De Zuera a Cingapura – Coluna Sexta Marcha

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*** Mesmo longe da base (agora de volta a ela), teve coluna Sexta Marcha, escrita na sensacional experiência de acompanhar, ao mesmo tempo, as finais da Copa do Mundo de Kart KF2 e KF3 e os compatriotas de Fernando Alonso (mas também pilotos e familiares de outros países) vendo o que se passava a milhares de quilômetros dali, na noite de Cingapura. A informação está no pé do texto, mas eu reafirmo, de fonte seguríssima: Felipe Massa segue em 2013 na Ferrari, o contrato já está assinado, por mais que piloto e equipe mantenham o suspense e o anúncio oficial ainda não tenha data prevista…

De Zuera a Cingapura

Zaragoza – A melhor forma de comentar o GP de Cingapura é falar sobre um evento que aconteceu simultaneamente a milhares de quilômetros da cidade estado asiática com bem mais em comum do que as quatro rodas e o motor. Mais do que uma ocasião para começar a indicar quem serão os craques do circo ou as principais estrelas de outras categorias num futuro nem tão distante assim, a Copa do Mundo de Kart das categorias KF3 e KF2, em Zuera, ajuda a dar uma dimensão do que está por trás de uma longa caminhada. Muitos dos 183 pilotos que aqui estiveram ficarão pelo caminho, outros vão deixar o esporte de lado, há quem preferirá se profissionalizar no kart ou será vítima da implacável escalada rumo ao topo – estamos falando de uma pirâmide que se estreita a cada novo degrau.

É acompanhando não apenas o mineiro Sérgio Sette Câmara, que mostrou da melhor forma estar pronto para avançar – não se intimidou com o currículo dos rivais, com o fato de (ainda) não viver na Europa, aonde o nível da modalidade é infinitamente superior ao verde e amarelo – e fez até mais do que dele se esperava, mas as diferentes bandeiras, equipes, fábricas, que se tem a confirmação de que, desde cedo, acelerar é o mais fácil. Talento todos têm, mas é necessário lapidá-lo. Com 13 ou 14 anos o menino já precisa dominar outro idioma, se integrar ao time, ser capaz de transmitir aos mecânicos e engenheiros, com objetividade, as reações do equipamento. E analisar os dados da telemetria, conferir a cada passagem pela reta no pequeno painel instalado no volante os tempos de volta, as condições da carburação. Além de se preocupar com a trajetória perfeita, com o desgaste dos pneus, o fato de que um décimo de segundo pode ser a diferença entre a vitória e a decepção.

E ainda há a preparação física e mental, os exercícios específicos, as dezenas de horas gastando borracha pelos kartódromos mundo afora em busca do “pelinho” a mais, como eles mesmos gostam de dizer. Nada pode ser deixado ao acaso. E não custa lembrar que títulos de expressão no kart nem sempre são sinônimo de carreira bem sucedida. Você não se lembra de Mike Wilson e Peter de Bruijn, mas com certeza não se esquece de quem foi vice dos dois, um certo Ayrton Senna. E basta um passeio pelos boxes para encontrar Genis Marco, que deu a Fernando Alonso a primeira chance de despontar quando o pai do asturiano não mais aguentava atravessar Espanha e França com o kart do menino no reboque do carro para correr na Itália. Mais que nunca, os pequenos carrinhos, que mantém a alma, já que seguem sendo no fundo um conjunto de tubos soldados, como nos primórdios, embora tenham ganho muito em tecnologia, são mais que uma escola, uma verdadeira universidade das pistas. E aprender a perder é uma das primeiras lições para saber ganhar.

Lição de Alonso

Numa corrida (a de Cingapura) em que alguns pilotos parecem ter desligado o cérebro, o mais frio dos latinos voltou a dar prova de sua superioridade – e não sou só eu quem diz isso, há uma semana, em Interlagos, alguém com muito mais propriedade, um “tal” de Emerson Fittipaldi reafirmou que Fernando Alonso é o mais completo do circo. Se os rivais continuarem se alternando à sua frente e dividindo a cota de azar, como tem sido o caso, o tri está mais no bolso do que nunca. Aliás, se há algo que os espanhóis têm tanto quanto o orgulho do compatriota, é ódio de Michael Schumacher. Houve até comemoração quando o alemão provocou seu strike particular.

Contrato renovado

A Ferrari ainda não oficializou, mantém o discurso de que a escolha não foi feita, mas Felipe Massa será o companheiro de Alonso por mais um ano, já é algo sacramentado. Talvez esta tranquilidade tenha explicado a sensacional recuperação, ajudada pela estratégia e simbolizada na sensacional ultrapassagem sobre Bruno Senna, puro instinto e talento. Esse Felipe merece realmente uma temporada extra, que seja para mostrar que ainda sabe o caminho do pódio.

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