Sobre as 24h de Daytona

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Então começou neste fim de semana uma nova era na endurance norte-americana, com a 52ª edição das 24h de Daytona marcando o sinal verde para o United Sports Car Championship. Por 11 longos anos quem optou pela American Le Mans Series ficou longe do circuito da Flórida e os resultados perderam boa parte do significado, assim como os grids nunca foram tão grandes num lado e no outro (Grand-Am) quanto poderiam ter sido. Mas não se tratava apenas de “turbinar” um dos lados, como ocorreu na Indy, e sim tentar um sistema que fosse o melhor dos dois mundos. E não é de hoje que eu vinha falando sobre a dificuldade da IMSA, o órgão regulador, de encontrar um meio caminho que deixasse os LMP2 e os Daytona Prototypes em condições de igualdade.

Imagino que todos os organizadores tenham suspirado de alívio tão logo a bandeira quadriculada foi mostrada. Sim, é bem verdade que os quatro primeiros ao fim da maratona de duas voltas do relógio foram DPs, mas era de se esperar pelo confronto numérico (11 a 6), bem como pela configuração, ainda que limitada pelo Balance of Performance (BOP). Só lembrar que, enquanto os “arcaicos” chassis tubulares movidos pelos poderosos V8 limaram o asfalto de Daytona nos últimos anos, os modernos LMP2 ficaram por quase uma década longe da pista, o que certamente pesa na hora de encontrar as regulagens ideais, quanto mais num traçado com trechos do oval inclinado. E, tirando o temporal de Sebastien Bourdais (1min39s180), a melhor volta dos DPs e LMP2 ficou na casa de 1min39s8. O que mais poderia se esperar do que uma vitória definida por incrível 1s461?

Por enquanto não houve choradeira no aspecto técnico, e nem é de se esperar. Em Sebring o favoritismo é dos P2, mais estáveis no asfalto ondulado, mas a briga promete ser a mesma. E assim também nas demais categorias, em que não faltaram candidatos à vitória (Porsche e Corvette faziam um duelo à parte na GTLM, até que os C7R, que estreavam, sentiram o menor tempo de desenvolvimento.

Bem verdade que tivemos o sério acidente entre Memo Gidley e Matteo Malucelli (o norte-americano nada pôde fazer diante do carro do italiano praticamente parado) e a definição na categoria GTD foi primeiro para o tapetão (Audi), voltando em seguida para o veredicto da pista (Ferrari).Fora isso, no entanto, uma prova que satisfez as expectativas e deixou uma impressão interessante.

Melhor ainda que, entre os 49 países representados, o Brasil fez bonito. Christian Fittipaldi confirmou, se é que ainda havia necessidade, a condição de especialista em clássicas – foi o segundo triunfo em Daytona, ao qual se soma um nas 24h de Spa-Francorchamps. Desta vez, ao lado do igualmente veloz português João Barbosa e do versátil e craque francês Sebastien Bourdais. E Rafa Matos, que já havia sido o melhor na GT em 2008, voltou ao pódio tendo a seu lado os estreantes (na prova) Júlio Campos e Gabriel Casagrande. Sinal de que continuamos sabendo como fazer dentro da pista. Fora dela é outra história.

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