Meninos, eu vi e andei….

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Cintos afivelados meio na correria, mas bem alojado no banco Sparco, o piloto dá o sinal de OK e o bicho entra em ação. Basta entrar no trecho devidamente fechado para os testes e vem a primeira aceleração, daquelas de grudar as costas no assento e o coração ameaçar sair pela boca – olha que numa máquina de corrida você vai literalmente preso ao assento. Depois de passar por experiências semelhantes ao lado de gente igualmente boa de braço, confesso que (felizmente) não chegou a dar susto. Mas se lado consciente acredita que dá para frear naquela velocidade, ou que o poste na beira do caminho vai ficar ali onde está, o inconsciente demora para acreditar. Mas o bicho acelera, muito. Uma a uma as marchas sobem e descem com perfeição, sem necessidade de pisar na embreagem. Um display luminoso indica a marcha usada e, se o trecho é curto, deu pra ver o número cinco, antes de um salto em curva, descompensado. Foi tentar pensar “ai minhas costas” e o carro aterrissa alinhado, a suspensão faz sua parte com perfeição.

E o piloto – e que piloto, já que de Maurício Neves é possível contar várias histórias interessantes, já que o paranaense é tão bom acelerando quanto criando máquinas – faz movimentos suaves, nada bruscos. Passo alguns segundos prestando atenção no trabalho de mãos e pés. Uma sequência de esses vira linha reta, um toque no freio de mão e a curva de 90 graus parece não ter nem a metade. Passamos por uma ponte já histórica de tantas edições do Rali da Graciosa, mais alguns metros e é hora de parar. Parar mesmo, porque os quatro discos imobilizam os 1.200kg em metros.

Impressionante ver como um carro terminado há uma semana, que na verdade passa pelos primeiros testes e inicia seu desenvolvimento aguenta tanta exigência sem problemas. Aliás, o dia acabou com um probleminha sim, mas era até de se esperar de tanto que ele foi e voltou em alta velocidade. Quando você vê gente como Paulo Lemos, Ricardo Costa, KZ Morales e Bernardo Koller terminar o passeio com o olhar de satisfação e inúmeros elogios ao brinquedo, fica até difícil arrumar algum adjetivo extra. Se o que eu tento fazer com meu querido Palio é rali, então ontem eu estive diante de outro esporte. Porque é outro planeta. Mesmo quem está acostumado a Subarus e Mitsubishis 4×4 fez questão de dizer. O XRC é ainda mais carro, é um carro de corrida, não um  modelo de rua devidamente adaptado. Se parece fácil fazer como Maurício fez ao volante, não foi nada fácil o trabalho que ele, a família, os dedicados mecânicos da ProMacchina e o navega Armando Miranda, parceiro na empreitada, tiveram para transformar um desenho numa máquina vibrante, em todos os sentidos. O V6 3.6 faz um barulhão, mas que sinfonia. E o melhor é que com ele, e por causa dele, o rali brasileiro tem tudo para viver um novo momento, e isso vale não só para os carrões, mas para todas as categorias. Foi bom acompanhar de perto, rever  a turma das antigas, saber de planos para que o Brasil receba uma etapa do Mundial, dar sugestões e palpites. O Xtreme Rally Car pode não ser para todos (em termos de braço e bolso), mas vale cada centavo, com emoção de troco… Que tenha sido o primeiro capítulo de uma nova saga… O número dois já está no forno, esperando ganhar as centenas de peças que transformam um monobloco de rua num monstro quase indomável… É isso aí… E assim que eu receber a foto, posto para provar tudo o que escrevi e matar muita gente de inveja… Pena que, nessa primeira versão, a posição de pilotagem não permite que um sujeito com mais de 1,70m se aloje, nem com todo contorcionismo do mundo, ou eu teria dado um jeito de tentar nem que fosse um quilômetro, em velocidade de gente mesmo…

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