E não é que ele chegou lá…?

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Estávamos ainda no Século XX, tempo em que os releases de imprensa chegavam por e-mail mas também no papel e as fotos vinham em positivo, reveladas, não um arquivo de sei lá quantos megabytes. E o Brasil revelava pilotos de talento às dezenas, a ponto de boa parte daquela correspondência ter como destino não o lixo, mas uma caixa onde ficavam guardadas depois de uma rápida olhada, para servir de referência caso fosse necessário escrever sobre algum daqueles moleques que sonhavam com o topo da pirâmide.

E me lembro que chamou a atenção (eu realmente estou ficando velho, ou o tempo resolveu passar mais rápido ultimamente) quando um envelope com a foto de um paranaense de apenas 9 anos apareceu, acompanhada por uma frase marcante do patrocinador: “Credicard vai apoiar Augusto Júnior até a F-1”. Porque se o circo era o sonho de 10 entre 10 pilotos, ver uma empresa fazer tal promessa era algo inédito. Na época, fiquei imaginando, vai que o menino desiste do automobilismo, e como ficaria a Credicard?

Pois o “tal” Augusto Júnior chegou lá. Antes que você me chame de maluco, ou ache que se trata de algum delírio de fim de domingo, quando a segunda-feira se aproxima implacável, eu explico: não, o Augusto Júnior não chegou à F-1, mas hoje é um dos nomes mais respeitados na Europa, especialmente depois de ter se tornado o primeiro brasileiro a vencer uma etapa do DTM, o Alemão de Turismo, com sua BMW M3, em Valencia. Sim, estamos falando da mesma pessoa, o Júnior deu lugar ao sobrenome, Farfus, mas o talento é o mesmo. E olha que teve gente boa passeando pelo campeonato em sua fase anterior, de orçamentos absurdos e máquinas que mais pareciam protótipos com carroceria de modelo de rua. Max Wilson, Christian Fittipaldi e Tony Kanaan se arriscaram na categoria e o primeiro chegou a ser pódio, em Interlagos’1996 (eu estava lá e vi a Alfa 155 branca voando na pista molhada para a alegria de quem marcou presença).

Pois Farfus já havia brilhado na F-Renault, foi campeão europeu de F-3000, a exemplo de um certo Felipe Massa e só não se manteve nas categorias de monopostos porque a Alfa Romeo enxergou o potencial do curitibano e resolveu lhe dar uma chance acelerando uma máquina com portas e teto. Ele já havia se tornado o primeiro brasuca a dominar uma prova do Mundial de Turismo, o WTCC, e agora volta a fazer história, justamente quando a BMW retorna à categoria doméstica. E se transforma em aposta forte para o título em 2013, quando a marca de Munique promete vir ainda mais forte. Quem, naquele longínquo 1997 resolveu apostar em Farfus com certeza está cheio de orgulho. E quem, como eu, acha que o mundo da velocidade não se esgota na F-1 ou na Indy, também. Boa, Júnior. E que venham as outras…

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