Alexander e o dia terrível, horrível, espantoso e horroroso…

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É bem verdade que a situação recente da F-1, com duas equipes muito ameaçadas de fechar as portas, é séria, e começa a fazer refletir, de modo preocupante. Mas não dava para perder a deixa e ignorar a situação de um piloto que, quanto mais próximo se vê de estrear no circo, mais distante fica do sonho. O título da comédia em cartaz, com a devida adaptação, cai como uma luva para a situação do norte-americano Alexander Rossi.

Ele com certeza não é o mais talentoso piloto à espera de uma vaga de titular, chegou a ter momentos espetaculares apenas no início de carreira, quando ganhou praticamente tudo o que havia para ganhar na F-BMW, mas acabou se perdendo nos degraus seguintes, quando acabou entrando no pelotão, com um lampejo ou outro de talento. Havia, no entanto, o atrativo do passaporte. Para muita gente, um representante da terra do Tio Sam é mais do que obrigação; não vai fazer os compatriotas trocarem a Nascar pela F-1, mas sempre pode atrair patrocinadores, atenção, mídia. E o único a seguir tal caminho depois de Scott Speed é exatamente o nativo de Auburn, Califórnia, que se entrincheirou na GP2 à espera de concretizar o sonho. Não por acaso, assim que foi confirmada a chegada da equipe Haas em 2016, ele se tornou o nome mais cogitado para uma das vagas – a outra ficaria com um apadrinhado da Ferrari, parceira e fornecedora de motores.

Eis que Rossi, que fazia parte do programa de talentos da Caterham, trocou o time verde pela Marussia e, tão logo passou a vestir vermelho, se viu diante da oportunidade de ouro. Véspera do GP da Bélgica e chega a notícia de que o titular Max Chilton, por problemas financeiros, dará lugar ao reserva… Alexander Rossi. Que chega a participar do primeiro treino livre, mas, em seguida, tem de devolver o carro ao antigo dono.

E lógico que ninguém torce pela desgraça alheia, mas, tão logo Jules Bianchi sofre o gravíssimo acidente em Suzuka, e parece claro que os Estados Unidos voltarão a ter um representante na principal categoria do automobilismo mundial. Rossi chega a ser inscrito para o GP da Rússia, mas o clima de comoção e o péssimo estado emocional de todos na equipe leva a alinhar apenas com Chilton.

Tudo bem, é questão de tempo, e o que poderia haver de melhor do que estrear em casa, viver a chance de ganhar o foco das câmeras e microfones, ser quase tão estrela em Austin quanto quem está no extremo oposto do grid? Pois é, não foi desta vez. Com o comando cedido a administradores que tentam tirar a escuderia do buraco; encontrar investidores que apostem em seu futuro (logo no ano em que Bianchi, ao ser nono em Mônaco, garantiu pontos que são sinônimos de bons milhões de dólares para o ano que vem…), não teremos Marussia no Texas, como está mais do que confirmado. E dificilmente haverá também em Interlagos e Abu Dhabi. Conseguirá Alexander Rossi disputar seu primeiro GP por agora? No mínimo vale um banho de sal grosso e uma benzida brava…

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