Minardi Day: onde os fracos têm vez

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Celebrai, vós que sois defensores dos fracos e oprimidos. Alegrai-vos todos aqueles que não olhavam apenas para as primeiras filas do grid de um GP de Fórmula 1, mas guardavam um terno sentimento de respeito e admiração por quem estava no extremo oposto, muitas vezes com o dinheiro contado e uma vontade imensa de fazer parte do circo, ainda que todos os fatores indicassem o contrário. Neste sábado, em Imola, a escuderia que melhor simbolizou essa luta injusta e, por 25 ininterruptos anos se manteve na elite servindo como trampolim para nomes como Fernando Alonso, Giancarlo Fisichella, Mark Webber e Jarno Trulli, será homenageada com um dia temático daqueles que dá vontade de acompanhar de perto.

Você já viu no título do post que eu me refiro à Minardi, eterna amarelo e ouro das últimas filas, ainda que tenha mudado de cores tantas vezes, quando enfim algum patrocinador de peso resolvia dar uma força. E que outra equipe levaria a um ex-piloto, talvez um de seus principais símbolos, a tomar para si a iniciativa de reunir praticamente todas as máquinas saídas dos galpões de Faenza? Os mais novos talvez não saibam que em 1990, no auge da rivalidade de pneus Goodyear x Pirelli, Pierluigi Martini alinhou na segunda posição do grid para o GP dos EUA, nas ruas de Phoenix, ao lado de Gerhard Berger e à frente de um certo Ayrton Senna, e outros certos Nelson Piquet, Nigel Mansell e Alain Prost. E, mais do que isso, marcado 18 pontos numa era em que se tratava de privilégio dos seis primeiros – depois ainda venceria as 24h de Le Mans com a BMW.

Pois ele convenceu “il padrone” Giancarlo Minardi, hoje consultor do Automóvel Clube da Itália (ACI Sport) para a formação de pilotos, e não foi tão difícil tirar de garagens e coleções os F-3, F-2 e F-1 made in Faenza. Vale também para o período em que o dono passou a ser Paul Stoddart e, principalmente, para os herdeiros intelectuais do espólio minardiano, a Toro Rosso que, como a coroar uma trajetória, finalmente chegou ao alto do pódio, ainda por cima em Monza, comandada por um Sebastian Vettel que ainda viria a ser o que é. Um time que seria o último na categoria de um nome sensacional como o do saudoso Michele Alboreto, ele que, adivinhem, teve sua chance na F-2 graças à Minardi, e voltou muito tempo depois para fechar tão belo ciclo.

Bem verdade que houve pilotos – e muitos – que tiveram a chance de acelerar com os carros italianos graças às bolsas cheias de dólares, mas a Minardi e seu fundador nunca esconderam o fato, ou deixaram de acreditar em pilotos de potencial, mesmo que emprestados por outros times. E a promessa é de que a grande maioria deles estará lá – além de Martini, Fisichella, Trulli, Alessandro Nannini, Gianni Morbidelli, Pedro Lamy, Tarso Marques, Adrián Campos e vários outros. Assim como centenas de apaixonados de todas as partes da Europa com as bandeiras amarelas e pretas, para ver o desfile de glória das máquinas de quem ignorou as circunstâncias e acreditou que, sim, era possível. Eu, se lá estivesse, não só marcaria presença, como ainda iria uniformizado, que a camisa do time é guardada e usada com muito orgulho. Grazie, Minardi…

1989 Minardi-Ford Consworth M189 piloti Sala e Martini - Archivio Minardi Team

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