Ecos do fim de semana: entre títulos e perdas…

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O fim de semana que viu este que vos fala trocar as quatro rodas pelas duas e, 12 anos depois da última competição no ciclismo – acredite, eu já tive força nas pernas para vir de Ouro Preto a BH em pouco mais de 2h20, nos bons tempos da Prova da Inconfidência – tentar encarar o Iron Biker (tentar é o verbo, já que sobrevivi aos 63km do sábado, mas não tive força para levantar da cama no domingo, em que outros 46km me aguardavam), acabou marcado por emoções opostas…

A tristeza pela perda de um colega de fé, talento como poucos, que além de um blog competentíssimo e mais do que acessado aqui no Portal Uai, era responsável por um trabalho de formiguinha que poucos conheciam. Se o Alterosa Esporte e o Superesportes mantinham atualizada a bolsa de craques que apontava os finalistas do Troféu Telê Santana, era graças às intermináveis contas do Leandro Mattos, o cara que conseguia ser divertido até para reclamar das coisas, mas carregava consigo uma força de ferro, inabalável. O que nunca pegava as coisas sem antes perguntar se ainda poderia fazer algo, e olha que já tinha ralado, como aliás toda a equipe do site, que em 2010 foi meu ganha-pão (e justamente por isso o que era coluna virou blog…). Ele resolveu tornar pública a luta contra um inimigo silencioso e infelizmente implacável, reuniu um exército de gente do bem que se juntou à corrente, ganhou solidariedade de locais tão distantes quanto o México, mas, como bem dizem os italianos, não sobreviveu “à doença”, como se ainda fosse necessário explicar qual. Mas o Leandrão vai permanecer entre nós na pequena Luisa, na companheira Fabiola, nas lembranças, textos e brincadeiras.

Nas pistas, ao menos, motivos para felicidade, e olha que a agendinha do que não passou nas telas deu sorte. Como quem acompanhou uma parte importante do aprendizado europeu de Serginho Sette Câmara, ao testemunhar obstáculos, capacidade de recuperação, frieza e talento na Copa do Mundo KF3, em Zuera, só posso comemorar a façanha alcançada no Kartódromo Actua, em Nice. Desde os tempos dos motores Biland quatro tempos, nenhum brasileiro havia dominado uma competição com status de mundial. Olha que a conversa da equipe, do pai, dos preparadores e mecânicos não era nada leve: “você vai para ser campeão”. Sim, foi, mas numa pista nova e com um motor igual para todos, o Iame X30.

Parece brincadeira, mas há quem passe o ano andando com este equipamento, disputando as várias classificatórias internacionais. O mineiro venceu a sua, descobriu a pista e, ainda por cima, reencontrou vários dos adversários de Zuera, gente que terminou à sua frente. A exemplo da Espanha, foi acertando chassi e motor com o passar dos treinos, cresceu quando era necessário e, para não fazer pouco, tornou-se o dono do primeiro título internacional da ART GP na categoria KF3 (ou júnior). E ainda caminha para o título mineiro, outro GP RBC e o Skusa, o Mundialito de Las Vegas. E, em 2013, vai ganhar a Europa de vez, com certeza. Porque não se apavora quando as coisas não estão boas e sabe reencontrar o caminho, assimila as lições e faz bom uso delas…

                               Flávio Quick/divulgação

Do outro lado da fila, e também do Atlântico, Bruno Junqueira terminou uma temporada que só pode deixá-lo orgulhoso, depois dos problemas em 2011 que culminaram com a saída de Cristiano da Matta da RSR Racing de uma forma lamentável (quem gostaria de saber que não vai correr pelo telefone, depois de muita insistência…), em meio à incapacidade do time de Lansing de desenvolver o Jaguar XKR, que acabou aposentado. Junqueira ficou, apostou no projeto (bem mais simples) de alinhar um protótipo Oreca Chevrolet V8 na categoria LMPC da American Le Mans Series. Venceu em Mosport, foi segundo sábado, na Petit Le Mans, e conclui o campeonato como vice-campeão, enquanto os vencedores (Core Autosport) contavam com dois carros e não se furtaram em reforçar suas equipes com pilotos profissionais, enquanto Bruno tinha de fazer a parte do leão sozinho. E fez bonito, igualando os tempos dos bem mais potentes carros da LMP2, espremendo do equipamento o que ele tinha e não tinha. E ainda teve a chance de voltar à Indy em Baltimore e se adaptar voando a um carro que nunca havia pilotado. Resultados que fizeram crescer sua cotação no meio, especialmente agora em que se vê no horizonte a unificação ALMS/Grand Am, para 2014. O que não falta é lenha para queimar, e nas primeiras posições.

Como no caso de Serginho, mas também de Guilherme Silva, Rafa Matos, Cristiano e, para não ficar restrito às Minas, feras como Augusto Farfus, João Paulo de Oliveira, Nicolas Costa, Christian Fittipaldi, Oswaldo Negri, Felipe Nasr, Nelsinho Piquet, Miguel Paludo e tantos outros, dá para acreditar num 2013 ainda melhor nas pistas, à espera de menos notícias tristes da vida…

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