E RD conseguiu a façanha…

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Não é de hoje que eu chamo a atenção para a pilotagem desse nativo de Alès que, até chegar à F-3000, não fazia supor uma carreira fenomenal nas categorias de ponta do automobilismo, embora também nunca tivesse contado com dinheiro e patrocinadores o suficiente para poder andar como gostaria. Felizmente ele e quem acreditou nele proporcionaram uma mudança radical para o cenário da endurance e o resto virou praticamente lenda. Afinal, um sujeito que vence as 24h de Le Mans duas vezes, mas também as duas voltas do relógio em Nurburgring e as 12h de Sebring poderia perfeitamente bater no peito e dizer: “eu sou um tremendo piloto”. Se consegue completar um Rally Dakar e ainda por cima domina uma edição da Subida Internacional de Montanha de Pikes Peak (PPIHC) então, nem se fala.

Mas a façanha de Romain Dumas neste ano da graça de 2016 teve muito de monstruoso. Há uma semana ele vivia a gangorra de emoções que o levou a conquistar a mais famosa prova de endurance do planeta pela segunda vez, com a Porsche 919 Hybrid, quando já se via resignado com um positivo segundo lugar, e a quebra do Toyota #5 a três minutos do fim abriu o caminho (a sorte ajuda quem trabalha e merece). Era o caso de tirar uns bons dias de folga pra se recuperar da extenuante maratona, mas o calendário de RD previa outro monumento da velocidade, a edição de 100 anos de Pikes Peak, onde ele já havia feito bonito.

Protótipo Norma M20FC renovado e ainda mais desenvolvido, motor Honda turbo afiado e uma certeza de uma humildade impressionante. Os 8min13 de sua majestade Sebastien Loeb não seriam sequer aproximados (aí eu me lembro do guarda com quem conversei em Glen Cove, onde a coisa começa a ficar mais perigosa e desafiadora, dizendo que, se eu tivesse o protótipo 208 do nove vezes campeão mundial de rally, completaria os 20 quilômetros em 11 minutos, o que eu gostaria bastante se fosse verdade).

Treinos com alguns problemas mecânicos, qualificação encerrada com o melhor tempo e lá vem o bicampeonato, com fortíssimos 8min51s445, apesar de algumas falhas nos freios que o impediram de limar bons segundos. Mostra de que não é coisa fácil, tão logo encostou o carro nos 4.200m de altitude da reta de chegada e começou a nevar em plena primavera no Colorado. Mas a façanha de vencer duas das provas mais simbólicas do esporte em uma semana estava no bolso. “Não sei se consigo me dar conta do que isso significa, é algo impressionante, inacreditável. Foi bastante difícil, mas cheguei lá. Acredito que é muito maior do que o melhor dos meus sonhos”, admitiu. Agora, com certeza, virão alguns dias pra descansar. Mas o lugar de direito entre os grandes da velocidade, esse só foi ratificado. Então, chapêau, RD…

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