Pra não dizer que não teve coluna…

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Ok, como publicado na edição do Estado de Minas que sucedeu o GP da Coreia do Sul, a coluna está de férias no papel, o que não impede que ela dê as caras no blog, para falar de uma corrida surpreendente. Sim, eu concordo que o GP da Índia do ponto de vista da emoção foi nulo, quase uma repetição do que se viu em Yeongam, e é justamente aí que se concentra a surpresa. No ano passado lembro que comentei sobre o desenho do traçado de Buddh e como ele proporcionou emoção, ultrapassagens, erros.

Pois, se desta vez não houve zebras danificando carros (ainda bem, não é, senhor Felipe Massa), o que se viu foi um festival de pneus furados, consequência justamente da configuração escolhida pela equipe do arquiteto Herman Tilke quando pensou em dar uma característica à pista. Em vários pontos não há aquele trilho fora do qual tudo o que existe são pedaços de borracha e sujeira, é possível ser um pouco mais ousado e tentar, por assim dizer, caminhos alternativos. Mas é nessa brincadeira que as asas dianteiras tocam os pneus traseiros e ocorre o que se viu ontem.

Passar mesmo só com a ajuda do DRS, diferentemente de 2011 e apesar das configurações aerodinâmicas distintas encontradas pelas equipes (a Lotus apostou em mais asa, a Ferrari em menos). E não por acaso os dois nomes do domingo foram respectivamente, líder e vice-líder do Mundial. Sebastian Vettel fez uma corrida a la Vettel (2011), o que deixa a pulga atrás da orelha entre os adversários. Todas as artimanhas de Adrian Newey foram repreendidas pela FIA, depois de denunciadas pela concorrência, e o carro é o mesmo que perdeu boa parte da pressão aerodinâmica no difusor depois que foi proibida a colocação das saídas dos escapamentos em locais, digamos, “exóticos”. Continua não sendo nenhuma maravilha em velocidade de reta e, se compensa nas curvas, não deveria fazê-lo nos mesmos níveis do ano passado. Que tem coisa, tem, pois Newey não é de pregar prego sem estopa (o duplo DRS, por exemplo), mas provavelmente não é nada de outro mundo, capaz de valer vários décimos de segundo.

O que mais parece é que o time do Touro Vermelho recuperou a calma e a confiança diante de uma McLaren que não consegue ser constante (e deixou de ser gentil com os pneus, o que era uma de suas forças), e de uma Ferrari que, não dá para esquecer, comemorava com direito a repicar dos sinos em Maranello quando largava entre os 10 primeiros. Do jeito que as coisas começaram em Melbourne, não era para Alonso estar com o tricampeonato na alça de mira, e a vantagem que chegou a ser de 40 pontos era totalmente irreal, fruto das circunstâncias. O F2012 evoluiu muito, mas seria demais querer que ele se tornasse o carro a ser batido. O espanhol e a Scuderia estão agora na condição daqueles times de futebol que não dependem apenas dos próprios resultados. Em Abu Dhabi, o principal desafio será não deixar a diferença crescer ainda mais, para jogar com o desconhecido dos EUA e a possibilidade de uma boa corrida em Interlagos, onde até mesmo a chuva pode decidir as coisas (vide 2008, de triste lembrança). É esperar que pelo menos a emoção retorne, o que é complicado no kartódromo das mil e uma noites de Yas Marina…

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