É deste jeito então? (Coluna Sexta Marcha – GP da Rússia)

Publicado em Sem categoria

        Mercedes AMG Petronas/divulgação

O calendário do circo correu um ano e o que foi uma prova sonolenta e criticada em 2014 se tornou exemplo de como deve ser a F-1 para garantir público e emoção. Mostra de que não dá para prever soluções e, ainda que os regulamentos tentem, sempre haverá GPs sensacionais e outros menos, independentemente do circuito (lembram-se do Barein da temporada passada, como foi absurdamente mais interessante que o do atual campeonato?).

Pois o roteiro do GP da Rússia, se servirá para que Bernie Ecclestone prepare das suas e volte com as ideias mirabolantes, esteve entre os opostos do grotesco e do incrível. Afinal, num mundo de centenas de milhões de dólares, uma máquina de serviço derramar óleo no asfalto é digno de todas as críticas do mundo. Sem contar que atrasou a programação; encolheu o trabalho da turma da GP2 e da GP3 e, como lado bom só trouxe uma cara nova na frente do pelotão. Cara essa que, na corrida, daria adeus logo de cara. Tivemos pela primeira vez uma situação de chuva artificial, já que não houve alternativa senão molhar todo o traçado – e Mr.E já sugeriu várias vezes que a prática fizesse parte dos finais de semana de corrida.

E se a mente humana tem um lado perverso, que gosta de ver o circo pegar fogo, os acidentes de Sainz, Grosjean e Hulkenberg nada tiveram de simpático, foram perigosos e felizmente não renderam consequências sérias. Claro que aí entra o safety car (real ou virtual), o pelotão se movimenta, a estratégia muda, e tudo mais. E quem larga em 15º consegue vislumbrar o pódio de pertinho. Especialmente depois que Kimi Räikkönen finalmente encontrou o que tanto procurava há tempos: encrenca, justamente com um compatriota – a frieza habitual se esvaiu tal e qual estivéssemos no calor de Abu Dhabi, não nas ruas de Sochi.

Fora que, como bem alguém lembrou, briga de prender a respiração houve do segundo posto em diante, já que Lewis Hamilton mal apareceu na tela (e a Mercedes reclama justamente disso, de que a FOM esquece os carros prateados para favorecer quem está mais atrás). Nico Rosberg segue com a nuvenzinha carregada sobre a cabeça e pode ver até mesmo o vice-campeonato escapar dos dedos para um Sebastian Vettel revigorado, digno dos bons tempos da Red Bull. Por falar na turma do Touro Vermelho, apesar de todo o respeito e admiração pelo que conseguiram fazer em uma década, me parece patética a discussão envolvendo o fornecimento de motores e a continuidade das duas escuderias para 2016. Continuar com a Renault depois de espinafrar o trabalho dos franceses, que não apareciam tanto quando ganhavam, devia fazer Mateschitz, Marko e Horner andar de máscaras, para esconder a vergonha. Enfim, é assim mesmo o circo, e tomara que em Austin não seja necessário nenhum estratagema extra para ser ter uma corrida boa. Não é tão difícil assim…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


*