500 Milhas de Indianápolis: a TK o que agora é de TK

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O jejum nem era tão grande assim (2009) e, se tem uma prova de que o torcedor brasileiro não pode reclamar nas últimas décadas são as 500 Milhas de Indianápolis. Pensa só: em Mônaco se vão exatas duas décadas de jejum e só desde então, no oval famoso do mundo Hélio Castroneves escalou as grades três vezes e Gil de Ferran uma, sem contar as poles de Helinho, Bruno Junqueira e Tony Kanaan, todos com voltas lideradas. Da turma, apenas o mineiro não foi presença constante na capital de Indiana por conta da cisão entre ChampCar e IRL e, quando as duas séries se fundiram, não teve equipamento para sonhar com a vitória, mesmo assim fazendo alguns milagres já contados ao longo da história do blog.

 

           Forrest Mellot/Indycar/divulgação

Mas se havia alguém que parecia fadado a se tornar um Bob Wollek nas 24h de Le Mans, ou um Michael Andretti nas próprias 500 Milhas, era o baiano radicado em São Paulo, que fez parte de uma leva que trocou a Europa pela América e foi vitoriosa também com Cristiano da Matta e Helinho. Venceu a Indy Lights pela Tasman, teve carros competitivos nas mãos, logo estava no alto do pódio, sagrou-se campeão da IRL em 2004, foi uma vez segundo e duas terceiro numa das provas mais tradicionais do automobilismo. Parecia que o pote de leite seria um sonho transformado em decepção.

Mas quem viu Takuma Sato bater no finzinho ano passado, ou um inexplicavelmente perdido J.R.Hildebrand bater na última curva da última volta, abrindo espaço para o triunfo do então desempregado e hoje saudoso Dan Wheldon sabe que só naquela pista, que não por acaso fica em Speedway, IN, os deuses da velocidade que pregam peças também sabem preparar finais felizes. Largou em 12º, tinha um carro perfeitamente acertado e, no dia em que se registrou a maior média horária da história quase centenária da corrida, foi beneficiado pelas bandeiras amarelas no momento certo. Fez valer a experiência diante de um impressionante Carlos Muñoz que nem da Lights saiu ainda e venceu a primeira prova da KV Racing, de Kevin Kalkhoven e Jimmy Vasser. Tony é daqueles caras que faz 90% de coisas boas (os outros 10% ficam de lado num dia tão especial, que o blog quer falar da vitória) e não por acaso foi ovacionado pelos que estavam dentro e fora da pista. E foi bacana ao dizer que o Speedway não lhe devia nada, mas que a fé numa vitória ali, como diria Gilberto Gil, nunca costuma falhar. E quando o futuro nas categorias de ponta é motivo de preocupação, que bom que ao menos o presente nos trouxe, neste domingo, a sétima vitória verde e amarela no “the biggest spectacle in racing”. O troféu Borg & Warner vai ganhar o rosto com o maior nariz, mas faz parte… Parabéns, TK…

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