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Sou jornalista e meu gosto por aventuras já me levou a lugares extremos! Com vontade e estratégia superei desafios artificiais e selvagens que se interpunham às histórias que buscava, acumulando experiência e técnicas. No Rotas do Explorador mostro expedições e dicas outdoor.

Mais dois resgatados do labirinto de vapor, mata e rochas da Serra Fina

Mesmo do alto das montanhas os caminhos da trilha da Serra fina podem ficar encobertos por vegetação e tempo fechado (Foto: Ramon Lisboa/EM/D.A.Press)

Se perder na Serra Fina é algo mais fácil do que parece e aflige até mesmo que é experiente e conhece aquelas trilhas. Isso, porque o microclima local é imprevisível. Sem avisos, nuvens de tempestades bloqueiam um céu aberto e despejam chuvas implacáveis. A respiração das matas e a evaporação erguem muralhas de neblina densa canalizadas pelos vales. As florestas de mata fechada, bambus e mesmo capins impedem uma localização mais ampla em vários pontos, mesmo se tratando de montanhas com mais de 2 mil metros de altura.

Foi nesse contexto que a dupla de Macaé (RJ), Paulo José da Silva Gonçalves e Isaías Tavares Machado Júnior, ambos de 19 anos, enfrentaram três dias perdidos nas montanhas.

Assista ao vídeo que fiz sobre o assunto para o meu canal do YouTube, o Missão Carcará, e se inscreva se curtir para receber mais vídeos!

https://www.youtube.com/watch?v=RzO42Ops9A4

A dupla perdida enfrentou fortes tempestades e temperaturas próximas do congelamento. Não tinham aparelho de GPS e sequer contrataram um guia, de acordo com os Bombeiros. Com um mapa impresso, realmente contar apenas com as sinalizações das trilhas – por mais que tenham melhorado ao longo dos anos – é pedir para se perder.

Por duas vezes fui à Serra Fina. Uma delas, em 2006, com um grupo de amigos. Nessa primeira vez tomamos a trilha do Paiolinho, em Passa Quatro, pois o objetivo era o cume da Pedra da Mina (2.798 metros). Foram pelo menos quatro trilhos falsos que tomamos por não conhecer a rota. Ou seja, horas perdidos, se desgastando física e mentalmente, até encontrar o caminho correto. Na segunda vez, dentro da Expedição Montanhas de Histórias, que realizo neste ano pelo Jornal Estado de Minas, a travessia seguiu sem grandes caminhos errados.

Na região onde Paulo José e Isaías se perderam, na descida do Pico do Cupim de Boi (2.543 metros), tenho quase certeza que as condições meteorológicas contribuíram. Isso, porque a trilha pelo cume do Cupim de Boi não desvia, é uma reta só. Contudo, a descida em direção ao Pico dos Três Estados (2.665 metros), demanda uma curva de 180° no meio daquele alto, mas que tem inúmeras marcações e totens indicando isso. Nesse ponto eles passaram reto e caíram num vale por onde corre um curso d’água.

Veja a sequência da trilha da serra Fina e os locais por onde os jovens que se perderam passaram até serem resgatados

É bem provável que a chuva e a neblina tenham encoberto esses sinais e confundido a navegação dos dois jovens. Depois de perdidos, seguiram o curso d’água enfrentando a mata fechada até que conseguiram um ponto com contato telefônico, na terça-feira (18). Naquele mesmo dia, os Bombeiros enfrentaram mais de 3 horas por dentro da mata fechada para chegar até a dupla, que estava bem, descansada, alimentada e hidratada. No início da noite desta terça-feira (18) eles conseguiram chegar a uma sítio e foram levados para a Santa casa de Misericórdia de Itamonte.

Os dois jovens (de barba) entre os bombeiros e guias que os salvaram da Serra Fina (Foto: Divulgação/Bombeiros)

Essa seria a sexta operação de resgate na Serra Fina, apenas entre as que envolveram Bombeiros de Minas Gerais. E não conta também os vários grupos que passaram, por exemplo, um dia ou várias horas perdido e precisaram de muita superação para chegar ao fim dessa que é tida como uma das mais difíceis travessias do Brasil.

Bombeiros e guias precisaram atravessar matas fechadas e cursos d’água por 3 horas só para localizar os jovens perdidos (Foto: Divulgação/Bombeiros)

Por isso, insisto: se for se aventurar na Serra Fina ou mesmo a Pedra da Mina, contrate um guia, leve GPS, não vá com menos de três pessoas, leve equipamentos de comunicação e navegação, imprima mapas, estude os trajetos, entre em contato com quem já fez esse percurso, esteja preparado para enfrentar muito frio, chovas fortes, falta de água e muito esforço físico. E, claro, uma forma de registrar as belas imagens das montanhas da Serra Mantiqueira!

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2 comentários em “Mais dois resgatados do labirinto de vapor, mata e rochas da Serra Fina

  1. Crianças brincando com fogo!!!!!!!!!! E ainda tem de ocupar bombeiros com essas palhaçadas! Deveriam serem condenados a trabalho comunitário para compensar os gastos dos bombeiros, os quais são sustentados pelo cidadão!

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