Não era o caso de estragar a brincadeira…

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Depois que eu me dignei a comentar a coragem de Nelsinho Piquet em encarar a molecada feroz do Europeu de F-3 no GP de Pau, eis que me vem a comissão de monopostos da FIA, presidida por Stefano Domenicali, e resolve estragar a festa. Negou a autorização ao piloto brasileiro sob a alegação de que isso desvirtuaria o objetivo da categoria-escola, que é o de formar adolescentes para os próximos passos rumo ao topo. Justamente quando eu lembrava que um dos grandes baratos dos anos mais românticos do esporte é que mesmo campeões mundiais não se faziam de rogados e, ao mínimo convite, trocavam a F-1 pela F-2 ou o que mais fosse, um pouco pela questão financeira e muito pelo prazer de acelerar.

Eu achei e continuo achando um tremendo tiro no pé da entidade máxima do automobilismo, que poderia ser menos rígida e se inspirar no que se faz nos EUA. O mesmo Nelsinho foi convidado pela mesma equipe Carlin para disputar duas etapas da Indy Lights ano passado e ninguém gritou. Pelo contrário, isso só aumentou o interesse pela categoria, chamou a atenção, rendeu artigos, fotos, foco. E seria o mesmo com a F-3.

Sem contar que, se alguém tem a perder nessa história é o filho do tricampeão mundial, não seus quase adversários (entre eles o irmão, Pedro). Os meninos estão afiados, conhecem os Dallara como a palma das mãos, passaram horas em simuladores e estão acostumados aos pneus Hankook. Já Nelsinho teria de se readaptar à menor potência, ao carro, conhecer o traçado, evoluir ao longo do fim de semana. Ninguém disse que ele chegaria dando uma aula de pilotagem ou dominando com facilidade – e ele teve humildade suficiente para dar a cara a tapa sabendo que poderia ser dominado pela garotada. E que incentivo melhor para o estrelato poderia ter um moleque que poderia bater no peito e dizer que ganhou de um cara que foi ao pódio na F-1, foi campeão da F-E, duelou com Lewis Hamilton na GP2 e venceu provas na Nascar? No fim das contas, perderam todos em nome de uma norma discutível – engraçado é que, num dado ponto, foi possível um menino de 17 anos disputar um GP de F-1, mas não um cara de 30 bater rodas com a molecada. Pena…

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