O problema do “Fail 22” – Coluna Sexta Marcha (GP da Hungria)

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*** Como é meu compromisso e o do blog, reproduzo a coluna tal e qual ela foi publicada no Estado de Minas de segunda-feira; antes, portanto, da troca de farpas entre Ferrari e Fernando Alonso, tratada no post abaixo…

O problema do “Fail 22”

Eles são diferentes em muitas coisas: nacionalidade, idade, estatura, percurso até a F-1. Um venceu nove vezes e largou em 11 GPs na pole. O outro, respectivamente 11 e 15. Um já foi terceiro no campeonato, em 2010,  quando chegou à última prova com chances de levantar a taça. O outro teve o título nas mãos por instantes, naquele GP do Brasil de 2008 de triste lembrança, não pelo resultado em si, mas pela chance que escapou apesar de tudo. Mark Webber (foto) e Felipe Massa têm algo que os acomuna mais do que possa parecer: são pilotos da “prateleira de cima” da geração atual do circo, só que ambos são obrigados a fazer sombra a dois dos maiores craques da era pós-Senna. E, também por isso, jamais serão campeões mundiais.

Olha que não dá para dizer que o brasileiro tem atenção inferior da Ferrari do que a destinada a Fernando Alonso – afora o fato de que, por motivos óbvios, o asturiano teve a voz muito mais ouvida quando do projeto do F138. Mas é fato que Felipe depende das condições ideais para fazer a diferença. Um pneu que não aquece o suficiente, carga aerodinâmica menor que a esperada; tendência a sair mais de frente ou de traseira ou equilíbrio instável se refletem diretamente no desempenho. O espanhol também sofre, mostrou ontem que não faz milagres, mas sempre consegue tirar uma nesga a mais do equipamento.

Já Webber tem motivos de sobra para não acreditar em tratamento igual na Red Bull. Tudo bem que Adrian Newey miniaturizou as baterias do Kers e definiu sua localização no carro pensando acima de tudo na vantagem aerodinâmica, mas, se os carros são iguais, por que diabos sempre é o nº2 a falhar? Ele não vale um Vettel que, nas condições atuais, conquistaria o tetra mesmo se usasse o carro do personagem Super Mario com que desceu o morro num evento de sua patrocinadora. Mas também demonstrou que, no seu dia, e em pistas como Mônaco ou Silverstone, pode ser imbatível.

Que os dois são obrigados a correr em função dos respectivos companheiros é fato, algo que o brasileiro aceita sem reclamar; o australiano nem tanto (é só lembrar do inesquecível desempenho na Inglaterra, coroado com um ‘nada mau para um número 2’, ou do quebra-pau depois do GP da Malásia deste ano). No fim das contas, o “Multi 21” que deveria ter sido obedecido por Vettel em Sepang se transformou ontem num “Fail 22”, o código para que o nativo de Queanbeyan não se engraçasse na tentativa de bater o companheiro em Hungaroring. Antes que haja um “stop 23”, Webbo decidiu que era o bastante e vai se divertir no Mundial de Endurance. Larga em 10º e termina em quarto. O brasileiro parte em sétimo e conclui em oitavo; e cada vez mais se acomoda com o papel de coadjuvante. Não há nada no horizonte nada que faça supor que vá merecer um ano extra de confiança da Ferrari. Se é verdade que seu empresário Nicholas Todt está envolvido com os investidores que salvaram a Sauber, pode ter uma sobrevida no time suíço. E pouco mais…

Hamilton brilhou, mas…

Sensacional ver Lewis Hamilton confirmar que aposta vista por muitos como arriscada se pagou com juros e correção monetária. Não foram poucos os que esperavam ver o inglês caindo pelas tabelas com o passar das voltas, especialmente na canícula magiar. Ao contrário, as voltas passavam e o desempenho se mantinha, como um relógio. E não havia o que Red Bull ou Lotus pudessem fazer em termos de estratégia para superar a flecha de prata. O senão é que a Mercedes evoluiu bastante na forma de tratar a borracha justamente no fatídico teste solitário de Barcelona, em que o inglês e Nico Rosberg andaram com capacetes descaracterizados. Em alguma parcela ajudou.

Será?

O empresário de Alonso foi visto entrando no motorhome da Red Bull e conversou longamente com Christian Horner, fazendo surgir o rumor de que o bicampeão estaria esticando o pescoço para a vaga que será aberta com a saída de Webber. Sinceramente? Das duas uma: se algo de sério houvesse, não seria nas barbas de todos, além do que seria um desrespeito sem tamanho do piloto de Oviedo, que jurou de pés juntos encerrar carreira na Ferrari. Ou, o que parece mais lógico, é o jeito Fernando Alonso de aumentar a pressão sobre sua atual escuderia e sugerir que seria capaz até mesmo de voltar atrás em sua palavra.

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