melo, cujo volume é de mais de 80 mil veículos dia. Trata-se de um dos mais importantes corredores que distribui o transito da zona sul para o restante da cidade. É também acesso exclusivo ao bairro mais populoso de BH, o Buritis. Não menos importante é o trevo que dá acesso ao Belvedere a ao Sion, em frente à Favela do Papagaio.

Nos três casos a topografia “ajoelha”, pede “pelo amor de Deus”, facilitando o trabalho da engenharia, mas não se vê qualquer movimento que sugira intervenções (obra virou palavrão para a “turma do deixa disso” que dirige o tema mobilidade). Dispensa dizer que os três gargalos crônicos do Portal Sul não aceitam mais “puxadinhos”, pois estão saturados.

A cidade cresceu sua frota de veículos também, porém a sua infraestrutura e mentalidade de quem nos governa permanece a mesma há 50 anos. Chego a pensar que a política do quanto pior melhor é a que norteia as ações dos “especialistas”, pois a população mostra através de pesquisas, o seu desejo, mas eles calçados em discursos politicamente corretos, seguem achando que são os verdadeiros donos da verdade.

José Aparecido Ribeiro
Jornalista – Consultor em Assuntos Urbanos – DRT – 17.076 – MG
Membro da Comissão Técnica de Transporte da Sociedade Mineira de Engenheiros
Membro do Grupo Executivo do Observatório da Mobilidade de BH
Articulista nas Revistas Minas em Cena, Mercado Comum e Exclusive
Blogueiro no portal uai.com.br – blog sosmobilidadeurbana
jaribeirobh@gmail.com – 31-99953-7945

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5 comentários em “Mesmo com 20% a menos na frota de veículos, o Portal Sul de BH dá sinais de saturação.

  1. Realmente BH precisa ser revista no setor de mobilidade e independente do portal sul . Vivemos no caos no centro , norte , oeste enfim a população cresceu mas as avenidas continuam as mesmas

  2. Quando os representados pela ACMinas assumirem o ônus por serem empreendimentos atratores de carros e veículos, talvez seja possível conversar.
    Provincianismos à parte da PBH, q acha q aqui é Amsterdam, não vejo nenhum grande empreiteiro, construtor, assumindo o ônus de seus empreendimentos, vide Leroy Merlin 040, Extra Belvedere (não me chame aquela alcinha de contrapartida), BH Shopping q hoje tem 4 andares qd tinha apenas 1 ou 2 nos anos 70 qd foi inaugurado.
    Por outro lado, BHTrans faz exigência incabíveis. Quer menos carros, mas não abre mão de pedir trocentas vagas de estacionamento em empreendimentos representados pela ACMinas.
    Vagas q só são utilizadas, no muito, no Natal.
    É engraçado defender os veículos, qd não se assume o ônus, q é de todos, independente de a população querer andar de carro (faço parte desse meio q só quer andar de carro tranquilo no ar condicionado).
    O q falar do Vale do Sereno, Av. Oscar Niemeyer e adjacências, q de Nova Lima só é geograficamente, pois ali é só extensão de BH. Acha q aquela vergonha da MG-030 aguenta?

  3. Entra ano, sai ano, e continuamos sem expectativa de melhores condições de mobilidade em BH. Isso deve se claramente à total falta de competência, sensatez e comprometimento dos que deveriam ser responsáveis (e não são) , por viabilizar melhores condições para que as pessoas se desloquem na cidade. Tanto você José Aparecido em suas matérias, quanto nós leitores em nossos comentários , parecemos repetitivos e óbvios. Mas o trânsito se tornou uma das maiores dores de cabeça para a população. A situação agrava, resultando em estresse, desentendimento entre motoristas, perda de tempo, infrações….
    Não deveríamos aceitar ser tratados com tamanho descaso.
    Parabéns por nunca desistir!!!

  4. O engraçado que a reclamação é idêntica para quem não utiliza carro como meio de transporte que é a minha situação.

    Não há ciclovias na cidade, não há tempo suficiente para pedestres atravessarem avenidas, não há faixas de pedestres em locais necessários e não há nenhum investimento em outras formas de transporte que não pensando em se deslocar por meio de veículos, sejam individuais ou ônibus.

    Os ônibus são caminhões fantasiados de transporte de pessoas que se amontoam uma sobre as outras e sem um mínimo de segurança.

    BH, assim como MG, é prejudicada por escolhas nossas durante eleições que não nos preocupamos em buscar melhores alternativas que não sempre as mesmas, dando a velha desculpa de que “temos que votar no menos pior”. Por isso estamos parados no tempo enquanto as demais capitais do Brasil se movimentam.

    Aqui em BH há uma briga inútil entre motorizados e não motorizados, ao passo de todos se unirem e cobrarem de quem é responsável, pois nós somos apenas dois lados de uma mesma moeda.

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