Dia de dança das cadeiras no circo

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Estava tudo muito tranquilo na montagem do tabuleiro de xadrez para o Mundial de F-1 de 2013, ainda mais quando veio a notícia, antecipada pela coluna e pelo blog, de que Felipe Massa ganhou um ano de sobrevida na Ferrari – decisão tomada não agora, mas no verão europeu. Pois eis que, em questão de horas, duas das principais peças (e uma terceira que parecia quieta demais para o que vinha conseguindo) se moveram e provocaram o que promete ser a grande mudança. Depois de 15 anos de leais serviços, um título mundial, 24 poles e 20 vitórias, Lewis Hamilton resolveu cortar o cordão umbilical que o ligava à McLaren, o time que acreditou no menino que, um dia, se apresentou a Ron Dennis e mostrou que a decisão do chefão da escuderia de Woking de apoiar sua subida e prepará-lo rumo ao topo não estava errada.

Seria ingênuo pensar que Hamilton encerraria sua carreira no time que o formou – fosse no futebol e ele já teria mudado de camisa umas três vezes. Mas o que chama a atenção é o fato de que, mesmo no pior de seus anos no circo, a McLaren tinha um carro no mínimo decente, além de uma imensa capacidade de recuperação e evolução. Tanto assim que, mesmo com as trapalhadas nos pitstops e os problemas mecânicos, ele ainda pode sonhar com o bicampeonato. A Mercedes, por sua vez, só teve uma máquina superior às demais ainda quando se chamava Brawn, e nem mesmo toda a força da fábrica da estrela de três pontas e o talento de Ross Brawn foram capazes de render mais do que uma vitória. O inglês não tem qualquer garantia de contará com um equipamento à altura do seu atual e fica claro que o dinheiro e a vontade de mudar de ares justificaram a decisão.

A grande beneficiada da história, se é possível falar assim, chama-se McLaren, por incrível que pareça. Ron Dennis (ou Martin Whitmarsh, que dá no mesmo) não se mostrava disposto a bancar o aumento de salário pedido por Hamilton, ainda que tenha igualado a proposta da Mercedes. O time conta com um Jenson Button ainda capaz de vencer corridas e sonhar com títulos, economiza muita grana e passa a contar com um piloto de um potencial enorme, que, em Woking, terá toda a condição de podar os excessos de arrojo. Sergio Perez terá um primeiro ano prateado sem pressão além da de somar pontos constantemente e fazer o que já faz na Sauber. Como é capaz de preservar os pneus e tem uma pilotagem precisa (a exemplo do novo companheiro), o projeto do MP4/28 não precisará ser um meio termo entre estilos. E, ainda por cima, todo o dinheiro da Telmex e suas subsidiárias vem de bônus e ajuda a turbinar o orçamento. Lógico que pesou na decisão a opinião de um certo Jo Ramirez, mexicano como Checo, e que o acompanhou desde os primeiros passos. Sem contar que, para a imagem da escuderia, é interessante perder um pouco da fleugma inglesa e recuperar os ares latinos, que andavam em falta desde a malsucedida experiência com Fernando Alonso, em 2007.

Quanto a Michael Schumacher, ainda que os rumores se mantenham sobre uma possível volta à Sauber (eu explico, Peter Sauber era o responsável pela construção dos protótipos da Mercedes quando a marca resolveu apostar no alemão), talvez fosse o caso de buscar novos ares e experiências. Ele conseguiu ser pole (ainda que punido), fez volta mais rápida e visitou o pódio, e não irá mais longe do que isso. Mas poderia perfeitamente brigar por um título mundial de Endurance, ou mesmo por uma vitória nas 24h de Le Mans, algo que tentou no começo da carreira. Se divertiria do mesmo modo, sem cobranças e em condição de tornar seu currículo ainda mais impressionante…

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